Querida Mary-J, I love U

24.11.10
Menino, e eu que faz um tempo resolvi fumar maconha? Todo mundo sabe que sempre fui de levantar bandeira contra, mas graças a um amor maluco que desenvolvi por um roqueiro doidão de peitos peludos, resolvi tentar essa droga aí. Minha primeira onda foi um caos: Dei uma puxada naquele cigarrinho de artista. E nada. Então, depois de matutar sobre, decidi que isso de fumar pouco não ia me dar onda, não. Tudo mato. Me bateu a idéia fixa de que a coisa só ficaria boa se eu fumasse bastante. Mas muito. Fumei dois baseados sozinho. O resultado = 1) Eu no ponto de ônibus, achando que era um tomate. Talvez verde, talvez frito. Talvez Frida Kahlo. 2) Eu olhando para o poste, murmurando por aí que estava viajando para o reino das luzes e conversando com o príncipe lâmpada. 3) Eu achando que a minha alma estava querendo correr do meu corpo e me abraçando todinho na calçada. Quer dizer. Que bom, não é mesmo? Você fuma uma coisa querendo se divertir e quando dá por si, tá achando que é um tomate e que sua alma tá pra fugir a qualquer momento.

Cheguei em casa e deitei na cama. Pronto, show dos horrores: cismei que não conseguia respirar.

- Calma, Pablo, isso tudo é onda ruim. Vai passar. É obvio que você respira, meu gato, senão você não estaria nem pensando nisso - Dizia para mim.

E depois de meia hora achando que ia morrer (o que, obviamente, não havia sido um dos motivos pelos quais resolvi fumar maconha) e não podendo levantar da cama com medo da minha alma sair voando (o que, obviamente, não estava nos meus planos para aquela sexta-feira a noite), eu caí num sono profundo. Acordei minutos depois, muito confuso, indo direto para o computador espalhar, para quem estivesse online, sobre minha primeira experiência de quase morte. Dia seguinte prometi para mim mesmo que nunca mais iria passar por aquelas sensações esquisitas na vida outra vez. Até que...

... me ofereceram maconha de novo.

Ai, gente, sabe como é, né: Bem aceitei. E na boa, PARA QUÊ? P-a-r-a q-u-ê. Cinco minutos depois da droga começar a fazer efeito, me bateu uma puta neurose. Vamos combinar que eu sóbrio já sou neurótico que chegue. Drogado, comecei a imaginar que aquela droga tinha sido comprada em um certo morro da cidade e que estávamos fumando na área de um outro morro rival. E pois é, era um risco.

Comecei a ficar gelado, pensando que talvez pudéssemos estar sendo perseguidos pelo dono da boca de fumo. O trafico iria nos localizar e mandar nos matar. Afinal de contas, é inconcebível usar as drogas de uma facção criminosa na área protegida por uma outra facção rival. Olha... queria saber de mais nada, me meti atrás de um arbusto da calçada e não havia ninguém que conseguisse me tirar de lá. Comecei a arquitetar um plano de fuga, mas antes tínhamos que nos esconder. Mandei todos os meus amigos virem pra trás da moita também. Sem muitas opções que não escutar meus desesperados gritos de horror, todos obedeciam. O retrato da juventude perdida: cinco jovens adultos atrás de uma moitinha.

E enquanto chorava, eu andava engatinhando entre as arvores do local. A situação chegou no máximo do que é o insustentável quando comecei a gritar com um cachorro de rua. MOTIVO: duvidas se o cão era ou não um espião do comando vermelho. Todo barulho de cano de moto que eu escutava, não tinha outra: só podia ser tiro. Mandava todo mundo ficar abaixado. Foram as três horas de maior terror da minha vida. Superando até mesmo o dia em que vi darem banho em vovó quando ela estava doente ou o dia em que prima Mari mijou no chão depois da balada e foi dormir sem tomar banho. Cortei a onda de geral. Nego ficou em tal estado de bolado, que até disse que nunca mais fuma maconha comigo, não. E por nada não, mas até hoje eu me pergunto como é que as pessoas conseguem fumar uma maconha PARA RELAXAR. Porque seja lá o que elas façam, eu fiz errado.

Pablo Rodríguez - Relaxando entre as moitas, ouvindo tiro em cano de moto.