Caso investigativo 0001

19.8.10
To precisando parar de beber com urgência. Em um fim de semana só, a bebida me trouxe dois mistérios ainda não solucionados. O incrível caso do "O dinheiro que perdi" e o incrível caso do "Aonde é que eu estou e para onde eu vou?". Te contar.

Caso 1. Dia desses fui numa festa aqui na cidade, coisa de rock. Encontrei por lá o cara pelo qual fui apaixonado e vem a ser o protagonista do meu livro, que bem sairá em novembro. Comecei a beber. 13 latinhas depois, eu não sabia nem mais qual era minha cor de pele. Tava muito do achando que eu era verde neon, só por causa das luzes da boate. Foi então que... eu acordei em casa. Começava aí o grande mistério. O que será que tinha me acontecido? Será que dei vexame e dancei até o chão segurando no mastro da escada, outra vez? Tomara que eu não tenha bebido demais a ponto de ter corrido até o tal Fulano para dizer que tchururururu jogou seu charme em mim, tchurururururu não resisti tô afim, numa citação à incrível musica do cantor Latino. Intrigado, fui lavar o rosto e começar a apurar o que me tinha acontecido na noite anterior. Desci as escadas - acompanhado por Fifi, minha fiel ajudante e cadelinha poodle, escorregando as mãos pelo corrimão. Ao chegar na cozinha, gritei um "bom dia, baixinhos" todo especial e nada dos meus pais me responderem. O clima era de pura tensão. Cada vez ficava mais real na minha cabeça a ideia de que eu pudesse ter dançado pelado com uma latinha de Devassa na cabeça, gritando pelo baile que eu era Bem Loura. Meus pais nunca iriam me perdoar.

- Você não tem vergonha. (meu pai)
- Não mesmo. (minha mãe, concordando)

AI, MEU DEUS. Eu dancei pelado com a Devassa na cabeça. Nunca mais vou colocar a cara nas ruas dessa cidade. Nunca mais.

FLASHES, TUMULTO
Pablo Rodríguez está dando uma coletiva de imprensa

"- Querido povo de Niterói, venho até vocês dizer que na noite de ontem um grande mestre shaman, guia espiritual de uma antiga tribo Aimoré, perdida entre arvores Pau Brasil, me puxou num cantinho, me deu um coió e fez baixar em mim a alma da nossa querida e saudosa Dercy Gonçalves. Por isso eu estava pelado. Boa noite e obrigado."

- O que eu fiz, pai? Me conta, por favor, mãe! (eu, detetive - desesperado)

Sentamos. Comecei a arrancar informações. Algo havia se passado na noite anterior e esse algo deveria ser prontamente descoberto, antes mesmo do sol se pôr. Depois de cinco minutos de conversa, os fatos começaram a reluzir.

FOCO DE LUZ
Pablo Rodríguez se encontra no escuro de uma rua qualquer, no centro da cidade. O jovem faz sinal, um táxi meio surrado para prontamente à atende-lo. Após entrar no veiculo, Pablo, às três da manhã, disca para o pai.

- Alôu você. Eu e a globo, tudo a vê. ki ramashmacatashi. kkkkkkkkk (???)

E passei o celular para o motorista do táxi, enquanto tentava parar de rir:

- Seu filho se jogou no banco de trás do meu táxi e mandou que eu me virasse. Eu disse que não podia fazer nada e ele falou que não vai descer.

Obvio que meus pais não gostaram dessa informação. Passaram cerca de meia hora me contando sobre casos de homossexuais que se jogaram bêbados no banco de trás de táxis, dizendo para que os motoristas se virassem, e foram encontrados, dias depois, no mato com a boca cheia de formigas. Apelaram, só porque eles sabem que tenho medo de baratas e besouros não, mas saio batido quando vejo uma fileira de formigas. Sofro dessa fobia.

E mais: dizem às más línguas (minha mãe...) que quando o motorista de táxi perguntou onde é que eu morava, eu disse que morava no restaurante Porcão.

- Para onde o levo?
- Para casa.
- Onde fica sua casa?
- No restaurante Porcão.
- Ninguém mora no Porcão.
- Então, se vira.

O que deixa claro apenas uma coisa, até quando eu bebo um bucadinho demais, sigo sabendo que estar no Porcão é muito do fino. Enfim, o caso parecia estar esclarecido. Como se tratava de uma tarde de sábado, matutei: agora que tô em casa e já sei mais ou menos o que me ocorreu ontem, posso começar a me arrumar para sair essa noite. Quando coloquei a roupa e peguei na carteira, menino, cadê meu dinheiro? Tipo assim, não era possível que eu pudesse ter gasto 200 reais em uma festa de rock (onde a cerveja custava 4 latinhas por 10 reais) das onze da noite às três da manhã. Talvez eu tivesse sido assaltado. Ou talvez eu tivesse sado dinheiro para alguém. Ó MEU DEUS, será que eu paguei cerveja pra todo mundo? Isso é, definitivamente, a minha cara. Mas infelizmente, esse caso nunca que foi solucionado. E foi por isso que Pablo Rodríguez passou o resto do fim de semana em casa, assistindo fantásticos documentários sobre o reina animal. Quer dizer, até eu encontrar dez reais perdidos no meu quarto...