FUI PRESO - Parte I

14.5.11
Daí que em um dia normal, como outro qualquer, eu estava andando na praia e fui levado pela policia. Sei que para muitos a sentença anterior poderia ser algo chocante. Mas, gente, eu sou negro: e não existe nada de novo ou de revolucionário em um negro haver sido preso. Desde os tempos em que nós eramos apenas macacos (e os brancos eram Adão e Eva) que parece haver uma força maior que quer nos levar à jaulas [consulte; tião, macaco]. Mas eu fui bravo e consegui escapar de mais essa. Sigam-me os bons:

Encontrei Adriana (fotografa) e Pedro (fotografo) e entramos em um táxi. O nosso destino era o lançamento de um livro, no Leblon.

- Depois do lançamento, o que iremos fazer? (Adriana)
- Pô, não sei. Queria sair. (eu)
- Pablo... Você curte puxar um? (Pedro)


Como não sou de guardar segredos sobre a minha vida, é sabido por todos o que acontece comigo quando eu "puxo um". E se você ainda não sabe, leia clicando aqui. Tendo isto bem claro, prossigamos:

- Ih, eu adooooro puxar um. É muito a minha. Eu fico ótimo quando puxo um, amiugos!
- Mais um para o nosso time, Adriana! ha-haaa


Os dois comemoraram o fato de eu gostar de maconha e combinamos de ir "puxar um" depois que deixássemos o evento. Eu particularmente estava bem animado com o lançamento do tal livro. Estava bem sabendo que encontraria por lá 1. Caio Castro 2. Arthur Aguiar 3. Sophia Abraão. E lá vai mais um segredo à ser exposto: os dois últimos são integrantes da novela Rebelde, da Rede Record. Novela que eu adoro. Pronto, falei.

Cheguei no evento. Estava cheio. Cheio: De gente velha. Bem, para não ficarmos deslocados entre as pessoas da terceira idade, Pedro, Adriana e eu resolvemos nos colocar em um cantinho. E começamos a beber bastante vinho, que era o único álcool disponível no ambiente.

Três horas depois...

Eu estava saindo do evento, muito do revoltado.

Fui encontrar: 1. Caio Castro 2. Arthur Aguiar 3. Sophia Abraão.
Encontrei: 1. Fabiana Karla 2. Solange Couto 3. Cida Moraes, ex-BBB.

Ou seja. Mas a noite tendia a melhorar. Afinal, ainda iriamos sentar na areia da praia de Ipanema e puxar aquele tal um. Antes de chegar na praia ainda paramos em uma praça publica para enrolar o baseado. Poderíamos ser presos, pensava comigo. Era só a policia passar e nos ver enrolando maconha em um papelzinho de ceda e facilmente seriamos presos. Facilmente. Mas não fomos. A policia não passou. Era só seguir rumo a praia. Adriana estava com seu cabelo totalmente negro e chanel voando por causa do vento da orla, sua bochecha estava bem rosada. A pele dela é branquinha e qualquer vento parecia deixa-la corada. Pedro nem parecia sofrer com o frio. Estava com duas camisas. Sentamos na areia da praia. Lá estávamos nós, três jovens sentados na areia da praia do Leblon às 23:40hrs, sozinhos.

- Gente, será que não corre o risco da policia pegar a gente?
Desabafei minha preocupação.
- Nah. Que nada, Pablito. E se a policia chegar, a gente sai correndo. (Adriana)
- Sabe o que é...? - hesitava - Eu não gosto muito de correr, galera. Sou meio sedentário, entende?

Fora que correr da policia poderia ser um pouco perigoso e acabar meio mal. E Pablo Rodríguez, definitivamente, não veio ao mundo para acabar mal. Eu acho.

Pedro riu do que eu disse e acendeu o baseado. Enquanto Pedro começava a fumar, Adriana ia me contando sobre sua vida. Seus cursos, como conheceu Pedro e como largou um namorado de anos para ficar com ele. Ela, moradora da Zona Sul, se apaixonou perdidamente por ele, morador da Zona Norte. Se auto-intitularam de "A dama e o vagabundo". Pedro, um baixinho de traços orientais, fortinho, é o tipo de cara que nenhuma mãe iria querer para suas "damas". Mulherengo e desligadão. Ela, extremamente delicada, sofisticada e preocupada.

- Ai, genteeee!!! Tô muito doido, viu. O mundo é muito mágico, né? Ouve só o barulhinho do mar. Ouve só. (eu, muito doido de maconha, levantando os braços e achando que poderia flutuar)
O clima pesou:
- Pablo, não se mexe mais. Não olha para trás.
Pedro apagou o baseado. Me preocupei:
- O que houve, gente?
- A policia está passando na rua, nos viram. (Pedro, nervoso)

S.O.S.!!! ME TIREM DAQUIIIIIIII!!!

Menino, me bateu um nervoso. Uma vontade de me jogar no mar e sumir da vista dos policiais. Adriana se virou para olhar a policia. Pedro chamou a atenção dela e disse para ela não olhar para trás também. Me sentia em um filme de terror.

- Pronto. Foram embora.
Pedro se aliviava.

Eu é que não queria mais ficar ali depois desse susto. Vai que a policia volta? Queria ir embora e queria ir embora o quanto antes.

- Gente, vai que a policia volta? Não é melhor irmos? (eu, com medo)
- É. Talvez seja melhor sairmos daqui. (Pedro, usando o bom senso)

Fomos caminhando pela orla da praia. Vou mentir não: eu estava tão doido que sabia nem para onde estávamos indo. Sei que eles estavam andando e eu estava andando atrás. O vento batia na minha bochecha, aí eu lembrava de Claudinho e Bochecha e quando eu dava por mim eu estava me imaginando de cover de Bochecha no palco do Planeta Xuxa. Que na verdade não era um planeta, era apenas um pedacinho de nuvens rosas, enfeitadas com cogumelos cor de abacaxi. Pois é: eu estava doido assim. Minha mente ia longe.

Adriana nos parou em certo ponto:
- Sabe o que podíamos fazer?
Perguntou.
- O que? (eu)
- Poderíamos terminar de fumar aquela ponta que sobrou aqui.

OI?

- Aqui? No meio do calçadão da praia?
- É. Aqui no calçadão.
Ela disse. Segurei em seu braço e sussurrei:
- Adriana, eu não sei se é uma boa idéia fumarmos aqui no meio do calçadão da praia do Leblon.
Pedro riu da minha constatação e concordou comigo.
- Também acho que não, Adriana.
- Gente, me escutem: relaxa. Deixa fluir. Vai ficar tudo bem. Ih, relaxa.
Meu coração apertou:
- Ai. Sei não, Adriana. Sei não, viu.

Sentamos em um dos banquinhos do calçadão da orla e ela acendeu a ponta do baseado que ainda nos restava. E de repente o mundo se resumia a nós três. Ali, nos divertindo muito e rindo de tudo.

- Gente, estou a-do-ra-n-do sair com vocês! Sério mesmo. Que energia deliciosa!! (eu)
- A gente tinha que bater uma foto para registrar o momento! A energia está muito boa mesmo. (Adriana)
- Verdade!
Concordou Pedro. E nós passávamos as mãos nos nossos próprios corpos, sentindo toda aquela energia maravilhosa. Que vergonha.

Então, decidimos mesmo bater a foto. Foi só virarmos para pegar a câmera... Que o desespero invadiu nossos peitos e se fez fogo. Não. Não podia ser real. Meus olhos estavam me enganando. Gente... era a policia. Era a policia descendo do carro da policia e vindo para cima de nós falando coisas da policia. Eu não havia os chamado. Se não estavam ali por haverem sido chamados, estavam ali para apenas uma coisa: me prender. Socorro.

- Adriana, é a policia! Joga esse baseado fooooraaaa!!!!!
Eu gritei, desesperado.

Adriana jogou o baseado fora. Mas não adiantou.

- O cheiro está vindo na rua, seus vagabundos!
Era o Policial 1, vindo para cima da gente.
- Fumando no calçadão. Vocês não tem vergonha?? Não adianta jogar fora, vocês foram pegos em flagrante!!! (Policial 2)

RING THE ALAAAARM!!! CHAMEEEM MEUS PAAAAIS!!! SOCOORROOOO!!!

Os policiais abriram minha carteira, me revistaram todo e começaram a procurar o baseado que Adriana havia jogado fora na areia. Eu não sabia se torcia para eles acharem ou se torcia para que eles não encontrassem. Porque FATO: Se achassem estávamos encrencados. FATO: Se não achassem, eles poderiam ficar com raiva e bater na gente.

- Moço, pelo amor de Deus, não temos mais nada. Aquele baseado era tudo que tínhamos e só acendemos para acabar com ele e não levar nada para casa!
Adriana, se defendendo. Desesperada.
- É, moço. Pode me revistar a vontade, não temos nada.
- Cala a boca! Nós já tínhamos visto vocês na areia. Deixamos passar. Mas no calçadão? Muita cara de pau!!!!

Enquanto eles nos xingavam de coisas absurdas e se faziam brutamontes, eles nos revistavam outra vez. Só não podiam encostar em Adriana. Mas na bolsa, carteira, etc, eles podiam e o fizeram. Na minha vida existe uma máxima: quando uma coisa está ruim, é só contar até três que ela piora: quando foram revistar Pedro, gente, o que era aquilo? Ai. Meu. Deus. Muita maconha na bolsa dele. Muita maconha.

MUITA MACONHAAAAA!!!

LUZES. SIRENES.
00:30 hrs pm. Pablo Rodríguez foi preso. Encontrava-se dentro do camburão da policia.
Artigo 290. Posse ilegal de drogas.

continua...