Quem nunca sonhou com um frentista todo sarado, sujo de graxa, loucão na sua no meio de um posto de gasolina perdido no meio do nada? Aconteceu comigo e ó, que merda.
Estou no meio de uma viagem surpresa. Meu pai disse que me daria passagens de presente e não contaria para onde. Os presenteados: eu e prima Mari. Começou o bafafa entre a família de que talvez estivéssemos sendo enviados para Florianópolis, o que, obviamente, me agradou bastante, sabe. E apesar de odiar surpresas, até que eu me distraí com o mistério instalado em minha vida ao longo da semana. Não poderia ser tão ruim assim. Separei a minha sunga de estampa florida, minha toalhinha surrada do ursinho Poof e era só cair nas areias quentes das praias mais azuis que existissem por lá. Cheguei ao aeroporto cheio da expectativa e, menino, num é que me enviaram para o ESPIRITO SANTO? Entrei no avião num estado de nervos que só Freud pra me entender. Tava aí o motivo deu odiar surpresas. Fiquei nem cinqüenta minutos dentro do avião, deu tempo nem de terminar meu pão. Assim que pisei em vitoria e soube que meu destino era Guarapari, comecei a ficar mais calmo. Praia. No caminho, dentro do carro alugado, paramos num posto de gasolina todo surrado pelo tempo. Daí eu estava dentro do carro reclamando, quando...
- Mariana, desce do carro agora que eu vi um frentista lindo e o frentista lindo também me viu! Ou seja, nós nos vimos.
Estou no meio de uma viagem surpresa. Meu pai disse que me daria passagens de presente e não contaria para onde. Os presenteados: eu e prima Mari. Começou o bafafa entre a família de que talvez estivéssemos sendo enviados para Florianópolis, o que, obviamente, me agradou bastante, sabe. E apesar de odiar surpresas, até que eu me distraí com o mistério instalado em minha vida ao longo da semana. Não poderia ser tão ruim assim. Separei a minha sunga de estampa florida, minha toalhinha surrada do ursinho Poof e era só cair nas areias quentes das praias mais azuis que existissem por lá. Cheguei ao aeroporto cheio da expectativa e, menino, num é que me enviaram para o ESPIRITO SANTO? Entrei no avião num estado de nervos que só Freud pra me entender. Tava aí o motivo deu odiar surpresas. Fiquei nem cinqüenta minutos dentro do avião, deu tempo nem de terminar meu pão. Assim que pisei em vitoria e soube que meu destino era Guarapari, comecei a ficar mais calmo. Praia. No caminho, dentro do carro alugado, paramos num posto de gasolina todo surrado pelo tempo. Daí eu estava dentro do carro reclamando, quando...
- Mariana, desce do carro agora que eu vi um frentista lindo e o frentista lindo também me viu! Ou seja, nós nos vimos.
- Não vou descer, to cansada. (Mariana)
- Mariana, pelo amor de Cristo. Desce que eu preciso esticar as pernas. Ai, que câimbra. (Eu, apelando)
- Sei não.
- Mari, eu te dou vinte reais.
Consegui descer do carro. Passei por ele, joguei um olhar safado e fui correndo pro banheiro. E nada do homem vir atrás de mim. Acordei para vida e vi que, quer saber, nada a ver eu ficar correndo atrás de homem em banheirão publico. Ainda mais com meu pai no carro. Fiz um xixi e resolvi sair. Mas aquele homem seguia me atormentando, gente. Ele era muito quente. Coisa certa: sempre que eu falo que um homem é muito gato, ele é loiro. É raro eu falar de morenos. É que eu acredito demais no poder das misturas. Café mais leite, chocolate mais avelã, Pablo mais loiros suculentos. Coisa certa. Este, por exemplo, era loiro de olhos bem verdes cinzentos, cabelos jogados e oleosos, todo fortinho. Sentei na mesa da lojinha de conveniência com meus pais e resolvi que não era boa idéia comer por ali, já que o local era tão sujo que eu tava apostando que nem rato teria coragem de comer queijo lá.
- Mari, o banheiro feminino é bizarro?
- Não.
- Mari, o banheiro masculino é muito louco. O vaso sanitário é um buraco no chão, sabe. E o teto é aberto. Tem que ver.
Resolvi levá-la para ver o que eu não acreditei quando vi. Quando chegamos na porta do banheiro, adivinha só quem é que estava por lá? O frentista sexy.
- Mulher não pode entrar aí. (Ele, rude)
- Ela não vai entrar. Relaxa. (Eu, impaciente)
- Ok. (Ele)
Passou por mim, me encarou fundo nos olhos e foi para dentro do banheiro.
(mari) - Pablo, vai atrás!
Olha, se a Mari entendeu a situação, a coisa é certeira. Ele ta me desejando igual eu o estou desejando. Acho que vamos adotar um casal. Mas não sei ainda se os dois vão ser pardos.
(eu) - Não sei se devo.
- Você me pagou trinta reais para isso, agora que tem, vai buscar!
É que ela não quis descer por vinte reais, aumentei a proposta para trinta. Eu sou assim quando fico desesperado.
- Tá. Ok. Vou fingir que vou tirar fotos do local.
Entrei. Assim que pisei lá dentro, ele abriu a porta da cabine dele. Minha barriga gelou. Ele, segurando o Pokémon, me olhando e eu não sabendo o que fazer. Começou a sacudir (o vocês sabem bem o que!!). AI MEU DEUS, e agora? Entrei correndo na cabine ao lado, só para ter cinco segundos de paz e conseguir pensar. Revendo o meu histórico amoroso, as chances de fazer algo com aquele frentista e não me apaixonar eram quase zero. E ó, muito difícil seria passar a vida apaixonado por um frentista enrustido que vive num bairro fantasma na estrada que fica entre Vitória e Guarapari. Pensem o que quiserem pensar sobre amor a distancia, mas a verdade é essa: muito difícil. Nada o que fazer dentro da cabine, já tinha feito o meu xixi. Saí. Ele seguia me encarando e me esperando. Cheguei até a porta da cabine dele, olhei para aquele Pokémon todo que ele tava segurando e...
- Posso tirar uma foto? (AI, MEU DEUS. TÔ ACHANDO QUE FALEI MERDA.)
- Que?
- Do vaso sanitário no chão. (Eu, definitivamente, não posso ser gay. Eu devo ser uma lesbica reprimida morando dentro do corpo de um homossexual uma vez banhado em rios de falta de bom senso.)
- Ah, você quer fotos?
- Aha.
-Ok.
Ele fechou o zíper e foi embora. Fiquei sem ar por uns segundos. 1) Nunca vi uma jeba daquele tamanho. 2) Que homem maravilhoso. Só que sem condições. Nos cinco segundos que tirei para refletir, me caiu na cabeça a realidade de que não rola na minha vida fazer carinho na cabeça do Pokémon de alguém sem a certeza do banho alheio. Cinco da tarde, cara no posto de gasolina, ralando o dia inteiro e eu que vou pagar por isso? Pesado, viu. Eu é que nãochuparia pagaria pra ver. Uma vez no carnaval 2009 andei lambendo umas pessoas com cheiro de virilha suada pra nunca mais. Assim que saí do banheiro, comecei a me remoer de arrependimento.
- Não acredito que você ficou parado e não fez nada?
- Mariana, não quero mais falar sobre isso. E, por favor, devolva meus trinta reais. Ando meio sem grana.
Para quem às vezes fica uns dois dias sem banho, eu devo ter sido um pouco exigente demais, eu acho. Preciso rever essas minhas idéias. Ou eu passo a limpar os ouvidos mais vezes na semana ou deixo de reclamar das outras pessoas de uma vez por todas. Meio termo ta ficando assim: muito difícil.
Meu nome é Pablo Rodríguez e eu tô sempre optando por higiene pessoal à sexo casual. Muito do infeliz.
- Mulher não pode entrar aí. (Ele, rude)
- Ela não vai entrar. Relaxa. (Eu, impaciente)
- Ok. (Ele)
Passou por mim, me encarou fundo nos olhos e foi para dentro do banheiro.
(mari) - Pablo, vai atrás!
Olha, se a Mari entendeu a situação, a coisa é certeira. Ele ta me desejando igual eu o estou desejando. Acho que vamos adotar um casal. Mas não sei ainda se os dois vão ser pardos.
(eu) - Não sei se devo.
- Você me pagou trinta reais para isso, agora que tem, vai buscar!
É que ela não quis descer por vinte reais, aumentei a proposta para trinta. Eu sou assim quando fico desesperado.
- Tá. Ok. Vou fingir que vou tirar fotos do local.
Entrei. Assim que pisei lá dentro, ele abriu a porta da cabine dele. Minha barriga gelou. Ele, segurando o Pokémon, me olhando e eu não sabendo o que fazer. Começou a sacudir (o vocês sabem bem o que!!). AI MEU DEUS, e agora? Entrei correndo na cabine ao lado, só para ter cinco segundos de paz e conseguir pensar. Revendo o meu histórico amoroso, as chances de fazer algo com aquele frentista e não me apaixonar eram quase zero. E ó, muito difícil seria passar a vida apaixonado por um frentista enrustido que vive num bairro fantasma na estrada que fica entre Vitória e Guarapari. Pensem o que quiserem pensar sobre amor a distancia, mas a verdade é essa: muito difícil. Nada o que fazer dentro da cabine, já tinha feito o meu xixi. Saí. Ele seguia me encarando e me esperando. Cheguei até a porta da cabine dele, olhei para aquele Pokémon todo que ele tava segurando e...
- Posso tirar uma foto? (AI, MEU DEUS. TÔ ACHANDO QUE FALEI MERDA.)
- Que?
- Do vaso sanitário no chão. (Eu, definitivamente, não posso ser gay. Eu devo ser uma lesbica reprimida morando dentro do corpo de um homossexual uma vez banhado em rios de falta de bom senso.)
- Ah, você quer fotos?
- Aha.
-Ok.
Ele fechou o zíper e foi embora. Fiquei sem ar por uns segundos. 1) Nunca vi uma jeba daquele tamanho. 2) Que homem maravilhoso. Só que sem condições. Nos cinco segundos que tirei para refletir, me caiu na cabeça a realidade de que não rola na minha vida fazer carinho na cabeça do Pokémon de alguém sem a certeza do banho alheio. Cinco da tarde, cara no posto de gasolina, ralando o dia inteiro e eu que vou pagar por isso? Pesado, viu. Eu é que não
- Não acredito que você ficou parado e não fez nada?
- Mariana, não quero mais falar sobre isso. E, por favor, devolva meus trinta reais. Ando meio sem grana.
Para quem às vezes fica uns dois dias sem banho, eu devo ter sido um pouco exigente demais, eu acho. Preciso rever essas minhas idéias. Ou eu passo a limpar os ouvidos mais vezes na semana ou deixo de reclamar das outras pessoas de uma vez por todas. Meio termo ta ficando assim: muito difícil.
Meu nome é Pablo Rodríguez e eu tô sempre optando por higiene pessoal à sexo casual. Muito do infeliz.
SEI NÃO.