E.S. 3 - Part 2

19.10.10
Sendo sincero, tô sem saco nenhum para chegar aqui me humilhando e falando sobre o sexo gostoso que fiz na praia enquanto viajava para o E.S., gente. Mas é. Foi mais ou menos assim:

Seguimos nosso caminho e logo comecei a fazer perguntas básicas para os caras, como por exemplo: QUAL O SEU NOME, DE ONDE VOCÊ É e GOSTA DE COMER VIADO? Mas assim, tudo muito despretensioso. Falaram que isso de viado era a deles, não. Mas que podíamos ser amigos. Sei. Perguntei a Arthur - que seguia nos acompanhando - se conhecia os caras e ele respondeu-me que nunca havia visto antes na historia de sua vida.

Té que uma coisa começou a me incomodar bastante em Bryan (o de olhos azuis) e em Renan (o moreno): Durante o caminho, eles ficavam gritando e fazendo sinais para os carros que passavam na rua. No inicio, achei que eles eram muito populares e tinham muitos amigos na cidade, mas ó:

- De onde é que eles são mesmo, ein Vanessa? (Vanessa que não se chama Vanessa, mas que também não é a Mari, ein gente. Nos liguemos na situação.)
- Eles são de Vila Velha, cidade vizinha.
- Então, qual é a probabilidade deles conhecerem toda essa gente que tá passando de carro, Vanessa?

Babado. Eu e Mari (Codinome: Vanessa) começamos a suspeitar que eles talvez fossem garotos de programa e por isso tivessem sido tão cordiais. Na nossa cabeça, seguintes duvidas começaram a rolar:

CABEÇA DO PABLO:
1) AI MEU DEUS. Será que eles tão achando que os estamos contratando? 2) Se estiverem, tenho que pensar em alguma coisa para desfazer esse mal entendido. 3) Quanto será que Mari ainda tem na carteira? Tô meio zerado. 4) Não que eu esteja pensando em contrata-los. 5) Não estou, não. hehe

CABEÇA DA MARI:
1) Esse negocio de andar num é comigo. Acho que vou precisar de um super milkshake de banana caramelada para repor as energias, ein. 2) Nas piores situações da vida, sua calcinha ainda fica apertando sua virilha. Da-me paciencia, senhor. 3) Beeeemm que se quiiiis, depois de tuuuuudo ainda seeeeer fe-li-iii-z-zzzz

Não encontramos bebida para comprar. Mas encontramos uma outra pracinha, que ficava de frente para a praia também. Sentamos para conversar e não deu dez minutos surgiu um misterioso homem, vestido de guarda municipal, numa bicicleta vestida de velha e enferrujada. O homem saudou os três meninos como velhos amigos e nos deu boa noite. Parou a bicicleta de frente para nós.

- Alguém tem um isqueiro? (perguntou o homem, tirando do bolso um baseado)

Pensei: Agora a noite começa e eu não quero saber de mais nada que não seja viver e não ter a vergonha de ser feliz. Mariana emprestou o isqueiro, na condição de poder dar uma fumada naquele cigarrinho de artista. Daí, como Mari fuma que nem um dragão, foi-se metade do baseado - que veio para minha mão e para a mão de Bryan, para a mão de Renan e para a mão de Arthur e, de repente, quando voltou para as mãos do dono, não tinha mais nada. Climão.

- Vou voltar para lá, meninos. Levem esses dois para lá também. Tem mais baseado. Eles vão curtir, Arthur. (Homem, antes de sair pedalando)

Nossa, que bacana esse cara. Ele bem conhece o... GENTE, ELE CONHECE O ARTHUR? O mesmo Arthur que disse não conhecer ninguém que estava ali? De onde eles todos se conhecem, meu Deus? Mari precisava entender o que estava acontecendo. Por isso a chamei num cantinho.

- Mari, temos que sair daqui.
- Não sei porque.
- Mari, estamos sendo vitimas de um plano de assassinato.
- Oi?
- Eles todos se conhecem. Arthur, do cachorro quente, conhece os turistas, marca com eles numa praça vazia, os leva para andar pela cidade - já tendo combinado com os dois assassinos e garotos de programa -, dizem não se conhecer; até que chega um homem para drogar as vitimas. Os levam para um local escuro e desconhecido: roubam, matam e desovam. Fim da historia.
- Nada a ver.
- Mariana, isso não te lembra o que estamos vivendo agora?
- Não.

Voltamos para os nossos lugares. Estava com o celular na mão, pronto para discar 190, quando Arthur veio até nós, com maior clima de segredo. Nos contou que havia conversado com os caras e que estava tudo certo: tínhamos de ir para um local mais escuro e deixar rolar. Eles não iriam ter problema de deixar acontecer, mesmo se Mari não participasse.

RING THE ALAAAARM!!!! QUEREM NOS MATAR!!!

(eu, cochichando) - Mari, eu n-ã-o acho que seja uma boa idéia ir para um local mais escuro.
Silencio.
- Mari?
E era uma vez Mari já muito longe, a caminho de um local mais escuro.

Chegamos nesse ponto escuro e Mari já estava com a mão no pacotão de um deles, enquanto Arthur tinha a mão no pacotão do outro. Olhei para cima e lá estava, uma câmera nos filmando. Me incomodou, afinal, não queria nada sendo registrado. Se eu fosse ficar sem um pacotão para colocar a mão também, que isso não pare na internet. Odeio estar de fora das brincadeiras e todo mundo saber qual foi o meu papel no jogo.

- Gente, estamos sendo filmados. (Eu, reclamando)
- E daí? O guarda municipal é nosso brother. (Bryan)

Como se isso mudasse alguma coisa.
Não queria estar ali fazendo cenas intimas para o guardinha da cidade ver.

- Pois é, Vinicius. (Renan para Bryan)

GENTE, PELO AMOR DE DEUS. VOU FICAR MALUCO COM TANTO MISTÉRIO, TRAMAS E INTRIGAS. Como assim o Bryan se chama Vinicius? Isso para mim é nome de guerra.

NA MINHA CABEÇA:
1) Bryan é Vinicius? Como assim, gente? 2) Mas porque uma mudança tão radical de nome? 3) Deve ser muito difícil criar um nome de guerra simples e em português em épocas que tá todo mundo virando puta, né.

NA CABEÇA DA MARI:
1) Tá friozinho hoje, ein. Será que chove? 2) Ai, será que essa calcinha não vai me deixar em paz?

Saímos do local onde estava a câmera, descemos para a areia da praia e nos colocamos embaixo de uma ponte de madeira. Assim que chegamos, uma imensa onda de agua bem gelada nos atingiu, nos enchendo de areia e algas marinhas. Os meninos disseram que fizesse sol ou chuva o pinto deles não descia. Te contar que depois de ouvir essa, eu fui o primeiro a ajoelhar para o que chamarei de ENFIM. Daí eu e Mari estávamos lá ENFINZANDO muito para os caras, quando o Arthur cismou que estava sendo deixado de fora da brincadeira e meteu o pé. Ficamos só eu e Mari.

- Mari, sua gordinha safada, você gosta de levar uns tapas? (Bryan)
- Eu não. (Mari)

Minutos depois...

SPLEFT!!!

Mari levou um tapa que poderia ser ouvido em lugares inimaginaveis. Deu um grito e começou a levantar, enquanto limpava os joelhos.

- A brincadeira acabou AQUI para mim. A-ca-bo-u. Que falta de respeito é essa?

Tinha sido o moreno que eu estava ENFINZANDO que deu o tapa em Mariana e ela, indignada, disse que estaria indo embora, não importava o que dissessem. Para Mari, pagar um ENFIM na praia em desconhecidos, beleza. Levar tapa, já era muito pesado. Se afastou e me olhou, como que esperando que eu fosse embora também.

TÁ BOM.

- Amiga, pode ir lá, eu te ligo!!! (Pablo Rodríguez - sem fronteiras)

Mari indo embora, os dois estavam na minha mão. Quer dizer, não quero chocar o brasil de norte a sul, mas era um na mão e outro no

ENFIM. Como eu estava falando...

Terminado o trabalho, o moreno já havia finalizado, enquanto o Bryan pegava no meu topete e direcionava o pokemon para espirrar no meu olho.

(eu, implorava) - Por favor, no olho não! Na boca!!!
- Tá apontando pra boca!!
(eu, gritava) - Isso não é boca, é olho!!! É olhoo!!! É...

EM VÃO. Saí da praia que nem um senhor de meia idade, cabelo todo branco. Visão completamente embaçada.

- Primo, que isso no seu cabelo? (Mari, chocada)
- Mariana, foi na boca. É logicamente impossível que tenha algo no meu cabelo.
- Primo... É logicamente possível, viu.

Assim que Mariana teve a idéia de eu colocar a minha scarf na cabeça e enrolar no rosto, como se fosse uma Indiana. E lá estava eu, andando pela cidade que começava a despertar, todo que nem uma Indiana.

TOOK TOOK, ARE BABA

E.S. 3

11.10.10
Olha, sendo bem sincero; acho que nada no mundo é mais delicia e fantasia do que acordar de frente para o mar. A parte chata fica por conta de quando você esquece que a janela dá para a praia e fica pelado para trocar de roupa. Mas o resto ó, to tirando de letra. Nunca vi tanto homem lindo por metro quadrado em nenhum outro estado brasileiro. Muito difícil ficar olhando o pessoal de sunga na areia. Muito difícil. Acho que quero casar e transferir minha faculdade para cá. De manhã estudaria alguma coisa ligada a pequenas empresas, grandes ''negócios'' e de tarde facilmente poderia estar trabalhando de pescador em alguma aldeia. Sei lá. Acho que minha mais nova paixão é isso de sol e sal.

Ontem de noite, eu e uma amiga anônima (que não posso dizer que é a Mari, evitando causar problemas no namoro dela) estávamos com um fogo que só vendo, amigos. Mas essa amiga não era a Mari não, tá. Saímos de casa, com as veias do corpo saltando, loucos para encarar umas aventuras. Mal sabíamos nós que iríamos conseguir o que estávamos desejando. Chegamos onze e quarenta numa micareta que acabava meia noite e trinta. Resolvemos nem entrar.

- Prima (que não é a Mari), tive uma idéia. Vamos bem ficar aqui na porta da micareta, esperando os homens bêbados passarem.
- Pra que?
- Aí eles vão tá querendo comer alguém e esse alguém seremos nós.
- Ok.

Ba-ta-ta. Parou na nossa frente, entrando em seus carros importados, um grupo de garotos. Acho que deviam ter uns vinte ou vinte dois anos no máximo, todos mauricinhos. Olhei para um deles e logo esse mesmo que havia sido olhado por mim, abaixou a calça e começou a dar um mijão histórico, olhando para este que sou. Não conseguia me concentrar em olhar nos olhos dele porque, né. Tudo muito difícil. Mariana notou o que estava acontecendo e pediu para que eu parasse de olhar o Pokémon do garoto, com medo de que apanhássemos. Quer dizer, Mariana não. Uma amiga anônima.

- É melhor você me ouvir.
- Amiga, se algum desses fortões se aproximarem de braços abertos, corre que não é flerte. É skinhead.
- Fechado
.

Até parece. O cara que estava dando a mijada, veio até nós e colocou o abadá todo molhadinho de suor masculino em cima de Mari.

- O que você PENSA que está fazendo? (ela, brava)
- Brincando. Você não gosta de brincar? (ele)
- Com você, que eu não conheço, não. (ela)
- A Mari é muito fofa.
- Bota fofa nisso.
Rimos.

Gente. Vocês tem noção do que estava acontecendo? Nós rimos juntos de uma piada sobre a Mari. Virou amizade. Começamos a conversar, enquanto eu secava o corpo dele e dizia ser muito gay. Em determinado ponto da conversa, ele afirmou que estava doido para dar uma metida.

- Quero muito meter hoje. Você não? (ele, para Mari)
- Eu não. (Mari, louca)
Segurei a descontrolada pelos braços e corrigi:
- Todo mundo quer muito dar uma metida hoje. (hehe, eu. hihi)
- Mas você é passivo ou ativo?

Gente, tenho para mim que essa metida dele vai ser nas minhas nadegas. Ai, meus santos. Não to com a depilação em dia.

- Muito passivo. Passivo demais. (eu)
Enquanto falava comigo, me encarava nos olhos e alisava a barriga. Estava sem camisa, era incrívelmente sarado. Meu coração estava pronto para explodir e virar milhões de camisinhas a serem usadas.

- Bacana. (ele)
- Aff. (Mari... quer dizer, uma outra amiga aí que não é a Mari não)

Daí ele começou a brincar de me encoxar. Que cidade é essa, Jesus. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. E não deu três segundos que eu estava no paraíso que o amigo dele entrou no carro e disse que se ele não entrasse também, ficaria sozinho. Adeus, Felicidade. Me liga um dia. Vamos marcar. Te falar que se eu tivesse querendo montar um circo, palhaço é o que não falta, viu. Porque é isso que aquele amigo dele é: palhaço.

Revoltamos com o fim dessa linda historia erótica, fomos beber mais. Paramos numa barraquinha de cachorro quente e nossa amizade relâmpago com o Arthur, da barraquinha, aconteceu assim:

- Nossa, amiga anônima, essa cidade só tem homem lindo.
- Aha.
-Quero muito morar aqui.
- Aha.
(Mari, comendo cachorro quente)
- Posso interromper? (Arthur, se apresentando)
- Pode sim. (Mari)
- Os homens gatos que vocês tão vendo, são todos turistas. Na cidade mesmo, só tem oferenda de exu para Iemanjá.

15 minutos depois, já estávamos todos trocando telefone e firmando uma amizade linda de se ver. Acabando o turno de venda dele, até nos encontraria para beber. Dito e feito. Três e meia nos encontramos os três na pracinha da cidade, deserta. Clima de filme de terror, vento soprando forte, batíamos papo legal.

- Pode parecer que sou gay, mas não sou. Fui criado por muitas mulheres e sou amigo de muitas meninas. Mas não sou gay, eu sei de mim. (Arthur, se abrindo)
-Pode parecer mesmo, ainda bem que você ta explicando. (eu, querendo rir)

Resolvi não questionar e deixei estar. Decidimos partir em busca de mais bebida e começamos a perambular a cidade. Afinal, três da manhã numa praça deserta, sem uma musica sequer, ou você ta bebendo ou ta sem ter onde dormir. Talvez, se cigana eu fosse e pudesse ver o futuro, já teríamos feito isso antes. A noite começa aqui.

No caminho, encontramos dois jovens. Um deles era muito branquinho, olhos azuis piscina, cabelos espetados e bochechas rosadas. Tenho para mim que deve ser de uma linhagem rara de uma família sem misturas, vinda direto da Áustria. Era coisa de deixar qualquer neguinho louco. O outro, um moreno alto, músculos bem definidos e boquinha carnuda. Eles nos encararam e seguiram numa direção oposta.

- Gente, precisamos voltar. Precisamos voltar. (Obvio que eu, desesperado)
- Não. Não quero. (Mari)
- Olha, Mariana. Alguma coisa em mim diz que voltar é o que deve ser feito. E essa coisa parece ser meu penis. Olha só.
- Você é nojento.
(Mari)

Voltamos. Começamos a andar na direção deles. Pararam e olhando para trás, deram um sorridente Oi.

- Olá. (Respondi de volta, cheio de amor para dar)
- Sabem onde tem uma festa? (o moreno)
- Onde nós estamos, a festa está. (eu, bêbado)

Tenho para mim que ser sem noção, é uma arte que para ser exercida necessita de um certo dom.

- Estão fazendo o que aqui? (o de olhos azuis)
- Procurando bebida. (Mari)
- Podemos ir junto com vocês? (olhos azuis)
- Vocês devem ir. (Eu)

Eles se entre olharam rindo, enquanto Arthur piscava para mim, sinalizando que o babado era certo e a noite iria render. Quem procura, acha.
CONTINUA...

E.S. - 2

10.10.10
Cheguei descobrindo que o nosso apartamento fica de frente para o mar, ao lado do Iate Club. Bem chique. Fiz umas amizades relampagos e descolei umas cortesias para a maior boate da região, tal da Boite MAIS. O problema começou assim que descobri que rolará uma micareta no Iate Club e a boate vai ficar vazia. Não sei lidar. Agora tô aqui, pensando se vai mesmo ser LEGAL PARA CARAMBA me unir à minha mãe nessa micareta. Levando em conta que ela e minha prima tão enchendo a cara de Absolut com Redbull, to achando que ó: muito difícil.

Domir é que eu num vou poder, já que a micareta acontece bem na janela do meu quarto. Acho que vou ficar vendo daqui de casa e o primeiro que levantar o braço para cantar que "vai sacudir, vai abalar", eu taco um ovo.


Já tô até animado.

Em nome do pai e do...E.S.??

Quem nunca sonhou com um frentista todo sarado, sujo de graxa, loucão na sua no meio de um posto de gasolina perdido no meio do nada? Aconteceu comigo e ó, que merda.

Estou no meio de uma viagem surpresa. Meu pai disse que me daria passagens de presente e não contaria para onde. Os presenteados: eu e prima Mari. Começou o bafafa entre a família de que talvez estivéssemos sendo enviados para Florianópolis, o que, obviamente, me agradou bastante, sabe. E apesar de odiar surpresas, até que eu me distraí com o mistério instalado em minha vida ao longo da semana. Não poderia ser tão ruim assim. Separei a minha sunga de estampa florida, minha toalhinha surrada do ursinho Poof e era só cair nas areias quentes das praias mais azuis que existissem por lá. Cheguei ao aeroporto cheio da expectativa e, menino, num é que me enviaram para o ESPIRITO SANTO? Entrei no avião num estado de nervos que só Freud pra me entender. Tava aí o motivo deu odiar surpresas. Fiquei nem cinqüenta minutos dentro do avião, deu tempo nem de terminar meu pão. Assim que pisei em vitoria e soube que meu destino era Guarapari, comecei a ficar mais calmo. Praia. No caminho, dentro do carro alugado, paramos num posto de gasolina todo surrado pelo tempo. Daí eu estava dentro do carro reclamando, quando...

- Mariana, desce do carro agora que eu vi um frentista lindo e o frentista lindo também me viu! Ou seja, nós nos vimos.

E se ele tivesse gostado tanto de mim quanto eu bem gostei dele, talvez nós pudéssemos namorar – casar e adotar umas crianças pardas. Sonho meu.

- Não vou descer, to cansada. (Mariana)
- Mariana, pelo amor de Cristo. Desce que eu preciso esticar as pernas. Ai, que câimbra. (Eu, apelando)
- Sei não.
- Mari, eu te dou vinte reais.


Consegui descer do carro. Passei por ele, joguei um olhar safado e fui correndo pro banheiro. E nada do homem vir atrás de mim. Acordei para vida e vi que, quer saber, nada a ver eu ficar correndo atrás de homem em banheirão publico. Ainda mais com meu pai no carro. Fiz um xixi e resolvi sair. Mas aquele homem seguia me atormentando, gente. Ele era muito quente. Coisa certa: sempre que eu falo que um homem é muito gato, ele é loiro. É raro eu falar de morenos. É que eu acredito demais no poder das misturas. Café mais leite, chocolate mais avelã, Pablo mais loiros suculentos. Coisa certa. Este, por exemplo, era loiro de olhos bem verdes cinzentos, cabelos jogados e oleosos, todo fortinho. Sentei na mesa da lojinha de conveniência com meus pais e resolvi que não era boa idéia comer por ali, já que o local era tão sujo que eu tava apostando que nem rato teria coragem de comer queijo lá.

- Mari, o banheiro feminino é bizarro?
- Não.
- Mari, o banheiro masculino é muito louco. O vaso sanitário é um buraco no chão, sabe. E o teto é aberto. Tem que ver.
Resolvi levá-la para ver o que eu não acreditei quando vi. Quando chegamos na porta do banheiro, adivinha só quem é que estava por lá? O frentista sexy.

- Mulher não pode entrar aí. (Ele, rude)
- Ela não vai entrar. Relaxa. (Eu, impaciente)
- Ok. (Ele)

Passou por mim, me encarou fundo nos olhos e foi para dentro do banheiro.

(mari) - Pablo, vai atrás!

Olha, se a Mari entendeu a situação, a coisa é certeira. Ele ta me desejando igual eu o estou desejando. Acho que vamos adotar um casal. Mas não sei ainda se os dois vão ser pardos.

(eu) - Não sei se devo.
- Você me pagou trinta reais para isso, agora que tem, vai buscar!
É que ela não quis descer por vinte reais, aumentei a proposta para trinta. Eu sou assim quando fico desesperado.
- Tá. Ok. Vou fingir que vou tirar fotos do local.

Entrei. Assim que pisei lá dentro, ele abriu a porta da cabine dele. Minha barriga gelou. Ele, segurando o Pokémon, me olhando e eu não sabendo o que fazer. Começou a sacudir (o vocês sabem bem o que!!). AI MEU DEUS, e agora? Entrei correndo na cabine ao lado, só para ter cinco segundos de paz e conseguir pensar. Revendo o meu histórico amoroso, as chances de fazer algo com aquele frentista e não me apaixonar eram quase zero. E ó, muito difícil seria passar a vida apaixonado por um frentista enrustido que vive num bairro fantasma na estrada que fica entre Vitória e Guarapari. Pensem o que quiserem pensar sobre amor a distancia, mas a verdade é essa: muito difícil. Nada o que fazer dentro da cabine, já tinha feito o meu xixi. Saí. Ele seguia me encarando e me esperando. Cheguei até a porta da cabine dele, olhei para aquele Pokémon todo que ele tava segurando e...

- Posso tirar uma foto? (AI, MEU DEUS. TÔ ACHANDO QUE FALEI MERDA.)
- Que?
- Do vaso sanitário no chão.
(Eu, definitivamente, não posso ser gay. Eu devo ser uma lesbica reprimida morando dentro do corpo de um homossexual uma vez banhado em rios de falta de bom senso.)
- Ah, você quer fotos?
- Aha.
-Ok.


Ele fechou o zíper e foi embora. Fiquei sem ar por uns segundos. 1) Nunca vi uma jeba daquele tamanho. 2) Que homem maravilhoso. Só que sem condições. Nos cinco segundos que tirei para refletir, me caiu na cabeça a realidade de que não rola na minha vida fazer carinho na cabeça do Pokémon de alguém sem a certeza do banho alheio. Cinco da tarde, cara no posto de gasolina, ralando o dia inteiro e eu que vou pagar por isso? Pesado, viu. Eu é que não chuparia pagaria pra ver. Uma vez no carnaval 2009 andei lambendo umas pessoas com cheiro de virilha suada pra nunca mais. Assim que saí do banheiro, comecei a me remoer de arrependimento.

- Não acredito que você ficou parado e não fez nada?
- Mariana, não quero mais falar sobre isso. E, por favor, devolva meus trinta reais. Ando meio sem grana.


Para quem às vezes fica uns dois dias sem banho, eu devo ter sido um pouco exigente demais, eu acho. Preciso rever essas minhas idéias. Ou eu passo a limpar os ouvidos mais vezes na semana ou deixo de reclamar das outras pessoas de uma vez por todas. Meio termo ta ficando assim: muito difícil.

Meu nome é Pablo Rodríguez e eu tô sempre optando por higiene pessoal à sexo casual. Muito do infeliz.

SEI NÃO.

Sonho meu

2.10.10
Alguém aí é ligado nisso de traduzir sonhos? Acontece que dia desses sonhei que me bateu uma baita dor de barriga e tive de me aliviar num banheiro publico. Até aí, nada de novo na minha vida. A questão toda começa quando batem na porta, pedindo para usar e menino, num é que era a Xuxa? Nessas eu percebi que tinha feito a pior defecagem da historia desse país e que ficaria um tanto que chato deixar a Xuxa sentir aquele cheiro todo. Mas como nada poderia fazer, abri a porta e deixei a rainha entrar.

Daí foi aquilo, né? Xuxa saindo correndo, pessoal do posto de gasolina querendo me linchar, eu com a bunda suja. Coisa horrorosa.

Por isso que tô querendo entender o significado disso. Esse sonho está querendo alguma coisa de mim. Não é possível que eu tenha sonhado apenas por sonhar - que tenha sido apenas um simples sonho qualquer. A vida tem que estar querendo me passar alguma mensagem. Ninguém sai por aí sonhando com Xuxa e cocô sem motivos.

Na boa.

Não aguento mais viver tantos mistérios.