desabafo

28.7.10
Cara, fico bolado com isso de pelos corporais. É cada lugarzinho que eles nascem. A ultima é que me deu de nascer uns pentelhos escrotos no peito do pé. Não sei lidar.

Me nego a depilar o peito do pé. Me nego.

Fugi

Saí corrido da argentina, antes da hora. O programado era partir para Bariloche junto ao Germano, em seguida voltar e ficar mais tempo em Buenos Aires. Mas arrumei umas confusões, meu coração falou mais alto em alguns momentos e pronto, pedi para voltar. Isso mesmo. Eu estava viajando e me divertindo, e num momento de impulso, pedi para voltar. Não preciso nem dizer que chorei muito quando cheguei ao Rio e me dei conta da merda que tinha feito. Mas beleza. Foram os melhores dias da minha vida e n-a-d-a poderia fazer ser melhor, nada poderia me fazer pensar que poderia ser melhor. As pessoas, os lugares, as historias, as risadas. Tudo, tudo, fez muito sentido.

Conheci duas brasileiras que se tornaram minha paixão, Carol e Emelle. Foi só amor a primeira vista. Nos olhamos, sabíamos que não ia prestar se nos juntássemos e voilá, partimos juntos pra noite. Daí todo mundo me conhece: adoro fazer o puteiro acender as luzes e o show ser pura emoção. Aparecia um gringo gato, a gente avistava, escolhíamos quem seria a vitima e era só partir pro trabalho. Tudo teria sido mais fácil se as meninas não estivessem acompanhadas de uns outros gringos amigos nossos que também estavam lá. E foi assim que começamos a criar esquemas jamais imaginados para conseguir dar um perdido nos caras. Eu nunca tinha mentido tanto para um homem como naquela noite. Quer dizer... até já. Mas ninguém nunca esteve lá para ver e servir de testemunha. Ah. Não quero falar sobre isso. Mas tudo deu certo. Aliás, eu fiz mó climão no hostel nessas de jogar as meninas nums caras aí.

Avistei uma vitima, puxei Emelle e fomos até o gostoso. Dois minutos depois, estava eu tentando me justificar. É que o cara estava hospedado no nosso hostel, junto com o namorado que, oops, passou a não gostar muito de mim, não. Mas fazer o que né, gente, se eu bebo e não consigo reconhecer rostos. É por isso que eu sempre acabo pegando as pessoas que eu pego nas buatchys.

Sexta to bem partindo de viagem, outra vez. Mas também não quero falar sobre isso. Eu agora quero ser discreto. Bem acho que combino com isso de discrição, menino. Bem acho.

obs: o menino que a Emelle tava pegando lá em Buenos Aires foi pruma boate gay e apanhou de um travesti. Diz muito ele que foi tudo uma grande confusão e o soco foi daqueles acidentais. Não vou colocar aqui minha opinião sobre o caso porque, como já disse, sou discreto demais. hoho

Saludos cordiales!

As ultimas

27.7.10
As ultimas noites aqui foram muito loucas e cheias de animação, minha xente. Olha, surgiu no albergue um austríaco que ó, palmas ao criador. Também tinha um uruguaio que foi babado, confusão e gritaria. Me chamou pra ir para a casa dele no Uruguai ontem e voltar amanha para Buenos Aires, mas fiquei com preguiça. Com isso de não ter passagem pra voltar ainda e meus planos terem sido alterados por causa de homem, talvez eu dê uma passada no Uruguai. O foda é que eu to meique apaixonado por um Chileno. Mas não vou falar sobre isso, definitivamente. Aliás, peguei dois ontem. Um no banheiro, outro na rua. Nunca que vi tanto hetero me dar tanta moral numa noite. Porque, ah é, eu converti eles dois ontem. Obvio que os embebedei. Mas também não quero falar sobre isso. Vou parar de postar, não to bem hoje não. To postando igual adolescente que fez blog ha pouco tempo e não sabe organizar o texto.

tchau, xente. saludos cordiales!

Adios

Quando vidas se cruzam, é inevitável o dizer Adeus. Sabemos desde sempre que tudo aquilo que se é, pode dar-se a não ser-lo mais. O que fazer com as pessoas que passam e nos deixam suas marcas; o coração febril de felicidade, metralhado pela dor da ausência? Os amigos que fizemos, os quais guardam em nosso peito a angustia da quase certeza de que não os voltaremos a ver, serão nossos elos sentimentais, os trechos do filme da vida que valeram a pena - laço que unirá um momento ao outro. Levaremos para sempre na lembrança os sorrisos vistos e divididos, as palavras escutadas. É tao bonito ver a magica da vida acontecer, viver aqueles momentos onde ao vermos algum desconhecido, nos arrebatará a sensação de conforto, afeto; só por haver ali, em um rosto nunca visto, algo de familiar com aquele que já não está ao lado. Um dia lembraremos daquela pessoa ao ouvir algum outro passar ao lado falando ao celular, ou por alguma risada dada a distancia. O tempo parará, um projetor de sensações indefiníveis nos enfraquecerá a atenção e, por fim, seremos jogados as recordações. Sorriremos ao fitar o nada e sentiremos ecoar por cada parte de nossos corpos a melancolia de dias que se foram e sempre serão, ainda que não sejam mais. Fotos que se perderão em mudanças, memoria que reproduzirá em 3 segundos dias inteiros vividos, novas pessoas, momentos e marcas. Tudo magica do viver. Sendo inevitável dizer Adeus, mudo o script: Com o coração na mão, venho apenas dizer obrigado. Que nossos caminhos voltem a se cruzar, mesmo que somente em memoria. Minha memoria.

Pablo Rodríguez

Noite 03 - Buenos Aires

24.7.10
Meus pais devem ter um santo muito forte. Tô numas de evitar beber, então, ontem saí com o Germano e o Nacho, pessoas que não curtem beber e que são anti drogas, quando pensei: bem que seria legal arrumar uma bala (clique aqui, se não sabe do que falo) e ficar doidão fora do país. Daí eu só precisava fazer isso escondido, sem meus amigos verem e tudo ok. Afinal de contas, são essas ideias boas que me fazem ser quem sou.

Antes de irmos para a boate, demos uma passada na casa de massagem para beber e ver as meninas. Perguntei se sabiam onde encontrar bala e geral por lá me disse que fazem programa sim, mas usam drogas não e começaram a me aconselhar a não usar também. Não entendi nada.

- Gente, hello, vocês deveriam ter a mente mais aberta. Olha onde vocês trabalham!!!

Batemos um longo papo, e fomos embora para não estragar o faturamento da noite delas. Conversei com a loira que me causou problemas na primeira noite e já esta tudo bem, gente. Somos amigos e vamos nos adicionar no facebook. Olha, nunca na historia dessa minha vida eu imaginei que fosse frequentar um puteiro tão assiduamente. Meu pai deveria estar soltando rojões de felicidade e dançando xaxado ao invés de ficar me enviando e-mails de ameaça, mandando que eu volte para a casa imediatamente. Pai, eu sei que você esta lendo, então saiba que é assim que eu penso.

Chegamos na boate e, bem, agora estava simples: bastava perguntar as pessoas onde é que se compra bala. Avistei uma gordinha de óculos escuros e cerveja na mão (óculos escuros na noite = drogas).

- Me diz, onde é que eu consigo disso que você tomou? (eu, discreto)
Ela arregalou os olhos, e saindo de fininho com ar misterioso, me disse:
- No banheiro da área vip, procure uma menina de vestido branco bem longo.

Gente, quanta aventura. Agora eu só precisava arrumar um jeito de entrar na área vip, já que eu não estava nem perto de vip ser. Avistei uma outra gordinha, cheguei nela (sim, gente, é tudo verdade que eu dou preferencia a puxar assunto com gordinhos na balada. eles são mais simpáticos.). A gordinha me disse que era só pagar e ela me descolava uma pulseira. Entrei na área vip. Corri no banheiro, que era unissex, atras dessa mulher de vestido branco. Nada da mulher aparecer. Olha, me bateu uma angustia no peito. Não era possível que eu tivesse pago uma área vip e essa mulher não estivesse ali. Resolvi perguntar ao segurança da boate. Aham. Eu fiz isso, sim, pessoal.

- Moço, vem cá, você viu uma mulher de vestido branco, bem longo?
- Não.

Saí do banheiro bufando. Missão numero 2: encontrar a gordinha safada que mentiu pra mim e falar umas boas verdades na cara dela.


- Você fede e seu cabelo é feio!!!

Comecei a rodar na boate atras da gordinha. E nada. Uma realidade chocante que o mundo precisa ficar sabendo: Buenos Aires está com um índice de obesidade feminina altíssimo. Todo mundo aqui é gordinha esquisita na noite. Tem que ver isso aí. Fui atras de perguntar pra outra pessoa. Um menino me parou, me deu um beijo. Terminei de beijar.

- Prazer, Pablo.
- Prazer, Dante.
- Dante, posso te fazer uma pergunta?
- Sim.
- Onde que eu acho bala?
- Aqui dentro é difícil. Mas vai no banheiro da área vip, procura uma menina de minissaia.
- Ok.

Essa menina que vende drogas deve ter um armário super bombado, cada hora tá com uma roupa diferente, pensava. Voltei batido pro banheiro da área vip. E se você acha que encontrei a menina, você ta totalmente enganado. Achei nada. Foi por isso que na raiva eu desisti disso de droga do amor e corri num segurança da boate.

- Moço, te contar que tem uma menina de minissaia e uma de vestido branco longo por aqui e elas tao bem vendendo drogas no banheiro da área vip. hehe

E fui para a pista de dança beber e dançar, para o alivio geral dos meus pais e da nação. Acordei deitado em berço esplendido, ainda meio bêbado. Parece que eu caí na pista de dança e gritei alguma coisa em português. Devo ter gritado por socorro. Pegamos um Táxi, eu e Nacho, já que Germano sumiu com um menino que ele conheceu por lá. E todos viveram felizes para sempre.

ps. pai e mãe, não se preocupem. Eu estou bem. Não pretendo mais beber e não vou bancar o rebelde outra vez. Mas eu merecia uma noite louca dessas, tentem entender. Não vai se repetir (e se repetir, não vou contar para vocês). Os amo.

Beijos, Pablito

Noite 02 - buenos aires

Voltei la na casa de massagens e não me deixaram tirar fotos nem com, nem das meninas e do Rodrigo. A cafetina disse que nem em sonhos. Daí para compensar, eles me disseram pra voltar dia seguinte outra vez, eles iriam bancar nossas bebidas - e juraram não colocar boa noite Cinderela. Muito amáveis. Fiquei bastante amigo de uma menina chamada Flor hoje, que tem vinte anos. Pele bem branca, olhos grandes e doces, bochechas rosadas, muito linda. Ela começou a trabalhar com isso há 3 meses. Me disse que teve de sair de casa, os pais não aceitam o fato dela namorar meninas. Hoje ela esta casada com uma mulher e vive em um apartamento quarto e sala, o qual paga com o dinheiro que tira na noite. Ela tira cerca de 80 pesos por noite (algo em torno de 37 reais), isso quando a noite é muito boa. É com essa explicação que ela justifica o fato de nunca ver a luz do dia, já que precisa trabalhar de segunda a segunda e não tem como ficar acordada enquanto o sol esta refletindo nas vidraças dos luxuosos prédios de Buenos Aires.

É incrível como uma historia que tinha tudo para acabar mal acabou de uma maneira tao terna. Eu, realmente, gostei de todas as meninas e do Rodrigo, e eles tem sido muito carinhosos comigo. Me disseram que é muito raro alguém entrar ali sem segundas intenções, sem maldade, de coração tao aberto como eu o fiz. Estando ali, conversando de igual para igual, num ambiente que parece muito pesado e que se torna leve devido a eles, é inevitável que se pense no como a liberdade ou o medo de enfrentar os problemas pode fazer a vida ser mais difícil do que quando levada com milhares de amarras. Ha de saber equilibrar os voos, para que os momentos onde tenhamos de colocar os pés no chão não sejam tão pesados. Ícaro se encantou tanto com a liberdade, que ao voar tentando fugir da Ilha de Creta, voou tão alto e para tão perto do sol, que acabou por ter suas asas de cera derretidas, caindo no mar e sendo levado pela correnteza.

De lá da casa de massagem parti para uma boate com o Germano (que aliás, se apaixonou por um outro miche que trabalha lá com as meninas) e claro que fui atras de putaria nessa boate. E menino, te contar que encontrei, ein. Assim que cheguei, me meti no darkroom - e não havia quem me tirasse de lá. Só não conto mais detalhes porque, sim, eu não lembro de nada. Parece que eu machuquei o joelho por haver ficado muito tempo numa posição só. Mas ninguém viu para me confirmar, e se ninguém viu, eu nada fiz.


Saludos Cordiales!

novo lar

22.7.10
Cheguei no hostel novo. Não fui com a cara da americana que esta no meu quarto. Vai dar merda. Eu me apaixonei pela atendente do outro hostel. Quero voltar. Tenho que ir, vou a um show. Beijos

Noite 01 - buenos aires - parte 2

21.7.10
23hrs, cheguei no meu albergue. Noticia bomba numero 1: Cheguei atrasado no albergue e minha reserva tinha sido cancelada. Tava sem ter onde dormir. Noticia bomba numero 2: Germano, meu amigo e companheiro de viagem, sumiu. Estava sozinho. Parti prum albergue que fica aqui no subúrbio da cidade (to postando daqui), e amanha vejo o que faço. Não tem nem condições de lavar o rosto no banheiro deste albergue, sem pegar uma infecção generalizada. Deixei todo meu dinheiro na mala, peguei 80 pesos para táxi e, quem sabe, alguma urgência. Não levei mais que isso para não acabar gastando tudo com coisas bobas. Sentei para pensar. Sei que deu 23:30hrs resolvi voltar no albergue do Germano para ver se o encontrava. Não encontrei. Era oficial, estava sozinho e sem rumo. Enquanto isso, no quarteirão de trás do Albergue do Germano, rolava uma boate de prostituição com shows ao vivo. Pensei: POR QUE NÃO? Corri para lá. Afinal, nunca tinha entrado num lugar desses. Talvez valesse a experiencia - sem contar o fogo que eu estava.

00hrs, cheguei lá. Clima tenso. Fui recebido por uma loira, me encarava fundo e fazia a fofa. Descobriu de cara que sou gay, mandou chamar um moreno sensual. Moreno Sensual, nome Rodrigo. Achei lindo. Fazia aquele estilo sexy amante latino que te pega e te devora. Pediram uma cerveja para mim. Gostei.

- Vou te explicar como funciona, coração. (loira)
- Pode explicar.
- Você não paga para entrar, paga somente a consumação.
- Ótimo.

Com cinquenta pesos no bolso, tomo varias cervejas e bato papo com as putas e de quebra talvez até descole uma masturbação grátis com esse garoto de programa. Isso sim que é noite, pensava. A loira pediu um drinque para ela e um drinque para o Rodrigo. Ótimo, começamos a bater papo. Contei o que faço, quem sou. Fiz perguntas sobre a profissão deles. Senti que havíamos nos tornado amigos. 01hrs AM, me perguntaram se eu não queria ir para o quarto privado, ficar mais a vontade. Disse que não (mas é claro que eu queria, só não tinha é dinheiro). Fim da amizade. Se eu não ia foder, não tinha porque me darem trela, devem ter pensado. Rolou climão e pediram que fechassem minha conta. Minha conta chegou:

Drinque da loira - 130 pesos
Drinque do Rodrigo - 120 pesos
Minha cerveja - 80 pesos

E eu com cinquenta pesos no bolso. Olha, vou mentir não, comecei a chorar. Foi um fuá dentro daquele prostíbulo que só vendo. A loira logo se estressou, mandou eu abrir a carteira e passar tudo que tinha. Quando ela falou em passar tudo que tinha, logo me imaginei e cueca nas ruas geladas de Buenos Aires. Pra quê? Chorei mais, pensando no como iria voltar para o meu outro hostel no subúrbio da cidade.

- Você vai ao banco 24 horas que fica a duas quadras daqui e vai voltar com o dinheiro, entendeu? (Cafetina)
- Eu tô com medo... (eu, chorando)

Daí o moreno sensual me abraçou, me puxou num canto, me deu uma água e foi conversar com a cafetina. Voltou.

- Eu me responsabilizei por sua divida. Você pode ir ao banco e voltar, confio em você.

Minha gente, quando ele falou que c o n f i a v a em mim, comecei a pensar:

E SE NA MINHA CERVEJA TINHA ALGUMA COISA? E SE MANDAREM ME SEGUIR ATE O CAIXA ELETRÔNICO, ME MATAREM E LEVAREM MEUS PESOS TODINHOS?

Comecei a chorar mais e mais.

- Vamos la comigo, por favor, Rodrigo. (Eu - chorando em espanhol, igual a Maria do Bairro)
- Não precisa chorar. Eu não posso sair daqui de dentro.
- É. Ele não pode sair. (cafetina)

Adivinha? Chorei mais. Tava num apego a Rodrigo que só vendo. Tava numas de achar que eramos só nós dois nesse mundo que quer nos machucar. Aconteceu que liberaram ele de sair de la comigo para ir ao tal caixa. Fomos conversando no caminho. Ele me disse o nome real dele, mostrou identidade, falou da vida. Ih, meus amores, ficamos best friends forever. Amigos inseparáveis. Acho que to ate gostando dele. Nessas aí que cheguei ao banco e surpresa dois: saldo zero.

Obrigado a todos, eu sempre imaginei uma morte glamourosa, mas morrer assassinado por putas nas ruas de Buenos Aires foi exatamente algo muito alem do que qualquer sonho lindo que sonhei. Se perguntarem, digam que amei todos vocês e por favor, desmintam o boato de que chupei um negão chamado Buiú nas escadas no meu antigo prédio.

Rodrigo disse que tudo bem, que ele pagava a divida por mim. Que ia ficar sem receber duas semanas para isso. Aceitei. Mas aí, tive uma ideia.

- Vamos comigo no meu hostel e eu pego o dinheiro que tenho lá e voltamos. Vamos.
- Não posso entrar num táxi com você.
- Mas por que não?
- Estamos sendo vigiados.
Gente... gelei.

Peguei um táxi e voltei para cá chorando. Então, uma força dos Céus bateu no meu ser e resolvi que ia pegar dinheiro aqui e voltar, para pagar a divida com as putas e ainda ficar mais tempo bebendo com Rodrigo. Dito e feito. Menino, quando eu surgi na boate de novo, foi mais um bafafá. Sei que joguei o dinheiro no balcão e todo mundo veio me abraçar e me dizer o quanto eu sou fofo demais da conta.

- Ninguém aqui acreditava que você fosse voltar e ajudar o Rodrigo. (cafetina)
- Mas... (eu)
- Podem liberar as bebidas para esse menino beber de graça a noite toda aqui!
Ela gritou.

E u g a n h e i b e b i d a s g r a t i s.

Sentamos eu e Rodrigo, disse que não queria a loira com a gente, que não gostei dela. Mandaram logo ela ficar longe de mim. É que eu sou... poderoso. Minha gente, muito legal. Daí resolvi que ia dar dinheiro por fora para o Rodrigo, só porque ele era muito gente fina. Armamos um esquema e dei o dinheiro. 200 pesos. Nos beijamos escondidos no banheiro e eu senti o volumão dele. É isso aí. Só sei que amanhã já marquei com todas as putas e Rodrigo de ir la beber e jogar papo fora. Parece que vou ganhar mais drinques e posso levar quantos amigos eu quiser. Vou tirar fotos e fazer vídeos.

Gente, essa viagem ta demaaaais!!! Voces tinham que estar aqui!!

BEIJOS

Noite 01 - buenos aires - parte 1

Gente, vocês não tem IDEIA do que me aconteceu. Na boa. Iniciarei por partes, já que é tanta coisa que vocês vão ficar de cara. Assim que cheguei no aeroporto de Buenos Aires, corri para pegar meu táxi e ir para o meu hostel. Até aí, beleza. Normal. Comecei a rezar "Por favor, querido Deus, me mande um taxista muito gostoso". Eis que surge meu taxista: um loiro, olhos verdes, muito gato. M-u-i-t-o gato. Fiquei imediatamente tenso. Muito tenso. Sentei no banco de trás, quieto, na minha.

- E você, faz o que da vida? (ele)
- Eu escrevo. (eu)
- Legal... (pausa) de onde é?
- Brasil...

Sei que começamos a conversar e rolou papo de boate.

- Que boates você me recomendaria? (Eu, cansado de sair nas boates de Buenos Aires)

Comecei a rezar "Por favor, querido Deus, que ele fale uma boate gay e nós possamos fazer um sexo animal dentro deste táxi".

- Amerika é muito boa. (Amerika = Boate gay = ele dando a resposta certa = Deus provocando que é existe e é por todos os homossexuais do planeta)
- E você, é casado?
- Sou. Tenho uma filha de cinco anos.
- Acho tão sexy homem que tem filha... hehe
- E sigo vivendo o que a vida me oferece.

- Tem quantos anos?
- 25 e você?
- 22.

Daí né, gente, o assunto foi rolando, desenvolvendo e... num é que ele me mandou passar pro banco da frente?

- Tá confortável aí atrás ou quer vir aqui para frente?

Obrigado por me receber de braços abertos, Buenos Aires.

- Ai, tá ruim aqui atrás. Quero ir para frente.

Passei para o banco da frente. Ele colocou a mão no lele-lele-á dele e ficou me encarando, já todo trabalhado no enrijecimento.

- Você quer curtir Buenos Aires? (ele)
- Quero. Quero muito curtir. (eu, meio tonto de felicidade)
- E o que você topa?
- To-to-pa-n-do-tu-do.
- Me fala uma coisa que você esteja com vontade de fazer agora.
- Agora, agora?
- Sim.
- Diz você primeiro.
- Eu que fiz a pergunta - eu sou o taxista, você o passageiro. (ele, sexy)
- Eu quero isso.
E meti a mão onde eu estava querendo muito.

Não tirei mais a mão de lá. Enquanto ele perguntava se eu estava curtindo, minha mão estava lá, fazendo caricias e movimentos loucows. Juro que pensei em partir para outras praticas que envolvem a boca, mas parece que poderíamos ser presos. Mas então. Seguimos conversando, eu com a mão lá, quando...

- Você quer que eu te coma? (Pablo, é hoje. Olha para ele. Você merece, amigo!!! Libera esse Marquês de rabicó!!!)
- Quero. Onde?



- Não tenho local, isso é um problema. (Gente, ele é muito sexy. Tô derretendo.)
- Eu pago o motel.
- Paga mesmo? Eu sou taxista, não tenho dinheiro. (Tô falando, gente... que coisa meiga)
- Vamos!
- Tem camisinha?
- Não.
- A gente compra.

E partimos rumo ao motel. Minha mão nele, ele com a mão em mim... É, ele colocou a mão em m-i-m:

- Você também tem um pacote bom. (Olha, não aguento mais encontrar heteros e eles começarem a virar passiva ao longo da noite. Tá me dando nos nervos.)
- hehe
- Já comeu mulher? (Mas que tipo de pergunta é essa? Dirige pro motel, mas fica quieto.)
- Não.
- Você chupa bem? (Ufa. E as coisas voltam ao normal...)
- Você vai saber. E pedir mais.
Rimos.

Cara, nunca na minha vida a minha cabeça esteve TÃO a mil. Muitas coisas passavam pela minha mente e nenhuma dessas coisas era desistir. Mas como é que eu ia explicar para ele que sou virgem? É melhor não falar nada e fingir que sou craque do sexo. É só virar a bunda e deixar a rôla rolar..., pensava. Ou então, eu vou deixar acontecer e no final de tudo, vou deitar minha cabeça sobre seu peito e dizer que ele foi meu primeiro e que talvez isso seja o inicio de uma linda historia de amor, seguia pensando.

Eu estava explodindo de tesão, na verdade. Ele colocou o dele para dentro da calça e parou para perguntar por um motel num posto de gasolina. Lá estavam os frentistas me encarando. São aqueles momentos que você sente vergonha de existir e queria ter nascido com uma mascara. Encontramos. Chegamos. Estávamos passando pela garagem. Gente, meu coração tava tipo bumbo de escolha de samba.

Squindum, squindum, squindum.

Comecei a socar mais forte para ele, de tanto nervosismo. E é claro que ele se distraiu entrando na garagem estreita, jogou o carro na parede e o carro era da empresa.

Squindum, squindum, squinduuuuuummmZzzzzzzZZZZzzzzZZZumm...

Vou pular a parte que ele chorou no meu ombro - porque yes, ele chorou no meu ombro - e vou direto para o pedaço que estávamos saindo do motel sem fazer nada e paramos para tentar procurar esmalte branco para tentar tingir o estrago. Daí pulo direto para parte que ele dizia que ia me levar direto para o meu destino e voltar ao trabalho. Gente... como assim vai me deixar no hostel e não vai mais me comer? Sei lidar não. Comecei a reclamar. Ele ria e dizia que um dia nos encontraríamos de novo. Gente... QUAL é a real probabilidade de eu pegar o táxi dele numa cidade com mais de dois milhões de habitantes? Olha... te contar. Acho que to apaixonado, mas ele não me deu nem o telefone, com medo da esposa.

Alguém me ajuda.

Tô em chamas e querendo dar para qualquer um.

Fui

Gente, to indo viajar. Tô com roteiro lotado, tô com animação total, vamos ver o que acontece nessa viagem. Espero que só coisas boas. Tipo assim, tô um pouco preocupado só porque estou partindo e esqueci de reservar um hotel para dormir, então, tecnicamente eu não sei naonde vou descansar meu corpo ainda. Mas tá beleza, eu sou negro. E na historia da minha raça, nós já passamos por situações bem piores.

Saibam tudo da viagem aqui pelo blog, ou sigam o meu twitter.

Tchau.

Enquanto isso...

16.7.10
Eu fico aqui pensando. Gente, nem tem sido fácil isso de me manter virgem até hoje. Eu tô chegando em limites jamais testados por pessoas sãs. Verdade que tenho assistido filme pornográficos pelo menos duas vezes por dia, há uns dez anos. Já vi e me interessei por todo e qualquer tipo de filme que você possa imaginar. Não curto nem lembrar daquela época em que eu jogava no google "Negros + comendo + Tailandeses". Pois é. Cada um com suas taras. Só que, meus amiugus, isso foi há uns três anos atrás, pensa só o quanto a minha doença já não agravou de 2007 para cá.

Descobri recentemente, graças ao incidente com o homem do umbigo pra fora, a minha tara por barrigudinhos. E não. Não estou falando de gordinhos e pessoas cheinhas em sua totalidade; Estou falando de barrigudinhos. Aquele tipo de gente normal que quando tira a camisa, nos revela um delicioso pedação de banha bem cremosa. Se tiver uns pelinhos salpicados por cima, mmm... que-que-isso-jesus. Chego a jogar minhas mãos para o céu. É por isso que eu estou procurando um tratamento psicológico mais especifico ou uma transa casual com urgência, tanto faz. Só preciso me livrar desses pensamentos. Porque, sabe, depois de constatar essa minha nova tara, cheguei num nível de não poder ser socorrido nem por sites pornográficos. Porque, fiquem pasmos com a denuncia a seguir: não existe a categoria barrigudinhos em nenhum site erótico. Você consegue encontrar qualquer tipo de categoria por aí nos sites: negros, loiras, teens, lolitas, lolitos, indianos, indígenas, nordestinas, cariocas, cabeças rosadas, cabeças vermelhas, suruba, oral, anal, vaginal, zoofilia, sexo escatológico, obesos, monstros, Rita Cadillac... Mas barrigudinhos você não vai achar. Podem tentar. Podem duvidar. Podem se d-e-s-c-a-b-e-l-a-r. Vocês não vão achar. Mas, também, no que eu estava pensando, não é mesmo? Só um grande idiota como eu para sair por aí entrando nos sites e procurando uma categoria chamada barrigudinhos. Eu sou mesmo muito inocente.

Inocência, muito obrigado por ser parte da minha vida, sua lindona. Lembranças à senhora sua mãe. Eu deveria ter me tocado desde o principio... e ter procurado em inglês. É isso. Gente, guenta aí um minutinho. Já volto. :D

updating: FALHEI

14.7.10
Gente, deu tudo errado. Acabo de voltar do banheiro, lugar onde registrei a maior prova de vida já vista nessa historia da minha existência. Coisa que nem parecia ser humana. Bem. Por questões de bom senso, não vou dar mais detalhes e pretendo encerrar o assunto.

Tenho como certo que se o governo americano tomar conhecimento do que eu fiz aqui no meu banheiro, vai acontecer a próxima guerra mundial - vão enviar espiões secretos e tudo. Acho bem que deveria ter batido uma foto.

Era livro dos recordes na certa.

ew.

carta de adeus

12.7.10
Todo mundo correu aqui nos dias dos namorados para saber o que eu tinha a falar sobre. a-ha. Se deram mal. Eu estava ótimo no dia dos namorados. Saibam. Melhor impossível. Eu fiquei em casa, comendo uma pizza, vendo um dvd. Exatamente como eu tinha planejado, desde o ano passado.

Tá. Não é bem assim. A verdade é que eu estou arrasado até hoje. Tão arrasado que eu resolvi que vou me matar. É sério. Daí eu corri aqui para dizer para vocês que não adianta tentar me convencer do contrario. Nada de muito bom está por vir, de qualquer forma. Não pretendo fazer muito mais do que já fiz. Me nego a malhar. Não tenho nenhum grande amor em vista que não seja um astro do cinema americano.

- Ah, você só quer aparecer.

- Bla bla blah

O lance é que eu não tô pretendendo ter uma morte qualquer. Não. Quero causar. Afinal, morte é tipo transar com homem de pau pequeno ou pau melado, coisa para se fazer uma vez só na vida. Porque vocês acham que não existe bolo em enterro? Porque bolo é coisa corriqueira. Bolo a gente faz todo ano pra aniversário e ocasiões religiosas. Morte pede coroas de flores, que custam pra lá de 300 reais, coisa que ninguém sabe pra quê serve e nenhuma senhorinha sem noção vai pedir uma vasilha pra levar um pedacinho pra casa.

- Oi, tem como colocar uns pedaços dessa coroa de flores aqui na vasilha, pra minha sobrinha que não pôde vir?
- Não. Se ela quisesse comer um pedaço da coroa de flores do enterro do Pablo, teria vindo vela-lo junto conosco.

No meu enterro eu vou bem querer uma coroa de flores toda feita com girassóis e orquídeas silvestres. Coisa horrorosa, mas coisa fina. E ó, quero ninguém de preto não. Vou exigir no meu convite (porque tô pretendendo que mamãe mande imprimir uns convites, claro...) que todo mundo compareça de azul turquesa. Preto já banalizou. Vou caprichar em tudo, já que meu enterro vai ser o mais próximo de um casamento que eu vou chegar nessa minha vida.

Ah é, mas então, como eu estava falando, não quero uma morte qualquer. Fui pesquisar sobre suicídio e nossa, só morte babaca, ein. Nêgo que se joga na frente de trem, nêgo que se joga da janela de prédio, nêgo que se corta todinho. E sem querer causar climão, vou jogar um dado assustador: tem nêgo que nem morre. Mó vergonha isso de achar que tá morrendo e acordar num manicômio. Rejeito a hipótese. Por isso que eu vou me matar de um jeito único e ainda aproveitar para sair na mídia:

Decidi que nunca mais vou fazer cocô. E vou morrer disso.

1, 2, 3 e começa agora.

Se eu nunca mais voltar aqui para postar, vocês já sabem. Tô morto. Se perguntarem, podem falar que eu morri todo enfezado - na merda. Foi muito bom dividir a minha vida com vocês, não chorem por mim. Vai ficar tudo bem. Até a próxima.

Saludos cordiales

é virus

2.7.10
Eu estava tipo Ivete Sangalo, com meu coração sem direçãããooo voando só por voaaar, quando me bateu aquela vontade de ir num site pornô. Como sou muito de ouvir meus instintos, bem fui. E a verdade é que eu tenho um perfil num site erótico e tô meio que viciado nele, sabe. Comecei a bater papo com um cara. Ih, gente, super interessante. Mas num é que notei que ele tava se exibindo com a câmera de cima do armário, enquanto ficava de barriga pra cima teclando com o laptop no peito? Fiquei cismado. Esse cara tá achando que me engana, pensei.

câmera do alto + barriga para cima = disfarçando a banha.

- levanta, por favor! (eu)
- Não... (ele)
- Anda logo. Levanta! (fala sério, era só o que me faltava. homem gordo querendo me enganar na webcam que é magro. não vou deixar passar.)
- Depois...
- Levanta agora. Vou desconectar, ein.


Depois de um tempo sendo enrolado, o cara levantou. Jesus.Maria.José. Que que era aquilo. O cara ainda tinha umbigo pra fora, pra vocês terem noção do que eu tive que ver online, em tempo real. Isso de umbigo pra fora me dá mó aflição. Parece que o intestino da pessoa tá querendo fugir pela barriga. Coisa horrorosa. Como não sou de fazer o fino, corri e contei essa minha opinião para ele.

- Olha, parece que seu intestino tá querendo fugir pela barriga. Coisa horrorosa.

Meus amigos, PRA QUÊ eu fui fazer essa besteira? PRA QUÊ. Ele me disse que já foi muito gostoso, faz nem dois anos atrás. Disse que ia me mandar foto. Foi lá e me mandou tal foto por e-mail. Recebi.

Gente, num é que me apareceu uma mosquinha ridícula que fica voando no meu monitor e comendo meu wallpaper? Bem já joguei no google e não existe isso de mosca que entra em monitor. Muito menos mosca que come wallpaper. Então, tá confirmado: o desgraçado me passou um vírus. Meu computador tá todofodido. Tô muito do bolado. Você entra num site atrás de prazer e sai no prejuízo. Afinal de contas, aquilo é um site pornô ou uma transa casual de uma pré-adolescente baixa renda rumo à gravidez precoce?

Te contar que eu to com uma raiva no peito que sei não, viu. Desossaria facilmente uma modelo promiscua hoje. Só não faço porque nada sei sobre futebol. O que também não quer dizer que eu não seja muito do bom quando o assunto é agarrar umas bolas. hehe

Saludos cordiales.

pensamento loucão

1.7.10
Eu não suporto dormir fora de casa. Sabe aquela sensação de colocar a cabeça no travesseiro e sentir um cheirinho esquisito na fronha e ficar sem saber o que fazer para conseguir ter uma noite agradável? Então. Até porque, poxa, é super deselegante virar para alguém (um amigo ou pessoa próxima) e comunicar que "olha só, seu travesseiro fede". Fica chato pra gente. Por isso que evito dormir por aí. Foi então que ontem meu poodle deu uma mijada histórica no meu travesseiro e fui pegar um travesseiro do quarto de visitas para dormir. Soem os alarmes: tava fedendo. Lembrei que minha tia dormiu com ele quando andou passando uns dias aqui. Ou seja. Só pode ter sido ela. Só pode. Agora eu fico me perguntando: como é que alguém sai de sua devida casa para dormir na casa de alguma outra pessoa e deixa o travesseiro dessa tal pessoa fedendo? Cara, eu fiquei com uma agonia muito estranha borbulhando no meu peito. Sei lá. Eu estava em casa com aquela sensação de não estar em casa estando em casa. Sabe. Tô me sentindo totalmente sem lar. Não sei explicar.

Pronto. Passou. Gente, desculpem-me pelo desequilíbrio. Eu estou lutando para sair dessa. É isso. Só precisava colocar para fora.

Obrigado e boa noite.