Seguimos nosso caminho e logo comecei a fazer perguntas básicas para os caras, como por exemplo: QUAL O SEU NOME, DE ONDE VOCÊ É e GOSTA DE COMER VIADO? Mas assim, tudo muito despretensioso. Falaram que isso de viado era a deles, não. Mas que podíamos ser amigos. Sei. Perguntei a Arthur - que seguia nos acompanhando - se conhecia os caras e ele respondeu-me que nunca havia visto antes na historia de sua vida.
Té que uma coisa começou a me incomodar bastante em Bryan (o de olhos azuis) e em Renan (o moreno): Durante o caminho, eles ficavam gritando e fazendo sinais para os carros que passavam na rua. No inicio, achei que eles eram muito populares e tinham muitos amigos na cidade, mas ó:
- De onde é que eles são mesmo, ein Vanessa? (Vanessa que não se chama Vanessa, mas que também não é a Mari, ein gente. Nos liguemos na situação.)
- Eles são de Vila Velha, cidade vizinha.
- Então, qual é a probabilidade deles conhecerem toda essa gente que tá passando de carro, Vanessa?
Babado. Eu e Mari (Codinome: Vanessa) começamos a suspeitar que eles talvez fossem garotos de programa e por isso tivessem sido tão cordiais. Na nossa cabeça, seguintes duvidas começaram a rolar:
CABEÇA DO PABLO:
1) AI MEU DEUS. Será que eles tão achando que os estamos contratando? 2) Se estiverem, tenho que pensar em alguma coisa para desfazer esse mal entendido. 3) Quanto será que Mari ainda tem na carteira? Tô meio zerado. 4) Não que eu esteja pensando em contrata-los. 5) Não estou, não. heheCABEÇA DA MARI:
1) Esse negocio de andar num é comigo. Acho que vou precisar de um super milkshake de banana caramelada para repor as energias, ein. 2) Nas piores situações da vida, sua calcinha ainda fica apertando sua virilha. Da-me paciencia, senhor. 3) Beeeemm que se quiiiis, depois de tuuuuudo ainda seeeeer fe-li-iii-z-zzzz
Não encontramos bebida para comprar. Mas encontramos uma outra pracinha, que ficava de frente para a praia também. Sentamos para conversar e não deu dez minutos surgiu um misterioso homem, vestido de guarda municipal, numa bicicleta vestida de velha e enferrujada. O homem saudou os três meninos como velhos amigos e nos deu boa noite. Parou a bicicleta de frente para nós.
- Alguém tem um isqueiro? (perguntou o homem, tirando do bolso um baseado)
Pensei: Agora a noite começa e eu não quero saber de mais nada que não seja viver e não ter a vergonha de ser feliz. Mariana emprestou o isqueiro, na condição de poder dar uma fumada naquele cigarrinho de artista. Daí, como Mari fuma que nem um dragão, foi-se metade do baseado - que veio para minha mão e para a mão de Bryan, para a mão de Renan e para a mão de Arthur e, de repente, quando voltou para as mãos do dono, não tinha mais nada. Climão.
- Vou voltar para lá, meninos. Levem esses dois para lá também. Tem mais baseado. Eles vão curtir, Arthur. (Homem, antes de sair pedalando)
Nossa, que bacana esse cara. Ele bem conhece o... GENTE, ELE CONHECE O ARTHUR? O mesmo Arthur que disse não conhecer ninguém que estava ali? De onde eles todos se conhecem, meu Deus? Mari precisava entender o que estava acontecendo. Por isso a chamei num cantinho.
- Mari, temos que sair daqui.
- Não sei porque.
- Mari, estamos sendo vitimas de um plano de assassinato.
- Oi?
- Eles todos se conhecem. Arthur, do cachorro quente, conhece os turistas, marca com eles numa praça vazia, os leva para andar pela cidade - já tendo combinado com os dois assassinos e garotos de programa -, dizem não se conhecer; até que chega um homem para drogar as vitimas. Os levam para um local escuro e desconhecido: roubam, matam e desovam. Fim da historia.
- Nada a ver.
- Mariana, isso não te lembra o que estamos vivendo agora?
- Não.
Voltamos para os nossos lugares. Estava com o celular na mão, pronto para discar 190, quando Arthur veio até nós, com maior clima de segredo. Nos contou que havia conversado com os caras e que estava tudo certo: tínhamos de ir para um local mais escuro e deixar rolar. Eles não iriam ter problema de deixar acontecer, mesmo se Mari não participasse.
RING THE ALAAAARM!!!! QUEREM NOS MATAR!!!
(eu, cochichando) - Mari, eu n-ã-o acho que seja uma boa idéia ir para um local mais escuro.
Silencio.
- Mari?
E era uma vez Mari já muito longe, a caminho de um local mais escuro.
Chegamos nesse ponto escuro e Mari já estava com a mão no pacotão de um deles, enquanto Arthur tinha a mão no pacotão do outro. Olhei para cima e lá estava, uma câmera nos filmando. Me incomodou, afinal, não queria nada sendo registrado. Se eu fosse ficar sem um pacotão para colocar a mão também, que isso não pare na internet. Odeio estar de fora das brincadeiras e todo mundo saber qual foi o meu papel no jogo.
- Gente, estamos sendo filmados. (Eu, reclamando)
- E daí? O guarda municipal é nosso brother. (Bryan)
Como se isso mudasse alguma coisa.
Não queria estar ali fazendo cenas intimas para o guardinha da cidade ver.
Não queria estar ali fazendo cenas intimas para o guardinha da cidade ver.
- Pois é, Vinicius. (Renan para Bryan)
GENTE, PELO AMOR DE DEUS. VOU FICAR MALUCO COM TANTO MISTÉRIO, TRAMAS E INTRIGAS. Como assim o Bryan se chama Vinicius? Isso para mim é nome de guerra.
NA MINHA CABEÇA:
1) Bryan é Vinicius? Como assim, gente? 2) Mas porque uma mudança tão radical de nome? 3) Deve ser muito difícil criar um nome de guerra simples e em português em épocas que tá todo mundo virando puta, né.
NA CABEÇA DA MARI:
1) Tá friozinho hoje, ein. Será que chove? 2) Ai, será que essa calcinha não vai me deixar em paz?
Saímos do local onde estava a câmera, descemos para a areia da praia e nos colocamos embaixo de uma ponte de madeira. Assim que chegamos, uma imensa onda de agua bem gelada nos atingiu, nos enchendo de areia e algas marinhas. Os meninos disseram que fizesse sol ou chuva o pinto deles não descia. Te contar que depois de ouvir essa, eu fui o primeiro a ajoelhar para o que chamarei de ENFIM. Daí eu e Mari estávamos lá ENFINZANDO muito para os caras, quando o Arthur cismou que estava sendo deixado de fora da brincadeira e meteu o pé. Ficamos só eu e Mari.
- Mari, sua gordinha safada, você gosta de levar uns tapas? (Bryan)
- Eu não. (Mari)
Minutos depois...
SPLEFT!!!
Mari levou um tapa que poderia ser ouvido em lugares inimaginaveis. Deu um grito e começou a levantar, enquanto limpava os joelhos.
- A brincadeira acabou AQUI para mim. A-ca-bo-u. Que falta de respeito é essa?
Tinha sido o moreno que eu estava ENFINZANDO que deu o tapa em Mariana e ela, indignada, disse que estaria indo embora, não importava o que dissessem. Para Mari, pagar um ENFIM na praia em desconhecidos, beleza. Levar tapa, já era muito pesado. Se afastou e me olhou, como que esperando que eu fosse embora também.
TÁ BOM.
Mari indo embora, os dois estavam na minha mão. Quer dizer, não quero chocar o brasil de norte a sul, mas era um na mão e outro no- Amiga, pode ir lá, eu te ligo!!! (Pablo Rodríguez - sem fronteiras)
ENFIM. Como eu estava falando...
Terminado o trabalho, o moreno já havia finalizado, enquanto o Bryan pegava no meu topete e direcionava o pokemon para espirrar no meu olho.
(eu, implorava) - Por favor, no olho não! Na boca!!!
- Tá apontando pra boca!!
(eu, gritava) - Isso não é boca, é olho!!! É olhoo!!! É...
EM VÃO. Saí da praia que nem um senhor de meia idade, cabelo todo branco. Visão completamente embaçada.
- Primo, que isso no seu cabelo? (Mari, chocada)
- Mariana, foi na boca. É logicamente impossível que tenha algo no meu cabelo.
- Primo... É logicamente possível, viu.
Assim que Mariana teve a idéia de eu colocar a minha scarf na cabeça e enrolar no rosto, como se fosse uma Indiana. E lá estava eu, andando pela cidade que começava a despertar, todo que nem uma Indiana.
(eu, implorava) - Por favor, no olho não! Na boca!!!
- Tá apontando pra boca!!
(eu, gritava) - Isso não é boca, é olho!!! É olhoo!!! É...
EM VÃO. Saí da praia que nem um senhor de meia idade, cabelo todo branco. Visão completamente embaçada.
- Primo, que isso no seu cabelo? (Mari, chocada)
- Mariana, foi na boca. É logicamente impossível que tenha algo no meu cabelo.
- Primo... É logicamente possível, viu.
Assim que Mariana teve a idéia de eu colocar a minha scarf na cabeça e enrolar no rosto, como se fosse uma Indiana. E lá estava eu, andando pela cidade que começava a despertar, todo que nem uma Indiana.
TOOK TOOK, ARE BABA