Los safadinhos

4.8.10
Uma amiga minha estava reclamando que é tão azarada quanto eu quando se trata de homens, narrando da vez que ela pegou uma DST de um vibrador dela. Isso me fez refletir sobre a vida e ver que não é isso que quero pra mim. Não quero ter que comprar um vibrador para pegar DST. Quero pegar DST com pessoas reais. Daí né, eu tava em casa com dois amigos dia desses vendo um DVD e bebendo, quando me bateu aquele tesão louco. Como não sou de ignorar meus instintos mais primitivos, mandei o Júlio ir buscar uma cerveja. Tudo para poder trocar umas ideias e informações com o Daniel, o outro amigo que estava conosco. Júlio saiu do quarto.

- Amigo, tô bem com tesão, e você? (eu, verdadeiro demais)
- Também. (Daniel, parceiro de coração)
- Você visa dar uns pegas no Júlio?
- Não sei.

Tem coisas na vida que não tem preço. Eu, não tenho é valores.

- Se você fizer, eu também faço. (Tô dizendo...)
- Vamos nós dois pegar ele, Pablo? Não vamos ficar parecendo promíscuos?
- Nah. Que nada.

Armamos, então, o seguinte esquema: o Júlio voltaria com as cervejas, eu daria aquele beijo nele. Em seguida, eu iria fingir precisar ir ao banheiro e Daniel o beijaria enquanto isso. Depois iríamos fingir que estávamos muito dos inocentes nessa situação toda e que eramos amigos muito dos falsos um com o outro. E ainda aproveitaríamos para saber o grau de canalhice de Júlio. Coisa horrorosa. Júlio é branquinho, cabelos negros, olhos grandes. Daniel é loiro, tem os olhos claros. Eu, negão. Eramos quase que a versão gay do É o tchan naquele quarto.

- Mas será que não vai ficar chato pra gente, Pablo?
- Confia em mim, amigo. Eu pensei em tudo.

Não sei se é mais arriscado o fato de Pablo estar pedindo confiança ou se o fato de Pablo haver dito que pensou em tudo. Gente, quando eu falo que já pensei em tudo, é porque eu não tô pensando em mais nada além de mim. Fica aqui o aviso.

Dito e feito. Júlio chegou com as cervejas. Lancei aquele olhar, assim meio de lado, dei um sorrisinho de Eliana pós Botox e peguei mesmo. Seguindo com o plano, corri para o banheiro alegando ter de pentear o cabelo porque, ah é, esqueci de comentar: eu estava com o cabelo cheio de creme hidratante, penteado partido ao meio. É assim sexy que eu fico em casa, quando não tô esperando por visitas. Sem mais. Quando voltei, lá estava Daniel olhando para o teto, todo trabalhado na melhor atuação do ano e Júlio, com aquele sorrisão aberto, cara de felicidade não tem fim.

Sentei novamente para assistir o DVD e fiz como que tá tudo normal no meu mundo da fantasia. Mas né, nem estava. Júlio levantou e foi fumar um cigarro, parecia estar bolado com algo. Panico no recinto. Ele deve estar em crise emocional por causa da situação, pensava eu. Corremos atrás dele.

- Júlio, o que houve? (Pablo, você é muito sonso. Parabéns.)
- Nada, não.

Era o momento de fazer cena. Cena das grandes. É que Júlio é um amigo que tem fama de fazer climão do nada, às vezes. Meio temperamental. Por exemplo; uma vez estávamos na minha piscina bebendo e fazendo festinha, quando Júlio fechou a cara e saiu do n-a-d-a para ler jornal. Ficou um clima pesado, todos se perguntando o que é que havíamos feito para ele se magoar e ficar tão emburrado. Se ele estivesse culpado, aquele era o momento de jogar baixo e fazer o que eu sei fazer de melhor: papel de coitado.

- Júlio, por quê isso? Por quê? Você sempre fazendo climão do nada. Não aguento mais isso. Eu quero ser feliz! [lagrimas de crocodilo]

A noite estava ficando cada vez melhor, galera. DVDs, bebidas, pegação homossexual, tramas, artimanhas e um monologo só meu. Poderia jogar minhas mãos para o céu e morrer feliz, ali mesmo. Eu te amo com todas as forças, destino. Você é um delicinha sangue bom.

(Júlio) - Não é mal humor do nada. É que...
- É que, o quê? (eu, claro)
- Eu ouvi uma coisa, mas deve ser a bebida.


Eu e Daniel ficamos com o rabicó todo apertadinho de tensão.

- Foi a bebida, com certeza!!! (Daniel, desesperando)
- O que você ouviu? (eu vou direto ao ponto)
- Nada, não. (Júlio, virando o jogo)

Se a situação fosse uma partida de futebol, ficaria mais ou menos assim a narração:

JÚLIO PEGA A BOLA DE PABLO E DANIEL, VAI PARA A BOCA DO GOL E FICA BRINCANDO DE PEPÉ EM CIMA DA CABEÇA DOS DOIS OTÁRIOS.

- Fala! (gritei mesmo, estava ficando mais nervoso)
- É que na hora de ir buscar a cerveja, fiquei ouvindo atrás da porta durante um tempo. Ouvi você e Daniel combinando de me pegar.

JÚLIO CHUTA E É GOOOOOOOL!!!!

- Foi a bebida, com certeza!!! (Daniel, desesperado)

Enquanto Daniel estava em trinta tons de vermelho-vergonha, te contar que não sou de ficar por baixo, logo tratei de ver a situação como ela tinha de ser vista:

- Você O QUÊ? Escutou atrás da porta?
- Aham.
- Você não tinha esse direito. Quem você pensa que é, Júlio? Somos eu e Daniel dois amigos, trocando confissões, e você escutando a-t-r-á-s d-a p-o-r-t-a?
- Mas...
- Isso foi muito baixo da sua parte, Júlio. Não foi, Daniel?
Daniel, com olhos arregalados, não se moveu.

- É ou não é, Daniel? (Gritei de novo. era a minha moral que estava em jogo.)

Ele sacudiu a cabeça, sinalizando que sim.

- Não queremos mais falar com você. Vamos sair daqui, Dani. Vem.
E saímos.

Olha, não é de hoje que quando fico nervoso tenho crises de riso. Nessa minha vida é um desespero quando os amigos me contam coisas tristes, porque me dá vontade de rir. Mas é de nervoso. Juro. Aí, né, comecei a rir. Estávamos com nossos nomes na lama. Voltei aos risos.

- Ih, menino, que bafão você ter escutado isso, ein.
- É. Com isso, o que você queria, testar meu caráter, Pablo? (e o Oscar do garoto mais espertão do ano vai para...)
- Claro que não, bobo. Tava mesmo é querendo defender o meu. (he-he)

Júlio se aproximou de nós dois, se apoiou com os braços na porta e com boquinha sexy (uh-lala), perguntou o que faríamos agora que ele já sabia de tudo.

- O que vocês pretendem fazer, agora que já sei de tudo?

Ah, não. O meu sangue ferveu e me subiu à cabeça.

- Tipo assim, se você tá achando que nós somos esse tipinho de gay que faz surubão e faz pegação à três, tá demais do enganado. Isso não vai acontecer.

Deu nem quinze minutos depois...

Estávamos nos pegando na minha cama. Minha gente, keki era aquilo. Um fogo, um fuá.

Querida Rita Lee, só queria te dizer que HOJE eu te entendo quando você canta não querer luxo e nem lixo, e sim, só gozar no final. Você é malandrona.

Te amo, garota! Tamo junto.