saving mari

25.5.10

Pablo Rodríguez diz:
Estou bem teclando com alguem no seu orkut, naquele talk. Num sei nem quem, mas a pessoa ja chegou te chamando de bonitinha, chamei de gostosinho também, porque sou desses. Vai que é o amor da sua vida?

Mari Bahdke diz:
MENTIRA?

Pablo Rodríguez diz:
Acho que arrasei. Olha o perfil dele aqui, ó. Bonito, ein. Investe nesse relacionamento, boba.

Mari Bahdke diz:
Vou ver quem é. Quero só ver se for fubango.

Pablo Rodríguez diz:
Parece que ele é cigano. Foi o que eu entendi.

Mari Bahdke diz:
PABLO, ELE TEM 70 ANOS!!! PUTA QUE PARIU!!! Sai do meu orkut!!!

Pablo Rodríguez diz:
MARIANA, ELE É CIGANO, para de ser boba. Eu ein. Nunca mais te ajudo, vai ver só.

kill Bill

Tem um moleque que eu sempre quis pegar e acaba que nunca que pego por gostar de fazer charme. Ele chega em mim, eu dou mole e na hora H... eu saio correndo. Até que semana passada não deu para correr. O que foi um desastre, devo dizer. E, novamente, perderei amigos e ficarei mal falado na cidade. Mas ok. Falar mal de mim é fácil, quero ver é pagar minha comanda na boate.

Estava eu, com meu sapato italiano, caríssimo, em uma roda de amigos e notei a presença de um cara, o qual chamarei de Bill (sim, é por causa do Bill de Kill Bill). Comecei a dar mole para ele, ele começou a retribuir. Fiquei me achando rei dos sete mares. Sabe como é. Não é sempre que um gostosão metido à heterossexual, de olhos azuis, fica te dando mole na praça. Trocávamos olhares, eu ficava todo animadinho. Tudo estava indo muito bem. Até que... ele resolveu fumar um baseado. Por mim, ok. Lá foi ele. Fiquei esperando, como persona aflita que sou. Voltou meio estranho. Uma amiga se aproximou de mim:

- Pablo, me da aí cinco conto pruma cerveja.

Dei. Ela se foi.

- Nossa, que absurdo ela ser abusada assim. (Bill, revoltado)
- Pois é. (eu, concordando com ele)

É fácil me fazer de bocó. E acho sempre fofo quando os homens tomam partido e querem me proteger das crueldades do mundo. Fui pegar uma cerveja para mim, dessa vez. Quando voltei ele estava numa mistura fina de pálido e caído, o que não me agradou muito, é claro. Parei ao lado dele e perguntei se estava tudo bem.

- Tá tudo bem, isso é normal. Sempre acontece. (ele, sendo grosso, meio sem paciência)
- Se sempre acontece, porque você segue usando essa droga? (Pablo Rodríguez, ficando igualmente sem paciência)

Ele ignorou o que eu disse e revirou os olhos, ainda por cima. Pois é. Ele revirou olhos - era o fim do nosso amor.

- Vai lá comprar um refrigerante pra mim. Vai. (ele, mandando)
- Ok, vou lá.

Como é que é? E aquela historia sobre o absurdo e tudo mais? Só fui porque ele tava passando mal e não era o momento de levantar um debate. É isso. Pablo, sai dessa, comecei a matutar.

Voltei com o refrigerante, entreguei na mão dele. Enquanto ele dava uns goles, o pessoal começou a planejar ir beber na praia para todo mundo que é homossexual poder se pegar em paz, pensei em concordar com a ideia quando Bill... vomitou. Uhum. V-o-m-i-t-o-u. Do lado do meu pé.

- Bem, gente, acho que vou indo... (eu, saindo batido estrada a fora)
- Vai, não.
A irmã dele, me segurando pelos braços.

- Eu preciso muito ir. (é sério, preciso sim. ele acabou de vomitar, tenho que dar no pé!)
- Você vai comigo e com o Bill para a praia.
Ela piscou para mim e fez o sinal de positivo, como se estivesse me ajudando em alguma coisa. Comecei a ficar tonto. Não queria mais ir para maldita praia nenhuma. Não queria.

- Eu preciso MESMO ir embora... (por favor, não façam isso comigo!!!)

Quando eu dei por mim, estava sentado numa calçadinha ao lado dele e ele era realmente muito lindo, gente. Nos olhamos nos olhos. Que olhos azuis.

- Você sabe que eu ficaria com você, não sabe? (eu disse FICARIA, pelo amor de Deus, entenda!!!)
- E você quer que eu tome uma atitude, é isso?

NÃO! NÃO! NÃO É ISSO. NÃO QUERO. VAI PRA TRÁS! RECUAAAA!!! SAAAI!!!

- Na verdade é que...

slash. smack.

Ele me beijou. Tarde demais. Senti um gosto azedo nos meus lábios. Adorei. Muito bom. Jamais esquecerei. Precisava sair dali. Comecei a pensar num plano.

a) "gente, vou perder o voo, tenho que estar na Bósnia em dez minutos!"
Não, não cola.
b) "Galera, vou partir. Amanhã eu tenho uma guilhotina marcada pras seis da manhã!"
Interessante, mas não. Preciso ser convincente.


O QUE EU DISSE:
- Gente, tô ralando, de verdade. Fiquei de conferir se o porteiro se ausenta para dormir depois das três da manhã. Assumi o compromisso com o sindico. Sabem como é. Fui.

E parece que fui meio indelicado nos minutos finais de despedida, deixando a entender que ele era meio quebrado de grana ou coisa parecida.

- Vai lá em casa domingo, Bill...

É, eu admito que ele é lindo e eu queria mais. Não tenho vergonha.

(ele) - Tenho que ver se vai dar.
(eu) - Eu pago o seu ônibus, lindão. Dá problema, não. (pois é...)
- O problema não é dinheiro. (pois é...)
- Aham, sei. (hehe)

E agora ele não está falando direito comigo. Vai entender esses homens...

Thanks

21.5.10
Quero abrir esse espaço daqui para agradecer a livraria Saraiva por haver prometido uma entrega em dois dias e por já haver se passado quatro e nada da entrega chegar. Saraiva, se não fosse por vocês, comprar DVDs pela internet não teria a mesma graça. De coração, vocês são os melhores. Contem comigo.

minha life

14.5.10
Só na minha vida acontece de ter uma cadela poodle que quando entra no cio come os pelos do rabo. Ela entrou no cio, ficou revoltada com alguma coisa, e foi se meter a comer os pelos do rabo. Minha mãe disse que ela deve ter ficado nervosa. Não me convence. Eu quando fico nervoso não saio por aí comendo pentelhos e cabelos. Realidade em cena. Sal na estrada da vida. Agora tá lá, essa coisa esquisita circulando pela casa com um cotoco careca na bunda. Vexaminoso. Sem condições de receber visitas.

Bem, é isso. Tchau.

existir para existir

6.5.10
Eu não estou sentindo o mínimo medo do que me espera, a vontade é de ir com força até os limites da ignorância e voltar um pouco mais gente. Quero conhecer muitas pessoas e me prender a apenas uma verdade: a que mais me fará bem, sou eu. Estou com vontade de gozar junto, amar separado, fazer amor abraçado, sonhar ao lado, dividir algo. Estou com sede de viver e viver é agora, é já, é ontem, é hoje, é amanhã. Quero quebrar as correntes com os caninos, devorar a vida com minhas presas e deixar todas as ossadas para que sirvam de prova aos aflitos, aos vendidos, aos incrédulos, aos medrosos: valeu a pena. Não tenho medo do olhar do próximo, não busco pedaços de papel para provar nada, não quero me fechar em escritórios, hospitais, empresas ou prédios, não acredito no convencional, não sou emblemático, sou do tipo problemático. E se quase todos os problemas podem ser resolvidos, então, deixa comigo, eu me resolvo. Não temo prestar contas, tenho sonhos de sucesso, não corro do fracasso – as soluções são feitas disso. Estou aqui para viver até morrer, não pretendo estar morto antes dos meus órgãos começarem a falhar e minha respiração cessar. Não me vendi ao sistema, espero o insustentável obrigar-me a fazê-lo, não lamento minha inconsequência, eu lamento eloquências conservativas. Meu salto é pela liberdade, pelo desapego, pelo existir para existir, resistir até que me permitam existir. Não me envergonho da vida que levo, ter o que tenho, por gastar ou guardar. Assim como você, sempre acho que preciso de mais. Nada nunca está bom, tudo está ótimo. E, sim, eu admito que tateio o mundo com os olhos à procura de alguém que salte comigo. Levo dentro de mim aqueles berros da adolescência que nunca poderão calar; vontade de ir contra a maré, de lutar por minhas verdades, de pedir por soluções, de clamar por atenção, de verbalizar o pós-conceito, de não travar os tendões da minha inocência; de querer guerra. Eu quero guerra. Quero ser criança para sempre e pensando sempre como gente grande, minha alma é jovem eternamente e peço reverência enquanto adulto. Acelero com todas as minhas forças, e não importa o quanto eu tenha vivido, eu nunca serei sábio o suficiente para lidar com as consequências. Tomara que eu seja imortal, estou aqui para colidir.

- Pablo Rodríguez

Confusão mental PARTE III

5.5.10
FATO: Ele começou a chorar no meu portão. FATO 2: Duas e meia da manhã. FATO 3: Eu nunca aprendi a me comover com lágrimas de bêbado que fez merda. Ele começou a me irritar.

- Menino, entra logo.
- Pô, cara, Diego vacilou comigo.
- Tá (revirei os olhos), o que ele fez?
- Me deixou no meio da rua, disse que eu vacilei com ele.

Ou seja, ele estava achando que Diego vacilou porque Diego acha que ele vacilou com ele. Muitas tramas e emoções. Sem saco.

- Tá, mas para de chorar e fica calmo. Ele tá bêbado, amanhã isso passa. (eu, paciência nenhuma e cara de quem tem paciência nenhuma)
- Cara... Você é legal. (me olhou com ternura - eca)
- Eu sei disso.

Foi nesse trecho da historia que ele tascou-me um beijo e começou a me arrastar pro quarto. Fui. Não posso deixar a visita ficar andando sozinha pela casa. Vai que a pessoa não é do bem? Meu espírito protetor entrando em ação. Chegou no quarto e já botou o lelê-lele-á pra fora, outra vez. Olha, se existir uma cota anual para ver pênis alheio, gastei toda a minha cota de janeiro, fevereiro, março e abril naquela noite. Só que:

1) Eu estou completamente apaixonado por um outro menino, o qual, aliás, foi o primeiro menino de quem gostei na vida (na época ele tinha 14 e eu dezessete > ele tinha um peso normal e eu estava 40 quilos acima do meu peso > ele nunca me quis).
2) Eu não sei fazer sacanagem. Fico com nojo da pessoa e resolvo não vê-la nunca mais, se eu não estiver apaixonado, claro.
3) Ele estava me estressando.

- Coloca a boca aqui. - Cordialmente... coloquei. - Agora chupa. - Cordialmente...

Meus pensamentos em tempo real:

... porque ele tá apertando minha cabeça, meu Deus?
... Tô achando que meu cérebro vai explodir.
... Será que eu lembrei de colocar o resto da cerveja pra gelar?
... hahaha os pentelhos dele tão fazendo cócegas no meu nariz.
... Ai, meu Deus, esqueci da reprise de Life Unexpected!

Num surto de loucura, ele pegou o pinto, me deu com o pinto na cara e disse:

- SAFADA!!! (Gente, ele disse safada? S-A-F-A-D-A? Quem ele pensa que é?)

Com a cara toda melada, olhei para cima - sobrancelha arqueada:

- O que que você disse?

Climão. Ele enfiou o treco na minha boca pra eu não conseguir mais falar.

Meus pensamentos em tempo real:

... Vou bem morder o pinto dele. Vai ver só.
... Putz, minha cara tá toda melada.
... Ele vai esmagar minha cabeça se continuar assim...
... Não sei como é que Monica Lewinsky se prestava a isso pra subir na vida, sabe.
... Vou morder. Um, dois, três e...

Ele tirou da minha boca, antes de acontecer.

- Fala alguma coisa safada pra mim? (Ai, adoooorô! Isso eu sei fazer!!! Vi vários filmes pornográficos. Vou arrasar. Garanto.)
- (É agora...) Me dá surra de piru na cara. (Apaaaaagaaaa, apaaaaaaagaaa! deixa eu tentar de novooo!!!)
- Que?
- Hm?
- hehe

Coloquei o treco na boca, de novo. Dessa vez, eu que não queria mais falar nada. Comecei a dizer que ele era enorme, que nem conseguia lidar com tanta coisa. Na verdade, eu queria é dizer que já era o momento de parar com a palhaçada (e nem era tão grande assim). Mas antes mesmo de eu pensar em tornar esse pensamento uma realidade, o desgraçado enfiou o dedo na minha bunda. Dedo na bunda = lembranças de horror na pré-adolescência.

- Que que você tá fazendo? (eu, sobrancelhas erguidas)
- Vou comer seu rabinho...
- Ah, mas não vai mesmo.
- Pô, cara. ("Pô, cara", o cacete. Você, definitivamente, jamais irá comer o meu rabinho. Isso só acontecerá quando eu encontrar um grande amor. Acorda.)
- "Pô cara", o cacete.

Aprendi que não devo falar tudo o que penso.

Botei na boca, de novo. Vi que isso de colocar na boca fazia ele se distrair e me dava tempo para pensar no que fazer. Adorei.

Eu, Pablo Rodríguez, quero pedir desculpas publicas à Monica Lewinsky. Amiga, você é guerreira.

Ele colocou o dedo lá, novamente. Paciência não é uma das minhas qualidades básicas.

- Olha só, tira o dedo daí. Anda logo.
- Ah, cara, vai dizer que tu não gosta de dar o rabinho? (Esse dialogo não vai terminar bem...)
- Não. Tira o dedo daí, você vai soltar meu intestino.

Pablo Rodríguez apresenta: a arte de ser nojento.

Levantei, não dá para você pagar moral para cima de ninguém, estando de joelhos.

- Cara, você vai gostar...
- Olha, você vai demorar muito a gozar? Sem querer ser chato, mas é que minha chapinha tá derretendo. (Isso aí, Pablo! Mostra do que você é feito!!!)
- Não vou gozar. Sem bunda eu não gozo.
- Então, ótimo, estávamos perdendo tempo por aqui. Tô indo beber cerveja.

Parti pro banheiro mais próximo para limpar meu rosto. Não tem nem cabimento dar beijinho nas pessoas com o rosto todo melado daquilo lá. E foi justamente quando eu estava lavando o meu rosto, que as coisas chegaram a níveis de baixaria inimagináveis.

Ele me encoxou por trás no banheiro e disse: você é muito lindo. Aí eu comecei a refletir sobre a possibilidade de eu ser hetero e ele ser gay. Respondi que achava o mesmo sobre ele (o que é uma verdade) e voltei a lavar o rosto. Até porque, não é beleza dele que iria tirar aquele melado do meu rosto. Prosseguiu: Me dá esse rabinho. Voltei o meu olhar até ele, através do reflexo do espelho, e respondi o obvio, "claro que não" e "não enche mais o saco".

- E se eu der para você, você dá pra mim?

RING THE ALAAARM!!!!!!! CALL 190!!!!!!! SOCORROOOO!!!!

- Oi? (eu)
- É... (ele)
- Não, MUITO grato.
- Você não quer me comer, cara?
- Não.
- Quer que eu te chupe?

Querido Papai Noel,

Mudança de planos, tô tendo uma idéia melhor...

Aguardo seu contato,
Pablo Rodríguez

- Não. Precisa não.
- Pô, você não quer nada, ein cara.
- Nunca disse que iria querer.

Voltei a lavar o rosto, dessa vez para ver se eu acordava desse pesadelo sem fim, onde heteros gatos se tornam passivas neuróticas e pegajosas. Mas é claro que a coisa não poderia acabar aí, ele, num golpe de finesse nunca visto antes na historia desse país, falou na minha orelha, por trás - sexy:

- Lambe minha bunda.
- Que?

- Alô, é do programa da Márcia? Tô tendo uns problemas.

Não queria dizer nada, não, já que minha imagem também está em jogo, mas bem acho que fui usado e caí no golpe do falso hetero. Não sei... pressentimentos.

- Lambe, vai... (ele, sussurrante... irritante)
- Eu não.
Sai daqui, seu nojento. Urg. Nêgo não vale nada. Mandar ficar lambendo bunda é fácil, quero ver é me pagar uma viagem.

Me mandei, sentei de novo na piscina, com perninhas cruzadas e num era nem comigo. Tomava uma cervejinha, como se sempre tivesse estado ali tomando aquela cervejinha. Até que ele chegou lá fora, me puxou num canto e perguntou se não tinha ninguém na festa que topasse dar o rabo. Dei uma olhada ao redor e avistei um menino que eu não conheço, e o que ele estava fazendo aqui em casa, jamais saberemos. Vai lá e pergunta se ele quer, ele me pediu. Corri até o garoto, eu estava é querendo me livrar daquele hetero chupador de pinto. Ele me pediu pra ser discreto.

- Oi, qual é seu nome, menino?
- Daniel.
- Oi, Daniel. Sou Pablo, o dono da casa (só pra constar).
- Oi, prazer.
- Você quer dar a bunda hoje?

Caso alguém tenha conhecimentos sobre como fazer perguntas do tipo de maneira discreta, favor entrar em contato. E sabe a Pucca? O menino arregalou uns olhos do tamanho dos olhos da Pucca.

- Eu...?
- Não para mim, claro. Para aquele dali ó
Apontei.
- Mas ele é gay?
Daniel, sorriu safado.
- Ó, se não era, hoje ele tá batendo recordes.

Apresentei os dois e foi questão de dez minutos para começar a rolar um bate boca entre eles. Um bafafa, um fuá, que só vendo. Corri até eles pra apartar.

- Que que tá acontecendo aqui?
- Esse viado tá dando em cima de mim! (Felipe, fazendo o maluco)
- Eu só coloquei a mão na coxa dele, sem querer! (Daniel, cara de injustiçado)
- E qual é o problema, Felipe?
Eu perco logo a paciência.
- Essa casa só tem viado abusado. Tudo viado!

E foi assim que Felipe disparou rumo a porta, jurando nunca mais voltar na minha casa - amém - e sumiu no horizonte. Daniel ficou me olhando meio torto, aposto que imaginando que eu havia inventado tudo. Não sou de passar por mentiroso, lancei logo a verdade absoluta:

- Olha, comigo ele queria fazer loucuras. O problema deve ter sido com você.
- Será?
Fiquei pensativo, constatei:
- Com certeza. E sabe, acho que foi a sua sobrancelha...
- A sobrancelha?
- Pois é. A sobrancelha...

Felipe, se você estiver lendo, por favor, me liga.
Bateu saudades.

confusão mental PARTE II

4.5.10
Subi as escadas correndo pra chegar lá em cima junto com Diego. Assim que chegamos na porta, dei duas batidinhas (rezando para que, ao abrir, saísse um macaco gigante e Sérginho Mallandro entrasse em cena dizendo que ganhei uma TV), e disse quase que cantando:

- Oi-ê. Fe-li-pe. Tô aqui.
- Entra aí, brother.
- Estamos eu e Di-e-go, que veio conferir se você melhorou do seu en-jô-o.

Diego não esperou e abriu a porta de rompante. FATO: Felipe estava pelado na frente da porta. REALIDADE: com o lelê-lele-á todo duro. Diego me olhou e eu só pude ter uma reação, sorrir amarelo e tentar fazer cara de que sempre acontece de ter uns homens pelados de pingolê duro no meu quarto.

- Eu sei, constrangedor, mas rotineiro. hehehe

Na verdade, eu estava é morrendo por dentro, afinal, eu tava muito na onda de usar aquilo para alguma coisa que não fosse me envergonhar na frente de outro cara. Enfim.

- Você está pelado? (Diego, bancando o detetive)
Felipe jogou os braços pro ar, se lançou na minha cama e gritou:
- Eu bebi, tô muito doidoooo!!!

Lamentável. Foi naquele momento que um sopro de paz invadiu minha alma, por não ter feito nada com ele. Mentira. Eu estava todo Rita Cadillac naquele quarto - me sentindo inutilizado pela vida.

- Sei. Louco. Pega sua cueca, vai colocar sua roupa. (Odeio você, Diego Surf!!!!)

"Querido Papai Noel

Não estou te mandando essa cartinha para lhe fazer um pedido de presente de Natal, gostaria apenas de saber quanto o senhor cobraria para invadir a casa de todos os homens gostosos na noite do dia 24 de dezembro e levar-lhes suas vestimentas e roupas intimas, fazendo com que assim, eles tenham de andar pelados na rua.

Mui'gradicido,
Pablo Rodríguez"


Felipe foi pro banheiro, todo sem graça, sentindo o gostinho da vergonha nos lábios. Eu comecei a pensar na explicação que daria pra Diego Surf, mas menino, babado: Diego se jogou na cama e quando eu vi minha mão já estava no lelê-lele-á dele, também, e loucuras loucas estavam acontecendo.

- É maior que o dele?
- (eu juro que tenho mais nível do que as palavras a seguir) Não sei, só estou sentindo. Preciso provar pra medir.
- Isso. Vou te passar a vara.

VERDADE: quando alguém me fala em sexo anal, eu logo lembro do estupro que sofri na pré-adolescência e me bate um medo, um revertério caótico e eu saio batido da área.

- Olha, Diego... você está confundindo tudo. (Começa aqui a sessão "Pablo Se Faz De Maluco", sejam bem-vindos!) Você é meu amigo heterossexual e não é assim que eu espero que sejam as coisas. (Tem umas coisas que a gente fala no improviso que, né, não sabemos de onde tiramos...) Umas amigas minhas heteros tão chegando aí, quero você lá embaixo pra me orgulhar como amigo hetero, sacou? (Parabéns, Pablo Rodríguez - você acaba de jogar fora duas chances de trepar, pela primeira vez, com dois Deuses Gregos. É por você que pessoas como Anamara do BBB seguem na causa)

Passei a mão nos cabelos, jogando-os para trás, num sinal de charme > cabelo duro > fiz um topete. Segui meu caminho e ao passar pela porta do banheiro, Felipe me puxou de novo e, eu, muito cordial com as visitas, fui. Lelê-lele-á nas mãos de novo e...

Toc toc. Hum-hum.
Diego na porta.

- Estou aqui ajeitando as toalhas do banheiro que estão todas tortas. (Olhei pro espelho, vi o topete. Fiquei desorientado) Aquilo que te disse tá valendo, viu Diegão? Tô lá embaixo. Fui.

Quando tô descendo as escadas, comecei a ouvir eles gritando, uma discussão, menino, que vou te contar. Resolvi não me meter, porque da ultima vez que fui me meter numa briga de heteros mal resolvidos, deu naquilo que vocês bem já sabem. Cheguei lá embaixo, abri uma latinha de cerveja, coloquei uns amendoins na boca e bem sentei com a perninha cruzada na beira da piscina, como se nada pudesse me abalar. Se bem que nada aconteceu mesmo. Acho que preciso começar a fumar, pensava.

Quando dei por mim, Diego estava passando batido rumo ao portão, Felipe atrás gritando alguma coisa do tipo "você está muito bêbado, viu tudo errado" e eu fui atrás gritando "Por favor, fiquem mais dez minutos". Em vão. Subiram na moto e foram embora.

Querido Papai Noel

Se couber no trenó, leve todas as motos que puder também.

Novamente, mui'gradicido,
Pablo Rodríguez

Voltei para a piscina e comecei a beber, pensando num plano rápido que me levasse ao ostracismo total e à vida sem memórias de qualquer passado recente. Joguei um amendoim pra dentro e foi só começar a mastigar que a campainha tocou.

- Felipe?

Ai, meu Deus, ele voltou.