FUI PRESO - Parte II

16.5.11
Uma coisa que meus pais sempre me disseram é que "Pablo, cuidado com os amigos. Não ande com quem usa drogas. Se a policia aparecer e eles estiverem com algo, você vai preso junto". É claro que na época eu acho que meus pais não esperavam que eu também fosse usar maconha. Mas é que eu tinha 7 anos e não sabia o quão divertida a vida poderia ser. Se soubesse, talvez tivesse dito para eles evitarem andar perto de mim na rua. Vai que a policia bate e eles rodam junto comigo? Assumam, papai e mamãe, vocês iriam ficar magoados. Mas tava aí uma praga jogada por meus pais na minha infância que se tornava uma realidade. A policia apareceu e eu rodei junto. Tanto lugar no mundo para estar e eu dentro de um camburão policial. Ah.

- Moço, pelo amor de Deus! Me soltaaaaaa! Não tem necessidade dissooooooo!

Eu + drogado + sem + controle + nenhum + chorando + muito

- Cala a boca, vagabundo!
Policial 2, tentando me acalmar.
- Moçooooo, não me levaaaaa! Por favoooooor! eu sou inocenteeeeeee!!!!

Eu + preso + em + flagrante + alegando + inocência

Adriana me deu um pescotapa para ver se eu sossegava:
- Pablo, para de gritar. Temos que resolver isso com calma.
- Calma, Adriana? Calma? Nós estamos sendo presos, minha filha. MOÇOOOOOO, POR FAVOOOOOOR!! ME SOLTAAAAAAAA!!!
Me deu outro tapa:
- Pablo, cala a boca.

Ok. Tudo bem. Talvez fosse melhor eu me acalmar. Tipo Pedro, que estava calado. Aliás, porque Pedro estava tão calado? Eu ein. Vou dar um pescotapa nele também. Ah, eu vou. Não. Pablo, fica calmo. É. Eu deveria me acalmar e começar a pensar em uma forma menos histérica para pedir para ser solto. Eu já estava dentro do camburão, mas né? Sempre rola uma esperança. Por exemplo, Guilherme de Pádua está solto. Ele matou alguém. E está solto. Quer dizer, eu tenho chances de sair dessa.

- Vocês estão sendo enquadrados no Artigo 290. Isso não é o tipo de coisa que vai sair da ficha de vocês. O nome de vocês ficará sujo para sempre.
Contavam os policiais, rindo.
- Moço, como assim?
- Se quiserem viajar, trabalhar, qualquer coisa, sempre que forem buscar a ficha de vocês vai estar lá que vocês foram detidos e condenados.
- Vamos ser presos? Ficar atrás das grades? (Pedro, finalmente falando algo)
- Não mais. A lei mudou. Agora vocês vão ser fichados, julgados e provavelmente terão de cumprir pena atuando em algum trabalho voluntário.

IH, GENTE.
TRABALHAR VOLUNTARIAMENTE NÃO É COMIGO NÃO.

- Ih, gente. Trabalhar voluntariamente não é comigo não, viu.

AI, MEU DEUS.
EU FALEI O QUE PENSEI. FALEI ALTO. AI, MEU DEUS.
AI, MEU DEUS!!!!


Os policiais riram do que eu disse.

- Conseguiram entender? E ainda terão que pagar 5 mil reais em cesta básica.

SOOOCORROO!!!!

- Cinco mil reais? Mas rola parcelar? (eu, claro)
- Não. É na hora. Hoje vocês serão fichados, será marcada uma audiência na semana que vem e então vocês serão condenados a pagar.

ISSO NÃO É REAL.
ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO COMIGO.
EU NÃO ESTOU DETIDO NO CARRO DA POLICIA.
NÃO. NÃO ESTOU. CALMA, PABLO.

Olhei pela janela para ver o ultimo pedaço da praia que ainda nos restava, antes de entrarmos em uma das ruas que nos levaria rumo a delegacia. Fiquei olhando o calçadão, assistindo todas aquelas pessoas caminhando e fazendo exercícios de madrugada. Dois pensamentos invadiram minha cabeça:

1. Gente, por quê essas pessoas estão caminhando e se exercitando a essa hora da noite? Por quê elas não estão em casa dormindo? Se eu não estivesse sendo preso, com certeza estaria indo para casa dormir.
2. Aquele dali é o Herson Capri? Mas o que Herson Capri tá fazendo usando aquele shortinho de maratonista a essa hora da noite? Herson Capri tá correndo...

ISSO NÃO É REAL.
ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO COMIGO.
EU NÃO ESTOU VENDO HERSON CAPRI DE MINI SHORTS CORRENDO NA PRAIA.
NÃO. NÃO ESTOU. CALMA, PABLO.

Mais calmo comecei a pensar que talvez fosse bom aproveitar que os policiais haviam me achado engraçado para tentar fazer uma amizade. Quem sabe um sexo. Digo, depois que eu fosse solto, um sexo animal com policiais brutamontes não cairia nada mal. Só para comemorar.

- Bem, me contem, vocês são policiais há muito tempo? (eu, puxando assunto)
Eles: - O QUE?
Não conseguiam me ouvir muito bem, o camburão tinha uma acústica péssima.
- VOCÊS. SÃO. POLICIAIS. HÁ. MUITO. TEM.PO?
Eles: - Ah, sim. Somos!
Adriana olhou para mim como quem diz "Para com isso. É sério. Estou com vergonha de você!". Mas nego sentir vergonha de mim também não é novo na minha vida. Prossegui:
- E vocês são casados? Solteiros...?
Eles pararam o carro.

AI, MEU DEUS. AI. MEU. DEUS. ACHO QUE FALEI MERDAAAAAA!!!

O carro parou em uma rua totalmente escura. Meu estomago se embrulhou de medo. Ou de fome, sei lá. Acho que estava me batendo uma larica.

Socorro, estou com larica e na cadeia não vai ter nada para comer até amanhã. Socorro.

Eles saíram do carro. Comecei a achar que eles iriam nos bater até que morressemos. Ou, quem sabe, nos matar sem nem nos bater. Ou comer nosso cu a seco. Ou todas as opções anteriores e não necessariamente nessa ordem. Ouvia os passos deles do lado de fora do camburão, se aproximavam da porta. Era o som da morte chegando para nos buscar. Abriram nossa porta.

- Bem. Não sei nem como dizer isso para vocês... - Policial 2, sorriso de lado no rosto. Abaixamos a cabeça e ele prosseguiu: - Nós gostamos muito de vocês.

VÃO COMER NOSSO CUUUUUUUUUUU!! SOCORROOOOOOO!!!

- Não queremos vê-los com o nome sujo, sem conseguir arrumar emprego, tirar um visto de viagem para o exterior. Não queremos.
Riam.
- Fala logo, moço. (Adriana)
- A praia é filmada, vocês sabem disso.
Policial 1, também sorrindo.

VÃO NOS MATAAAAAR!!!!!!

- Sim. E aquelas fitas podem ser apagadas. Sempre se dá um jeito.
Concluiu.

VÃO BATER NA GENTEEEEEEE!!!!

- Sim. O que meu amigo está querendo dizer é que podemos apagar as fitas e fazer como se vocês nunca tivessem passado por lá.

VÃO COMER NOSSO CU E NOS BATER E NOS MATAAAAAAR!!!

Levantei meus olhos até os olhos deles. Uma vez vi num filme de terror que é muito importante manter contato visual com o assassino para que ele sinta pena de você. Eu estava atrás de fazer com que aqueles homens sentissem pena de mim.

- Apagar essas fitas custa um certo dinheiro e nós não temos esse dinheiro.
- Vocês querem dinheiro?
Adriana perguntou, sem rodeios.
- Queremos saber quanto vocês teriam para ajudar a gente...

FODEU, BRASIIIIIIIIIL!!!

- Moço, olha, se você revistou minha carteira, você viu: tenho vinte reais. (este sou eu, sempre esbanjando luxo e glamour)
- E você, menina?
- Eu tenho 40, seu policial.
- E você, garoto?
Pedro levantou a cabeça:
- Dez reais.

Eles se entreolharam:
- Olha, isso não ajuda vocês não.

REALIDADE: Estávamos sendo subornados e só tínhamos 70 reais. O destino: um amigo de longa data que só nos fode vez ou outra.

Os policiais ficaram meio que sem reação com nossa falta de dinheiro. Era aquele momento da noite para eles em que o plano de nos subornar estava indo pelo ralo.

- Como somos de agir com o coração - riram - Vamos levar vocês até o caixa eletrônico. Quanto de dinheiro vocês tem lá?

Como eu sou inocente, não é mesmo? Só de imaginar que eu cheguei a pensar que talvez eles pudessem nos dar uma surra. Ou nos matar. Ou comer nosso cu. Que nada. Eles estavam nos assaltando. Mãos para cima, país de cabeça para baixo: era um assalto.

Fomos até um caixa eletrônico na lagoa. Apenas eu tive permissão de descer do carro primeiro. Afinal, eu era o mais desesperado. Eles confiscaram minha carteira de identidade. Caso eu fugisse, seria dado como foragido da policia. Cadeia por mais de cinco anos. E o melhor vem agora. Onde eles pararam, só tinha como sacar do Itaú: fui sacar vinte reais e te falar que meu saldo estava insuficiente, ein. Eu não tinha nem vinte reais na conta. Climão. Comecei a pensar nas pessoas mais próximas para telefonar e pedir ajuda.

- Alô? Então. É que estou sendo preso e subornado. Queria saber da possibilidade de pintar na porta da sua casa agora com a policia para pegar uns cinquenta conto. Alô? Tem alguém na linha ainda? Amiga?

CLIMÃO

SABE... NÃO, PABLO. NÃO.

Voltei para o carro:
- Gente, o caixa aqui está quebrado. Acreditam? Acho melhor procurarmos outro... (eu menti mesmo. afinal...)

Na minha cabeça estava me correndo a angustia de saber onde é que eu poderia achar um caixa do Santander 24 HORAS. É de uma dificuldade ser um cliente Santander que olha. Sei não. Mais fácil eu ser preso e Xuxa, a rainha dos baixinhos, aparecer para me soltar do que achar um caixa 24 horas do banco Santander de madrugada. Depois de rodarem com a gente mais um tempo, achamos outro caixa 24 horas. Tinha Santander. Era dentro de um supermercado em Ipanema.

- Gente, acho melhor ligarmos para alguém e denunciar o que está acontecendo.
Eu dizia, querendo arrumar confusão.
- Pablo, vamos sacar o dinheiro, pegar nossas identidades e deixar por isso mesmo. Você quer denunciar eles para quem? Para a policia? Os amigos deles?

Sacamos uma quantia redonda. Entregamos aos policiais. Eles devolveram nossas identidades e nos mandaram entrar no carro. O show dos horrores parecia não chegar ao fim.

- Bem, como estamos felizes e ao mesmo tempo preocupados, queremos saber como vocês vão voltar para casa.
Ficamos confusos. Nos calamos.
- Digo, vocês querem que deixemos vocês na porta do metrô? Num ponto de ônibus?

GENTE...
???????????????

- Não, moço. Você pode deixar a gente aqui. Em qualquer lugar. (eu)
- Mas aqui é perigoso, meninos.

??????????????????????????

Tem umas coisas que acontecem na vida da gente que, né, de se duvidar até mesmo quando foi vivenciado por nós.

- Moço... Pode ser aqui. Pode deixar a gente aqui. Pelo amor de Deus.
Começamos a nos desesperar outra vez. Só queríamos ser livres.
- Sério, moço. Pode parar. Aqui. está. bom. Não precisa se preocupar. (eu)

Foi quando pararam o carro, nos deram "boa noite" e ao saírem andando deixaram escapar um "juízo, ein?". Assim que nos vimos livres deles, nos sentamos na calçada e começamos a falar mal das leis. Afinal de contas, onde já se viu viver em um mundo onde prende-se as pessoas só porque elas resolveram SE drogar? Drogarem-se a si mesmas e ninguém mais? Eu ein. É a mesma coisa que um dia nos depararmos vivendo em uma sociedade onde ninguém pode comer açúcar porque faz mal e causa diabetes, dependência, etc. Uma sociedade onde escolher o que nos faz mal não nos será uma opção. Escolhem por nós, proíbem e inibem.

Como um ser racional, pensante e suscetível a falhas, eu quero que me deem o direito de escolha. O direito de errar, de me destruir e de me instruir. De me erguer ou de me destroçar. A vida é nossa. Não aguento mais que vivam nos castrando em nome da saúde ou da religião. Dos bons costumes ou das boas relações. Cansei de gente que gosta de usar suas próprias cavidades anais para o sexo ou que esconde segredos/desejos bizarros no escuro de suas intimidades e julga a escolha do outro. Que julga o desejo e a liberdade. Cansei de hipócritas. De gente que lê mil livros por mês ou não lê nada por anos, mas é incapaz de abrir os olhos para a intolerância e a ignorância que é castrar liberdade, prazeres e vidas. De gente babaca que se posiciona contra a possibilidade de livre escolha do próximo. Marginalizando pessoas que não são marginais, que não estão a margem da sociedade. Por anos a historia foi escrita por revolucionários, pessoas livres de toda essa merda que nos cerca. Esses certinhos sem sal, esses brutos e violentos sem massa cefálica não marcam nada, não mudam nada. Vivem, conseguem algo, chegam perto e morrem, vivendo o seu direito a eterna insignificância, resultado de uma eterna falta de visão, falta de vida, falta de experiencia, de aceitação a realidade. Meu grito não é a favor de nada. Meu grito é por liberdade, é por gays, héteros, jovens, humanos! É contra os estúpidos que manipulam, que reagem contra os seus. Não se encaixam em nada. Que viva a liberdade! Ou se não isso, que, pelo menos, não nos privem da pouca vida que nos resta desde o momento em que nascemos.

Até que tirando isso, não sei a opinião de vocês, mas eu fico muito orgulhoso de morar no Brasil. De ser brasileiro. Viver em um país onde existe o suborno. A verdade é que se eu morasse em qualquer outro lugar do mundo, nesse exato momento eu estaria fichado, sendo julgado e pagando penitencia. Pois é, Brasil. Eu te amo. Muito e de verdade.

Brasil, meu brasil brasileiro.
Meu mulato insoneiro:
vou cantar-te nuuus meeeus veeer-suuuuus.

Los Despretensiosos: about cagar

15.5.11
Sei que existem pessoas que detestam escatologia ou piadas escatológicas. Mas, graças a Deus, nem eu e muito menos minha amiga Carolina fazemos parte deste extenso grupo. Sou do tipo que ri com peido e Carol é o tipo de mulher que vê maior graça em arroto. Assim sendo, segue em anexo o nosso despretensioso papo durante um almoço, na cozinha aqui de casa:

- Carolina, você consegue cagar na rua?

- Claro que consigo. Já caguei várias vezes aqui na sua casa.

- Já? Menina, que bafão. Não sabia disso.

- É. Caguei várias vezes.

- Nossa, amiga, estou pleno no choque. Você é muito discreta na hora de cagar. Parabéns.

- Pablo... Menos.

- Não. É sério. Você é muito discreta. Nunca nem desconfiei que você já havia cagado aqui. Você nunca deixou rastros.

- Como assim rastros, Pablo?

- Ah, você sabe. Tem gente que dá descarga, mas sempre deixa aqueles rastros no vaso. Mas você não. Você é muito discreta quanto a esse lance de cagar. Arrasou.

- Claro, Pablo. Você queria o que? Que eu saísse gritando "gente, já volto, vou cagar!". Claro que não.

- É. Até porque é super chato deixar as pessoas na espera do seu cocô. E fora que na volta sempre fica aquela expectativa estranha de saber se a pessoa vai voltar com algum cheiro diferente, com a mão fedendo. Se lavou a mão... Enfim. É chato. Não dá pra anunciar um cocô.

- Pois é. E por falar em cagar, é verdade que vai surgir a ferramenta CAGUEI no Facebook?

- Como assim, amiga?

- Que vai ter uma ferramenta que você pode clicar no CAGUEI ao invés do CURTI.

- Acho que isso é boato de internet, Carolina...

- Não, cara. Tomara que seja verdade. Porque seria incrível termos essa oportunidade de clicarmos nesse caguei, sabe? Tem pessoas que postam cada coisa inútil no Facebook. Eu fico perplexa.

- Não. Que seria maravilhoso é inegável. Imagina? Seu ex-namorado começa um namoro novo e coloca no Facebook. Daí aparece na sua pagina "Fulano está em um relacionamento sério com Ciclana". Gente, mas que dádiva maravilhosa seria você poder ir lá e clicar em CAGUEI. Só para deixar o mal estar comento solto.

- Indo mais longe na imaginação, imagina se um monte de gente começa a clicar em caguei para esse namoro também? Porra, sem igual.

- Ou então, sei lá, te chamam para uma festa de alguém que você não gosta. Clicar em CAGUEI no evento seria de uma preciosidade, Carolina. Mas de UMA PRECIOSIDADE que nem sei. Você abriu meus olhos, estou dando muito valor para isso de cagar agora.


- É. E tem essas pessoas sem noção, sabe? As pessoas que postam coisas babacas. Claro que é legal postar que você saiu ou que você está bem. Mas tem umas pessoas que ficam postando "tomei sorvete hoje". Cara, CAGUEI se você tomou sorvete. Eu clicaria em caguei. Ou gente que posta foto do que está comendo. CAGUEI. CA-GUEI. Vai arrumar uma vida para viver. E tem também aquelas pessoas que ficam postando "estou na balada, dançando muito. está muito divertido". "Estou muito bêbado". Não. Se você está online e postando coisas na internet não está divertido. Caguei para o seu tédio na balada. Caguei.

- Fora que isso poderia se tornar numa revolução social. A sociedade moderna se dividiria entre a invenção da internet, a invenção do facebook e a invenção do caguei no facebook. Caguei no facebook poderia se tornar o fim da paz e das boas relações entre as pessoas. Tenta só visualizar a guerra que não seria uma pessoa com raiva de um outro alguém só porque esse alguém clicou em caguei para alguma coisa que essa pessoa postou? E essa pessoa no ódio saindo por aí CAGANDO PARA TUDO QUE ESSE ALGUÉM DISSER DEPOIS. Imagina um encontro desses seres, Carol? Seria tipo "- vem cá, por quê você está cagando para tudo que eu faço no facebook?" "- porque, porra bicho, você cagou pro meu sorvete!!". Seria demais!

- Com certeza. Aliás, te contei que ontem eu caguei no bar?

- Ontem enquanto você foi ao banheiro e eu comprava bebida você cagou no bar?

- Aham.

- Carolina, meu Deus, você é muito livre, menina. Muito evoluída. Você toma Activia?

- Eu não.

- Olha... Tá de parabéns. Quisera eu sair cagando fácil assim vida a fora.


- Hehe



FUI PRESO - Parte I

14.5.11
Daí que em um dia normal, como outro qualquer, eu estava andando na praia e fui levado pela policia. Sei que para muitos a sentença anterior poderia ser algo chocante. Mas, gente, eu sou negro: e não existe nada de novo ou de revolucionário em um negro haver sido preso. Desde os tempos em que nós eramos apenas macacos (e os brancos eram Adão e Eva) que parece haver uma força maior que quer nos levar à jaulas [consulte; tião, macaco]. Mas eu fui bravo e consegui escapar de mais essa. Sigam-me os bons:

Encontrei Adriana (fotografa) e Pedro (fotografo) e entramos em um táxi. O nosso destino era o lançamento de um livro, no Leblon.

- Depois do lançamento, o que iremos fazer? (Adriana)
- Pô, não sei. Queria sair. (eu)
- Pablo... Você curte puxar um? (Pedro)


Como não sou de guardar segredos sobre a minha vida, é sabido por todos o que acontece comigo quando eu "puxo um". E se você ainda não sabe, leia clicando aqui. Tendo isto bem claro, prossigamos:

- Ih, eu adooooro puxar um. É muito a minha. Eu fico ótimo quando puxo um, amiugos!
- Mais um para o nosso time, Adriana! ha-haaa


Os dois comemoraram o fato de eu gostar de maconha e combinamos de ir "puxar um" depois que deixássemos o evento. Eu particularmente estava bem animado com o lançamento do tal livro. Estava bem sabendo que encontraria por lá 1. Caio Castro 2. Arthur Aguiar 3. Sophia Abraão. E lá vai mais um segredo à ser exposto: os dois últimos são integrantes da novela Rebelde, da Rede Record. Novela que eu adoro. Pronto, falei.

Cheguei no evento. Estava cheio. Cheio: De gente velha. Bem, para não ficarmos deslocados entre as pessoas da terceira idade, Pedro, Adriana e eu resolvemos nos colocar em um cantinho. E começamos a beber bastante vinho, que era o único álcool disponível no ambiente.

Três horas depois...

Eu estava saindo do evento, muito do revoltado.

Fui encontrar: 1. Caio Castro 2. Arthur Aguiar 3. Sophia Abraão.
Encontrei: 1. Fabiana Karla 2. Solange Couto 3. Cida Moraes, ex-BBB.

Ou seja. Mas a noite tendia a melhorar. Afinal, ainda iriamos sentar na areia da praia de Ipanema e puxar aquele tal um. Antes de chegar na praia ainda paramos em uma praça publica para enrolar o baseado. Poderíamos ser presos, pensava comigo. Era só a policia passar e nos ver enrolando maconha em um papelzinho de ceda e facilmente seriamos presos. Facilmente. Mas não fomos. A policia não passou. Era só seguir rumo a praia. Adriana estava com seu cabelo totalmente negro e chanel voando por causa do vento da orla, sua bochecha estava bem rosada. A pele dela é branquinha e qualquer vento parecia deixa-la corada. Pedro nem parecia sofrer com o frio. Estava com duas camisas. Sentamos na areia da praia. Lá estávamos nós, três jovens sentados na areia da praia do Leblon às 23:40hrs, sozinhos.

- Gente, será que não corre o risco da policia pegar a gente?
Desabafei minha preocupação.
- Nah. Que nada, Pablito. E se a policia chegar, a gente sai correndo. (Adriana)
- Sabe o que é...? - hesitava - Eu não gosto muito de correr, galera. Sou meio sedentário, entende?

Fora que correr da policia poderia ser um pouco perigoso e acabar meio mal. E Pablo Rodríguez, definitivamente, não veio ao mundo para acabar mal. Eu acho.

Pedro riu do que eu disse e acendeu o baseado. Enquanto Pedro começava a fumar, Adriana ia me contando sobre sua vida. Seus cursos, como conheceu Pedro e como largou um namorado de anos para ficar com ele. Ela, moradora da Zona Sul, se apaixonou perdidamente por ele, morador da Zona Norte. Se auto-intitularam de "A dama e o vagabundo". Pedro, um baixinho de traços orientais, fortinho, é o tipo de cara que nenhuma mãe iria querer para suas "damas". Mulherengo e desligadão. Ela, extremamente delicada, sofisticada e preocupada.

- Ai, genteeee!!! Tô muito doido, viu. O mundo é muito mágico, né? Ouve só o barulhinho do mar. Ouve só. (eu, muito doido de maconha, levantando os braços e achando que poderia flutuar)
O clima pesou:
- Pablo, não se mexe mais. Não olha para trás.
Pedro apagou o baseado. Me preocupei:
- O que houve, gente?
- A policia está passando na rua, nos viram. (Pedro, nervoso)

S.O.S.!!! ME TIREM DAQUIIIIIIII!!!

Menino, me bateu um nervoso. Uma vontade de me jogar no mar e sumir da vista dos policiais. Adriana se virou para olhar a policia. Pedro chamou a atenção dela e disse para ela não olhar para trás também. Me sentia em um filme de terror.

- Pronto. Foram embora.
Pedro se aliviava.

Eu é que não queria mais ficar ali depois desse susto. Vai que a policia volta? Queria ir embora e queria ir embora o quanto antes.

- Gente, vai que a policia volta? Não é melhor irmos? (eu, com medo)
- É. Talvez seja melhor sairmos daqui. (Pedro, usando o bom senso)

Fomos caminhando pela orla da praia. Vou mentir não: eu estava tão doido que sabia nem para onde estávamos indo. Sei que eles estavam andando e eu estava andando atrás. O vento batia na minha bochecha, aí eu lembrava de Claudinho e Bochecha e quando eu dava por mim eu estava me imaginando de cover de Bochecha no palco do Planeta Xuxa. Que na verdade não era um planeta, era apenas um pedacinho de nuvens rosas, enfeitadas com cogumelos cor de abacaxi. Pois é: eu estava doido assim. Minha mente ia longe.

Adriana nos parou em certo ponto:
- Sabe o que podíamos fazer?
Perguntou.
- O que? (eu)
- Poderíamos terminar de fumar aquela ponta que sobrou aqui.

OI?

- Aqui? No meio do calçadão da praia?
- É. Aqui no calçadão.
Ela disse. Segurei em seu braço e sussurrei:
- Adriana, eu não sei se é uma boa idéia fumarmos aqui no meio do calçadão da praia do Leblon.
Pedro riu da minha constatação e concordou comigo.
- Também acho que não, Adriana.
- Gente, me escutem: relaxa. Deixa fluir. Vai ficar tudo bem. Ih, relaxa.
Meu coração apertou:
- Ai. Sei não, Adriana. Sei não, viu.

Sentamos em um dos banquinhos do calçadão da orla e ela acendeu a ponta do baseado que ainda nos restava. E de repente o mundo se resumia a nós três. Ali, nos divertindo muito e rindo de tudo.

- Gente, estou a-do-ra-n-do sair com vocês! Sério mesmo. Que energia deliciosa!! (eu)
- A gente tinha que bater uma foto para registrar o momento! A energia está muito boa mesmo. (Adriana)
- Verdade!
Concordou Pedro. E nós passávamos as mãos nos nossos próprios corpos, sentindo toda aquela energia maravilhosa. Que vergonha.

Então, decidimos mesmo bater a foto. Foi só virarmos para pegar a câmera... Que o desespero invadiu nossos peitos e se fez fogo. Não. Não podia ser real. Meus olhos estavam me enganando. Gente... era a policia. Era a policia descendo do carro da policia e vindo para cima de nós falando coisas da policia. Eu não havia os chamado. Se não estavam ali por haverem sido chamados, estavam ali para apenas uma coisa: me prender. Socorro.

- Adriana, é a policia! Joga esse baseado fooooraaaa!!!!!
Eu gritei, desesperado.

Adriana jogou o baseado fora. Mas não adiantou.

- O cheiro está vindo na rua, seus vagabundos!
Era o Policial 1, vindo para cima da gente.
- Fumando no calçadão. Vocês não tem vergonha?? Não adianta jogar fora, vocês foram pegos em flagrante!!! (Policial 2)

RING THE ALAAAARM!!! CHAMEEEM MEUS PAAAAIS!!! SOCOORROOOO!!!

Os policiais abriram minha carteira, me revistaram todo e começaram a procurar o baseado que Adriana havia jogado fora na areia. Eu não sabia se torcia para eles acharem ou se torcia para que eles não encontrassem. Porque FATO: Se achassem estávamos encrencados. FATO: Se não achassem, eles poderiam ficar com raiva e bater na gente.

- Moço, pelo amor de Deus, não temos mais nada. Aquele baseado era tudo que tínhamos e só acendemos para acabar com ele e não levar nada para casa!
Adriana, se defendendo. Desesperada.
- É, moço. Pode me revistar a vontade, não temos nada.
- Cala a boca! Nós já tínhamos visto vocês na areia. Deixamos passar. Mas no calçadão? Muita cara de pau!!!!

Enquanto eles nos xingavam de coisas absurdas e se faziam brutamontes, eles nos revistavam outra vez. Só não podiam encostar em Adriana. Mas na bolsa, carteira, etc, eles podiam e o fizeram. Na minha vida existe uma máxima: quando uma coisa está ruim, é só contar até três que ela piora: quando foram revistar Pedro, gente, o que era aquilo? Ai. Meu. Deus. Muita maconha na bolsa dele. Muita maconha.

MUITA MACONHAAAAA!!!

LUZES. SIRENES.
00:30 hrs pm. Pablo Rodríguez foi preso. Encontrava-se dentro do camburão da policia.
Artigo 290. Posse ilegal de drogas.

continua...