Esgoto publico

7.9.10
Daí que teve uma choppada lá na faculdade, sabe. Num barzinho, muito bem localizado na boca da favela, zona norte. Te contar que eu fiquei mais empolgado impossível. Tudo porque além de ter uns caras muito quentes que eu estava querendo muito muito dar, tinha também uma galera super oba oba, amantes da orgia. Começamos a beber e eu já estava jogando olhares para os meus favoritos ao cargo de "el comedor", empurrando as amigas para os favoritos delas.

O ponto alto da noite foi quando uma amiga finalmente conseguiu trocar idéia com o moleque que ela estava afim - e tudo fazia parecer que o cara queria muito dar umas lambidas na Pikachu dela - e eu estraguei tudo. Mas gente, eu juro que foi sem querer.

- Menina, porque você não está bebendo? (eu, entrando na conversa dos dois)
- hehe, não tenho bebido mais. (ela, sem graça)
- Ah, é. Faz bem, viu. Eu bem lembro que sempre que você bebia, terminava pelada e dando pra todo mundo nas festas. hihi
O menino arregalou os olhos - Eu me toquei que havia falado merda.
- Eu não. (ela, franzindo a testa e provavelmente tentando me matar com a força do pensamento.)
Penso que se ela fosse Sissy Spacek interpretando Carrie - A estranha, provavelmente teria me fulminado com sua telecinésia. Saí batido, antes que a coisa ficasse feia pro meu lado. Mas aí né, as outras meninas começaram a se empolgar com a pauta lançada por mim:
- Ah, ela é assim mesmo. Bebe e não sabe o que faz.
- Concordo, amiga. Ela não tem critérios.
- Nossa. É verdade. Lembram da choppada do ano passado?

E foi assim que o menino saiu da roda em seguida e minha amiga veio pra cima de mim que nem um pavão nervoso e começou a querer me bater, gritando que eu havia arruinado com as chances dela. Como se eu tivesse sido o único a abrir a boca para falar dos modos liberais que ela costumava adotar para sua vida. Todo mundo relembrou um momento marcante da historia da vida dela e só eu levei a culpa no final das contas. Muito justa essa amizade, ein. Num guento com essas coisas. Mas olha, que fique bem claro: se eu pudesse voltar no tempo, juro que teria feito diferente. Talvez chegasse perguntando "Menina, porque você não está PE-LA-DA?". O assunto teria rendido menos e eu não precisaria assumir a culpa dos outros. Vai ver só.

Fui sambar e beber bastante para esquecer dos problemas e requebrar de ladinho para os homens da choppada. Quando eu sambo, mostro o moleque bamba que tem dentro de mim e faço valer toda a minha baianidade nagô. Não sei PORQUE tive essa idéia. De todas as idéias merdas que eu já tive na historia desse país, essa subiu pro TOP 1 das idéias burras. Não sei exatamente o que aconteceu, só sei que sambei e sambei e quando dei por mim... tinha caído dentro de um bueiro.

AAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!

Lá estava eu, metade do corpo dentro do esgoto, enquanto a outra metade pedia por socorro. E, gente, ai que vergonha. Tudo isso bem na frente de todos os homens que visei durante toda a choppada. A vida é assim: num segundo você tá requebrando de ladinho e e no outro você está humilhado, dentro de um esgoto publico. Todo mundo me gritando, eu estendendo a mão por socorro. Coisa horrorosa. Pensei em chorar, mas decidi que era melhor não aumentar o tamanho da humilhação já vivida. E é claro que sempre tem um espírito de porco, que te vê machucado e desnorteado e vem perguntar se está tudo bem.

- Pablo, tá tudo bem?
- Tá tudo ótimo. Amo cair no esgoto, sua besta.

Por favor, né. Mas também não dei o braço a torcer, para provar que sou macho com X de XOU BIXA, comecei a sambar de novo, como se nem estivesse com braços e pernas sangrando. Porque, sim, eu estava sangrando.

- Vou buscar mais uma cerveja e já volto, gaylêre.

E subi no primeiro ônibus que vi na minha frente. Ai, gente, num sei nem se tenho coragem de colocar a cara naquela faculdade outra vez. Precisava muito acordar formado amanhã. Por favor, meu Deus, coloca um diploma no pé da minha cama e eu juro que nunca mais cometo sodomia nessa minha vida. Por favor.

EU NÃO QUERO SER EU