Tequila, tequila!

30.9.10
Ai, amigos. Fico louco. Estava eu dia desses no aniversário do Léo Torres, meu amigo, e assim que cheguei encontrei com uma amiga dele que me conhecia dos tempos de Estou Em Transe - disse se chamar Juliana e disse ser uma fã. Nos comunicamos e entramos juntos no aniversário. Daí que subindo as escadas, avistamos um loiro maravilhoso, com chapéu de cowboy e...

- Ai, meu Deus, tem um loiro de cowboy aqui na festa do Leonardo!
E comecei a pensar que talvez pudesse ser um stripper. Vai saber.

Puxei Leonardo num canto e antes mesmo de dar os parabéns, mandei ele me explicar quem exatamente era aquele loiro. Mistério resolvido, era o tequileiro do local. Para quem não sabe, porque não costuma sair de casa para as noites muito doidas, tequileiros são os profissionais que chegam na sua mesa oferecendo tequila e te fazem ficar doidinho ao longo do evento. Preciso nem dizer que depois de avistar aquele homem, nada e nem ninguém me faria desistir de tomar tequilas a noite toda, né mesmo? Pois é.

- Gente, bôra beber tequilas! Eu pago, podem deixar. (eu, mostrando que ser fino é para poucos)

E te contar que eu estava mesmo muito fino, viu. Estava que nem uma lésbica social chic. Todo garantido na roupinha gomada, uma coisa fofa demais. Sentei na mesa e mandei chamar o cara.

- Ô seu tequileiro, chega mais.

Ele chegou bem pertinho e gente... eu juro, eu estava sentindo a calça jeans vagabunda dele roçando no meu braço. Podem duvidar: mas eu juro. E foi assim que me apaixonei.

(eu) - Duas doses de tequila aqui para mim e para minha friend.
(ele) - Si, señor.

Sotaque. Gente, ele tinha um so-ta-que. Olha, se tem uma coisa que me deixa com mais tesão que viagem para fora do país, são pessoas que nasceram fora do país. Morro legal num gringo. É isso aí.

- Sotaque? (Lá estava eu começando a baixaria...) De onde é que você vem, señor tequileiro?

Eu disse SEÑOR TEQUILEIRO? Me enforquem!!!

- Argentina.

AI MEU DEUS. AGORA É OFICIAL: ME ENFORQUEM.

Não há nada nesse mundo que me dê mais tesão que argentino, gente. Quer dizer...

Notei que o namorado Argentino do Léo notou que eu tava dando em cima do tequileiro e vi escrito na testa dele a seguinte frase: muito sem nível. Não é de hoje que ele não vai muito com a minha cara. Deve ser racismo ou ciúmes. Ô homem possessivo, viu. E ainda tava de cara feia para mim. Não deu dois tempos e eu aproveitei o fato dele não falar português para começar a falar mal dele para todo mundo na mesa.

- Gente, tô louco ou esse homem do Léo é muito chato?
- Galera, vocês já notaram como esse namorado do Leo é chato?
- Meninas, num sei se viram, mas namorado do Leo é chato, ein.

Chegou um momento que eu estava me divertindo tanto com isso de falar mal do namorado dos outros, que comentei até com a garçonete.

- Eu vou querer uma porção de batatas. Mas cuidado quando for atender aquele lado ali da mesa, tem um argentino ali que é meio chato, tá.

Enfim. Já falei pro Léo sair dessa relação. Mas se ele é feliz com um homem que só elogia ele, dá presentes, é romântico e vem ao Brasil para vê-lo, eu que não vou me meter.

- Então quer dizer que você é argentino? Ai, que bom. (eu, para o tequileiro - claro)

SERÁ QUE NÃO VAI FICAR CHATO EU DAR EM CIMA DELE? ACHO QUE NÃO.

- Te gusta argentina?
- Me gustan los argentinos.

É. TALVEZ FIQUE UM POUCO CHATO.

Depois de bebermos as tequilas, fiquei bêbado. E a grande novidade é que comecei a contar pra todo mundo que eu e o tequileiro éramos um só coração.

- Eu e ele? Claro, gente. Tá rolando uma vibe tão positiva. Vocês também tão conseguindo sentir?

Aproveitei a minha nova amizade de infância com a garçonete e mandei ela me trazer uma coca-cola zero e o tequileiro para viagem, por favor.

- Você gostou dele? (Garçonete, sobre o tequileiro)
- Nossa. E como. (eu, com a boca cheia de batatas e ketchup)
- Parece que ele também gostou de você.

Amigos, fiquei com a barriga geladinha. Não é exagero: a mesa toda vibrou. São nesses momentos da vida que você realiza bem o fracassado que é. Ao saberem que alguém me queria, meus amigos fizeram parecer que o Brasil tinha feito um gol.

- Manda esse homem voltar aqui na mesa e é agora. (Eu, acabando de me arrepender de ser bocudo)

Lembrei que começo a falar errado depois que bebo. Não era o momento daquele homem voltar, eu podia estragar tudo.

Tarde demais.

A mulher foi lá e chamou o cara. Senhoras e senhores, Pablo Rodríguez apresenta: como passar de bobo da corte à tímido em 3 segundos úteis. Foi o homem chegar perto de mim preu num conseguir mais abrir a boca para falar um nada. Nem que queria mais tequila.

(ele) - Tequila, tequila?
Pensei em responder, mas na hora só consegui balançar a cabeça, sinalizando que sim.

Ele serviu mais duas doses. Bebemos eu e Lissa, uma amiga.

- Tequileiro, balança a cabeça dele para deixa-lo bêbado! (Lissa, fofa)
- Não. Melhor não. (Eu, com vergonha)

Olha, não disse antes para me resguardar, mas eu não queria que ele balançasse minha cabeça, só porque eu tinha enchido ela de olho silicone, para dar brilho e maciez. O resultado ia ser um só: o cara ia ficar com a mão parecendo que mergulhou os dedos em azeite de oliva.

E como já era de se esperar, quando se trata de ser a minha vida, o homem foi lá e sacudiu minha cabeça.

- hehe gente, isso não é neve, tá? É caspa. :D

E daí comecei a beber Tequila com Ana, que recém havia conhecido e que junto com Juliana, Daniel e Gabrielle, haviam se tornado meu grupo de melhores amigos dos tempos do colégio. Juliana, que de fã relampago se tornou best friend, ficava só rindo. Te contar que bebemos uma tequila atrás da outra. Até que chegou o ponto que comecei a falar sem parar. Sofro da síndrome do bêbado chato. Bebo e acho que sou engraçado e não consigo deixar ninguém ao meu redor falar. Mas já tô me resolvendo na terapia, relaxa aí.

Toda vez que o tequileiro se aproximava, eu calava a boca. Logo, Juliana e as meninas pararam de rir e começaram a se revoltar com minha falta de atitude. Resolveram até ir embora.

Tá. Mentira.

Acontece que o namorado Argentino do Leo (erg) ficou com sono e pediu para ir embora. Dez minutos depois desse homem avisar o sono, Leo mandou chamar o bolo, cantamos parabéns e todo mundo deu no pé. Sobramos apenas nós no local, bebendo. Ao notar que estava sozinho com desconhecidos (legais, mas nunca antes vistos na historia da minha vida) fui no banheiro dar uma refletida.

- Que cabelo lindo. (Uma menina, na fila do banheiro)
- Obrigado. Amei seu batom. (Eu, notando estar na fila errada)
- Ai, que fofão você é.
Adorei essa menina da fila do banheiro. Vou ficar por aqui.
- Menina, já viu o tequileiro?
- Claro. Pego sempre. (Olha, acho que bebi demais e tô ouvindo coisas. Vou tirar a duvida...)
- Oi, você o que?
- Pego sempre. Uma delicia, né? Como beija bem.
- Mas ele num é gay ou sei lá? Ouvi por aí um papo do sei lá.
- Olha, se é eu não tô sabendo. Pois comigo ele sempre foi muito homem.
Ai, que menina inconveniente. Bem vou embora sem dar tchau.

Fui embora. Sem dar tchau.

- Gente, vamo embora mesmo. Acabei de descobrir que o tequileiro tá pegando mulher.
- É, hoje ele tá dando uma de hetero. (Garçonete, limpando a mesa e intervindo) Soube que pegou uma novinha, levou pro banheiro dos funcionários e ficaram lá por cinco minutos.

Ai, amiugos, não sei se vocês me entendem, mas eu não queria mais investir num homem que goza em cinco minutos. Fui embora. Eu ein. E foi na hora de ir embora que eu ganhei a noite e descobri que: não importa o que aconteça, tudo pode sempre terminar bem.

- Senhor, o seu cartão não está passando.
- Tá sim, pode tentar de novo.

PAI NOSSO QUE ESTÁS NO CÉU...

- Não passou, senhor. Tento outra vez?
- Tenta aí.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME...

- Senhor?
- Ai, moça. Eu não tenho dinheiro.
Comecei a lacrimejar.

E daí deu-se inicio ao auê de ligar pro meu pai, ligar para minha mãe. Começar a querer chorar. Então, virei os olhos para o teto e pensei: será que se eu sair correndo eles me alcançam? Não aguento mais ser imagem e não ter cinco reais no bolso. Não dá mais para mim. Eu não posso nem me viciar em drogas por não ter dinheiro para usar nada. Comecei a me preparar para sair correndo. É 1, é 2, é 3 e é...

- Pode passar esse cartão daqui, moça. (Juliana, rindo... de mim)

Juliana passou o cartão dela e pagou o pedaço da minha conta que faltava. Eu disse que a noite sempre termina bem... para alguém. Não para mim. Enquanto voltava de ônibus para casa, refletia sobre até onde eu estou disposto a ir para conseguir um homem. Naquela noite, por exemplo, fui aos limites do meu cartão. Se a coisa não melhorar, não sei mais do que sou capaz de fazer. Quer dizer... até sei.


Caso investigativo 0002

13.9.10
Caso 2. Fui para a despedida de uma amiga. Fiquei por lá com meu coração dividido entre chorar porque uma das minhas melhores amigas estava indo para longe ou se chorava porque tinha muito homem gostoso no ambiente e nenhum estava me pegando. Mas sei que bebi tanto que saindo de lá comprei um lanche e me joguei dentro da primeira van que vi. Adormeci. E como cantaria Nana: os sonhos mais lindos, sonhei. Mas quando eu acordei... Ma'quando eu a-c-o-r-d-e-i... sabia-se lá naonde é que eu estava.

- Moço, onde é que eu estou? (tirando remelas)
- Manilha, Inoã.
- Como é que é? (tô precisando de um google maps pra sair vivo dessa...)
- A ultima parada da van foi em Várzea, mas nós ficamos com pena de te acordar. (????)
- Como é que é?

GENTE, COMO ASSIM ELES TIVERAM PENA DE ME ACORDAR E NÃO TIVERAM PENA DE ME DEIXAR EM OUTRA CIDADE? VAMOS COLOCAR A MÃO NA CONSCIÊNCIA.

Vocês não tem idéia do quanto a cidade de Inoã é longe da minha residência. É uma distancia Guarujá-São Paulo, Barra da Tijuca - Cabo Frio. Sei que o cara me expulsou da Van e lá estava eu, quatro da manhã, perdido em Inoã - uma cidade que tem menos habitantes que as escolas do sertão nordestino. Peguei minha super lupa, joguei minha scarf para trás e era o momento de começar a detetivar.

Passo um da investigação: Como bom detetive que sou, comecei a buscar ao redor alguma pessoa que pudesse me informar como sair dali. Em meio a uma estrada, vi um ponto de luz. Elementar, meu caro amigo, saí batendo perninhas nervosas para lá. Eu é que não ia ficar no escuro havendo um lugar iluminado. Meus pais nunca que podem saber disso, gente. Eles vão achar que sou irresponsável, pensava enquanto caminhava sob a chuva de Inoã. Porque, aham, estava chovendo.

- Oi, alguém aí?
Gritei na porta de uma vendinha. Se sair um assassino com serra elétrica daí de dentro, é só correr em direção ao escuro de novo e me enfiar atrás daquele arbusto que tem cheiro de adubo, comecei a arquitetar.
- Bom dia.
Respondeu um cara gordo. Se esse cara daí for o assassino, não vou nem precisar correr muito, me aliviei.
- Moço, você sabe como eu faço para voltar para Niterói?
- Passa ônibus. É só seguir a estrada de terra aqui - ele levantou o braço e apontou a direção -, cruza a segunda rua e na próxima estrada você acha o ponto.
Vô bem confessar que depois dele levantar o braço, nada mais consegui ouvir. Que CC era aquele, meu Deus. PRA QUÊ uma serra elétrica quando te basta levantar os braços?

Não é que eu seja medroso. Mas não tinha nada de confortante olhar para a estrada de terra e ver um monte de mato e só a luz da lua para me guiar. Mas como detetive bravo que sou, segui minha rota. Segundo passo da investigação: Pisei de levinho na estrada, estava suspeitando que a chuva havia causado lama. Merda. Meus pais ligando.

- Oi, mãe! (pausa) Eu? Eu estou óootimo, menina. Bebendo, conversando. Tamos todos aqui na festa ainda (Pablo... por favor, pede ajuda). Aham. Claro que eu estou pensando em voltar para casa ainda hoje, você nem imagina (Mãããe, vem me buscaaaaar!!!!). Ok. Beijos.

Querido Pablo Rodríguez, na próxima ligação da sua mãe, favor pedir socorro.

E sim, tô na lama.

Achei o tal ponto de ônibus. Quatro e quarenta da manhã: nada dele passar. Cinco e meia da manhã: nada do ônibus passar. Seis horas da manhã: eu tossindo, principio de febre, na chuva; nada do ônibus passar. Sete da manhã: resolvi perguntar para alguém se esse ônibus existia mesmo. Agora só faltava aparecer alguém e eu perguntava. ...
.
..
...
....
.....

... É, não vai aparecer ninguém.

Sete e meia da manhã: surgiu um ônibus que rumava para Iguaba. Era minha chance de fazer alguma coisa por mim.

- Seu motorista, vem cá, sabe se passa aqui um ônibus para a cidade Niterói?
- Passa sim. (Tá, ok... ENTÃO, CADÊ ELE?)
- E... cadê ele?
- Espera aí que ele vem. (Oi, você disse esperar? E-s-p-e-r-a-r? Porque, na boa, você não pode ter dito esperar. Não, Pablo, ele deve ter dito DESESPERAR. Se desespera aí.)
- Moço, por tudo que é mais sagrado, eu estou esperando há várias horas. Várias.

Gente, com o ódio que estava brotando no meu peito, eu matava duas Elisas Samudio, quatro meninas Isabelas e comeria os corpos todinhos para não deixar pistas para a policia. Era tanto ódio que comecei a rever as coisas da vida. Morro do bumba? Tinha mais é que desabar mesmo. Haiti? Lugar tosco. Que trema até sumir. Britney Spears? Que perca a voz. Ah, é. Britney Spears nunca teve voz... Enfim. Mas que morra também. Oito e meia: o ônibus chegou. Entrei revoltado com a vida. Caso 03 desvendado: É por essas e por outras que nego sai por aí queimando ônibus. Caso 01 solucionado: a volta para casa. Caso 02 pendente: que van para Inoã foi essa que eu peguei?

Sobre o que eu estava falando no caso investigativo 0001, mesmo?

Ah é, não posso mais beber.

Esgoto publico

7.9.10
Daí que teve uma choppada lá na faculdade, sabe. Num barzinho, muito bem localizado na boca da favela, zona norte. Te contar que eu fiquei mais empolgado impossível. Tudo porque além de ter uns caras muito quentes que eu estava querendo muito muito dar, tinha também uma galera super oba oba, amantes da orgia. Começamos a beber e eu já estava jogando olhares para os meus favoritos ao cargo de "el comedor", empurrando as amigas para os favoritos delas.

O ponto alto da noite foi quando uma amiga finalmente conseguiu trocar idéia com o moleque que ela estava afim - e tudo fazia parecer que o cara queria muito dar umas lambidas na Pikachu dela - e eu estraguei tudo. Mas gente, eu juro que foi sem querer.

- Menina, porque você não está bebendo? (eu, entrando na conversa dos dois)
- hehe, não tenho bebido mais. (ela, sem graça)
- Ah, é. Faz bem, viu. Eu bem lembro que sempre que você bebia, terminava pelada e dando pra todo mundo nas festas. hihi
O menino arregalou os olhos - Eu me toquei que havia falado merda.
- Eu não. (ela, franzindo a testa e provavelmente tentando me matar com a força do pensamento.)
Penso que se ela fosse Sissy Spacek interpretando Carrie - A estranha, provavelmente teria me fulminado com sua telecinésia. Saí batido, antes que a coisa ficasse feia pro meu lado. Mas aí né, as outras meninas começaram a se empolgar com a pauta lançada por mim:
- Ah, ela é assim mesmo. Bebe e não sabe o que faz.
- Concordo, amiga. Ela não tem critérios.
- Nossa. É verdade. Lembram da choppada do ano passado?

E foi assim que o menino saiu da roda em seguida e minha amiga veio pra cima de mim que nem um pavão nervoso e começou a querer me bater, gritando que eu havia arruinado com as chances dela. Como se eu tivesse sido o único a abrir a boca para falar dos modos liberais que ela costumava adotar para sua vida. Todo mundo relembrou um momento marcante da historia da vida dela e só eu levei a culpa no final das contas. Muito justa essa amizade, ein. Num guento com essas coisas. Mas olha, que fique bem claro: se eu pudesse voltar no tempo, juro que teria feito diferente. Talvez chegasse perguntando "Menina, porque você não está PE-LA-DA?". O assunto teria rendido menos e eu não precisaria assumir a culpa dos outros. Vai ver só.

Fui sambar e beber bastante para esquecer dos problemas e requebrar de ladinho para os homens da choppada. Quando eu sambo, mostro o moleque bamba que tem dentro de mim e faço valer toda a minha baianidade nagô. Não sei PORQUE tive essa idéia. De todas as idéias merdas que eu já tive na historia desse país, essa subiu pro TOP 1 das idéias burras. Não sei exatamente o que aconteceu, só sei que sambei e sambei e quando dei por mim... tinha caído dentro de um bueiro.

AAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!

Lá estava eu, metade do corpo dentro do esgoto, enquanto a outra metade pedia por socorro. E, gente, ai que vergonha. Tudo isso bem na frente de todos os homens que visei durante toda a choppada. A vida é assim: num segundo você tá requebrando de ladinho e e no outro você está humilhado, dentro de um esgoto publico. Todo mundo me gritando, eu estendendo a mão por socorro. Coisa horrorosa. Pensei em chorar, mas decidi que era melhor não aumentar o tamanho da humilhação já vivida. E é claro que sempre tem um espírito de porco, que te vê machucado e desnorteado e vem perguntar se está tudo bem.

- Pablo, tá tudo bem?
- Tá tudo ótimo. Amo cair no esgoto, sua besta.

Por favor, né. Mas também não dei o braço a torcer, para provar que sou macho com X de XOU BIXA, comecei a sambar de novo, como se nem estivesse com braços e pernas sangrando. Porque, sim, eu estava sangrando.

- Vou buscar mais uma cerveja e já volto, gaylêre.

E subi no primeiro ônibus que vi na minha frente. Ai, gente, num sei nem se tenho coragem de colocar a cara naquela faculdade outra vez. Precisava muito acordar formado amanhã. Por favor, meu Deus, coloca um diploma no pé da minha cama e eu juro que nunca mais cometo sodomia nessa minha vida. Por favor.

EU NÃO QUERO SER EU