On the radio

12.3.11
Nego sempre me perguntou o motivo de eu gostar tanto de fofoca. Simples: a fofoca é o ópio dos oprimidos. Ou seja: eu. Oprimidão. Vai. Essa resposta até que teria sido genial se houvesse partido originalmente de mim. Mas foi dito pela escritora (e professora) americana Erica Jong, em 1942. Agora veja só o que o pessoal estava APRENDENDO em 1942. Mais para lá de criticas ao que as pessoas aprendiam na escola durante a segunda guerra mundial (!), o que ela disse meio que deixa explicito o fato de que muito antes de 42, a galera já ouvia os babados e saía por aí abrindo uma enorme boca para falar sobre a vida dos outros. E eu, muito chegado numa atitude elegante, que não ficaria de fora de um comportamento tão... clássico e vintage.

No colégio, certa vez, eu fiquei sabendo que uma menina tinha pago boquete para o menino mais desejado da escola. Atrás da cantina, entre uns muros que levavam até a área da piscina (meu colégio tinha piscina e até hoje eu nunca entendi bem o motivo dela estar lá, já que ninguém nunca mergulhou. Bem. Alguém devia mergulhar. O caso é: eu nunca mergulhei). Assim que Ângela me confidenciou o que havia feito... Minha gente, num me aguentei e saí batido pelo pátio para não atrasar a noticia aos ouvidos de Juliana. Juliana contou para Piero, que contou para Alexandre, que contou para Rudá, que veio confirmar comigo (e eu confirmei, claro) e aproveitei para ajudar a contar para Marion, que contou para Renata, que contou para Danilo que contou para a escola toda, já que ele também era meio viado. Ou elegante e vintage. Nunca saberemos.

Te falar que sentei com os braços atrás da cabeça no pátio, coloquei os pés em cima de um banquinho e fiquei só na moita, assistindo todo mundo chamar Ângela de piranha. Mas que sensação gostosa. Sabe. Eu é que tinha feito aquilo tudo. E por aquilo tudo quero dizer: Ângela chorando e gritando que foi só um boquete, sendo surpreendida pela inspetora e sendo arrastada pelos braços até a diretoria. Gente, mas que sucesso, viu. Nem nos meus sonhos mais absurdos eu poderia, naquela época, ter imaginado umas frases minhas repercutindo tanto. Até que o inesperado me agarrou pelas calças e me deixou de cuecas em publico: Ângela, aquela safada sem escrúpulos, negou tudo. Numa investigação aberta pela diretora do colégio, todos que diziam saber que a historia era verídica, apontavam para mim como a fonte confiável que os levou a crer na veracidade do fato que, segundo Ângela, não havia ocorrido. Fui levado a diretoria, ganhei uma suspensão, Ângela e o menino estavam ameaçando me bater e sempre que eu me aproximava das rodas de conversa, o pessoal fazia "sh, fala mais nada. Pablo chegou". Depois de um mês comendo coxinha de galinha sozinho no cantinho do pátio, eu jurei nunca mais fazer fofoca na minha vida. E ainda convenci o menino que aquilo fez bem para a imagem dele, já que todos estavam querendo chupa-lo também. Inclusive eu.

Mudei de escola e não demorou cinco meses para surgir o burburinho de um blog que estava contando os segredos de todo mundo: o meu blog. Em 2001 eu já fazia barulho com blog de fofoca e a negada nem sonhava com Gossip Girl. Em seguida, alguém criou um blog igual e espalhou por lá o fato do diretor estar comendo a professora de espanhol. Durante a tarde, enquanto lia o blog rival, achava maior graça da nova tendência que havia criado. Mais uma vez: ponto para mim. Dia seguinte, cheguei na escola e o clima era de funeral da Lady Di, todo mundo meio abatido sem saber se me dar adeus era algo bom ou não. Fui levado a diretoria e acusado de ser dono de ambos os blogs e, antes de levar uma nova suspensão (afinal, que injustiça! não era meu. eu jamais colocaria gifs animados nos meus posts. francamente), jurei nunca mais fazer fofoca na minha vida. Nunca mais. Só que, né gente, eu não consegui. É por isso que vou estar hoje no programa Papo de Quinta, contando para vocês umas coisas NAQUELE meu estilinho bem que jura nunca. mais. fazer. fofoca. na. vida.

Hoje, às 22:00hrs, clique no logotipo para escutar ao vivo.

Olha, acho bem que errei a fonte de algumas noticias, o nome de alguns jornalistas e sites e meio que estava achando que havia me enganado ao falar sobre Evaristo e, bem, me enganei nada não. Mas olha, vocês vão nem notar, porque eu conto umas mentiras com uma PROPRIEDADE no assunto que é de deixar qualquer um admirado.

- Mas Pablo, você tem certeza que Napoleão dominou o Egito?
- Menino, claro que tenho. Tudo aconteceu durante a cruzada no Canal da Mancha.
- Nossa.
- Pois é. Esses fatos históricos me fascinam. Sei tudo.

E pronto, ninguém questiona mais nada. Afinal, quem vai discutir com alguém que cita até A CRUZADA NO CANAL DA MANCHA? Que, vale lembrar, nunca existiu? Que na falta de conhecimento, nunca nos falte a cara de pau.

E corram para escutar a rádio, porque dessa vez foi a ultima vez que fiz fofoca.
É sério.