It's navidad, tralalalá

24.12.10

Eu queria fazer um post de Natal bem engraçado. Mas, vamos lá, eu não sou das pessoas menos sentimentais deste mundo. Sempre que eu ouço uma musiquinha de Natal, me dá uma vontade de chorar, menino, que só vendo. Eu não pedi nada para Papai Noel esse ano. Na-da. Lembro que quando pequeno tudo que costumava pedir, eu ganhava. Sem exceção. Depois a vida me foi um pouco cruel, dando algo que nunca havia pedido e, se me dessem a chance de voltar no tempo, jamais pediria. Quer saber? Não reclamarei. Graças a tudo o que passei e a todos que passaram por mim, hoje eu sou este daqui.

Eu sei que para muitos esse Natal não será tão feliz. Sei que para algumas pessoas, quando o relógio chegar à meia-noite, o dia seguirá sendo triste. Não haverá brinquedos, Papai Noel, abraços de alegria. Foi um ano pesado, não só para mim, mas para você, para ele, para ela... Para tanta gente. É cruel pensar que enquanto muitos sorriem e dividem pernis Sadia, Chester Perdigão ou abrem juntos lindas embalagens de presentes – Outros choram, sentem dor, conseguem tatear as brasas de alguma ausência. Um amigo que não estará; uma pessoa amada que se foi; uma situação triste que insiste em nos afligir; as oportunidades que alvitrem não chegar; E ah, como esquecer-se da felicidade? Logo ela, que parece tardar tanto em vir. Ou que, de repente, desapareceu.

Não. Ela não desapareceu. Nem a força, nem a energia, a vitalidade ou a garra que existe em você. Às vezes, as coisas que mais doem chegam com o propósito de fazer-nos sentir que ainda há vida brotando por dentro - Sangue correndo nas veias, relógio girando com pressa, vontade de vencer. Não chegamos até onde chegamos sem uma bagagem. Agora que tudo parece nos doer, é o momento de usarmos o que vínhamos carregando. O que aprendemos, o que vimos, os truques ensinados, as dores já vividas. Livrar-nos de tanto peso, usando o tanto que vínhamos trazendo. Use qualquer dor para se libertar. Grite, chore, sinta raiva, esteja triste, inseguro. Mas apenas esteja, não o seja.

É tempo de expelir qualquer dor, qualquer tristeza. E se vocês contam comigo para que possam sorrir ou já contaram e não contam mais; se apenas me lêem por curiosidade ou me acompanham ao longe – por nossas vidas serem diferentes, por estarmos separados por alguma distancia: eu te desejo um Feliz Natal. Feliz de verdade. Afinal, eu tenho muito que agradecer a vocês. Por serem ouvidos todas as vezes que me sinto só, por acreditarem na pessoa que eu sou – terem sido mãos quando precisei de carinho. Eu devo muito a todos vocês que perdem minutos, horas, dias lendo o que escrevo. Muito obrigado, de verdade.

Então, aproveitando que não havia pedido nada a Papai Noel – e que ele geralmente não costuma falhar comigo, aqui vai o meu pedido de ultima hora: desejo que neste Natal todos aqueles que só enxergam motivos para chorar, parem por alguns minutos e se dediquem a sorrir. Sorrir por nada. Sorrir por pouco. Sorrir para alguém. Sorrir sozinho. Desejo que sorriam, não por aqueles que te cercam, mas por você. E assim verá: mesmo quando alguma historia chega ao fim, ainda há muito por vir.

- Pablo Rodríguez

A grande balada de quinta, numa sexta a noite

8.12.10
Me chamaram para uma festa de musica pop que acontece num lugar chamado Cabaret Kalesa. Meio desconfiado eu fiquei de que o local fosse ser caído, mas como eu sou de Niterói, posso falar nada não. Joguei os cabelos para cima e fui. O segurança me revistou na entrada, achei ele barango e segui meu caminho. Não posso beber muito, tenho que finalizar um trabalho, pensava comigo, atravessando a porta de entrada.

Encontrei uns amigos e depois de saludar a todos, comecei a lancear o ambiente com os olhos 1. querendo saber onde era o bar 2. notando que o local era meio caído mesmo. Na festa, só tínhamos eu, meus amigos e mais umas 120 cabeças = caído. O que também não vou reclamar, já que tenho fugido de locais super lotados. Quer dizer. Adoro uma festa muito chique, lotada de pessoas vips. Mas tô fugindo de local cheio de baixa renda fazendo carão. Tal como também estou cansado de baixa renda me julgar nessa vida, enquanto taí se vendendo por copo de cerveja e oportunidades rasas.

- Vai beber o quê? (a moça que trabalhava no caixa)
- Então... sabe que eu não sei? Vou querer 3 cervejas, uma gin-tônica e um shot de flamejante.

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Gin-Tônica:

Ingredientes:
- 1 água tônica
- 1 dose de gin

Modo de Preparo:
Coloque o gin num copo com bastante gelo, complete com água tônica e rodela de limão. Beba meio copo e se sentirá meio bêbado, de primeira.

-

Flamejante:

Ingredientes:
- 50 ml tequila
- 25 ml countreau
- 10 ml curacau red

Modo de Preparo:
Em um copo, coloque a tequila e em seguida countreau, completando com licor de sua preferência. Acenda com isqueiro, beba com canudo para ficar tonto mais rápido.

Duas Gin-tônicas e três flamejantes depois e quem eu estou, onde eu sou. Nada mais sabia, ninguém poderia me deter. Fui andar pela boate, atrás de um homem que pudesse fazer da minha noite uma coisa mais feliz. Estava procurando um homem, dei de cara com uma cigana. Uma amiga do Leonardo Torres, que sabe ler mão, surgiu na minha frente. Ela andou lendo minha mão certa vez e acertou tudo, eu juro. Das previsões que ela acertou, constam na lista 1. Amigo muito próximo se mostrando alguém sem personalidade e caráter 2. uma grande oportunidade profissional 3. uma nova forma de ver e levar a vida. Assim sendo, saí correndo para cima dela com a mão já estendida. Estava benbêbado, mas não seria justamente isso a me impedir de buscar saber mais sobre o meu futuro. Fora que ela sempre é muito fofa, muito legal. Jamais negaria ler minha mão. Afinal de contas, não se pode sair por aí negando um dom desses para as pessoas. Imagina.

Dez minutos depois de levar um passa-fora dela, eu estava meio perdido na balada. Meio que sem entender o que eu iria fazer quando caísse desacordado. Porque mais uma gota de álcool e esse seria meu destino. Mas é aquilo que dizem; quando a gente está muito mal, basta abrir os olhos para a vida e ao seu lado haverá um amiguinho pior que você. Não sei se poderia encaixar esse ensinamento para ocorridos em boates, mas casou perfeito. Um dos meus amigos caiu de bêbado. Fomos leva-lo para fora da boate.

Preparem-se, vem aí o ponto alto da noite: meu amigo começou a vomitar muito. Eu até tentei ajudar, mas quando vi que o vomito poderia pegar no meu sapato, saí correndo com a desculpa de procurar alguma coisa para ele comer. Voltei e o segurança da casa estava com ele, perguntando se tudo estava ok. Claro que está tudo ok. Quando planejamos a noite, pensamos exatamente que se não bebêssemos demais e vomitássemos na calçada, nossa noite não estaria completa. Focar no melhor da vida é isso.

Vendo que meu amigo parecia melhorar, o segurança me perguntou se eu era gay. Gente, alguém aí conhece alguma pessoa que seja afeminada por puro sadismo? Pois é. Mas é claro que ele já sabia a resposta. Eu estava tão bêbado que nem lembro se respondi mesmo ou só pensei ter respondido. Sei que segundos depois o assunto era esse.

- O meu rabo? (eu)
- Aham. Bem gostoso num motel aqui perto. Depois do meu expediente. (ele)
- Ok. (eu)
- Mas sigilo, viu. Eu sou casado. ;)

A situação era a seguinte: eu estava marcando de dar o rabicó para o segurança barango que me revistou no inicio da festa, num motel que fica nas redondezas do tal Cabaret Kalesa, no centro sujo e abandonado do Rio de Janeiro. Mas a máxima da minha vida é: quando você acha que eu perdi o nível, fica mais um pouco que a coisa piora. Foi então que lancei as duas frases que entrarão para a historia da minha vida, se tornando TOP 1 da minha listinha das CINCO PIORES FRASES UM DIA JÁ DITAS EM VOZ ALTA, QUE EU PODERIA MUITO BEM TER GUARDADO SÓ PARA MIM.

- Sou discreto, relaxa. (eu)
- Que bom. Vou te deixar assado. (ele)
- Quero ver seu pinto agora.

Pablo, por favor, não é o momento. Não fale mais nada agora, escolha calar-se para sempre...

- No meio da rua? Estou na minha área de trabalho. Tem câmeras aqui.

REALIDADE: O segurança barango e casado parecia ter mais nível que eu.

- QUERO VER SEU PINTO AGORA. (Comecei a gritar...)
- Não posso. (ele começou a ficar tímido... Aliás, cheguei a comentar que ele não tinha os dentes da frente?)
- EU QUERO SENTIR SEU PINTOOOOOOO

Dada a circunstância, meu amigo começou a falar que TALVEZ fosse melhor irmos embora. O segurança, com um sorriso sem graça no rosto (gente, aquela falta de dentes estava incrívelmente sexy depois de tanta bebida. Definitivamente temos que rever bem isso daí do álcool ser legalizado) pediu para que eu anotasse seu telefone. Segue o numero que eu anotei:

0219763425262
Tá fácil. É só ligar.

Entramos num táxi e viemos rumando para a minha casa. Claro que eu sou do pior tipo de amizade e paguei sozinho o táxi de 120 reais, só porque meu amigo não tinha condições de voltar a pé. No nosso trajeto até aqui, mandei mensagem para nego dizendo que ainda amo e não o esqueço, liguei para outro só pra dar um oizinho às cinco da manhã e vim batendo um papo sobre sexo a três com o motorista do táxi. Tô mesmo precisando policiar as minhas atitudes, viu. Pela primeira vez na vida, sinto medo do futuro.

Mas hoje é sexta-feira e eu estou na área outra vez.