confusão mental

29.4.10
Esses últimos dias foram tão confusos que nem sei. Então, como eu não sou de confusão pouca, vou me jogar em mais uma e contar pra vocês um episódio que deveria ficar em segredo. Eu, Pablo Rodríguez, assino o termo de responsabilidade e me declaro ciente da perda de, no mínimo, três amigos com os relatos a seguir. Let's go!

Dia desses, eu estava zapeando pela vida e resolvi convidar uns amigos heteros para assistir um jogo de futebol aqui em casa (o plano inicial era chama-los para assistir comigo o incrível filme "A Princesa e o Sapo" - já que detesto futebol -, mas eu tenho noções básicas sobre o que é a vida real). Convidei três amigos das antigas e um colega, que todo mundo chama de Diego Surf. Diego é um loirão de olhos bem azuis, corpo demais e boquinha maravilhosa. Sonho de várias meninas. Como não sou de ficar de fora das ondas, comecei a sonhar com ele, também. Ele trouxe de brinde, um outro amigo, Felipe. Atenção, putas e viados, que loucura que é Felipe. Cabelos jogados, olhos grandes, bem moreno de praia, um corpo de modelo que mmm, rende vários caldos. Até aí, tudo bem, todos heteros - tô na minha. Começamos a beber e ver jogo. Eu, claro, torcendo para dar o intervalo logo. Pimba. Deu o intervalo, taquei uma musica eletrônica e comecei a servir umas cervejas com amendoim, para distraí-los e ver se esqueciam o segundo tempo. Os minutos foram passando, nós bebendo e rindo, tudo ótimo, tudo muito bom... Quando eu já estava relaxado e quando eu já tinha esquecido do segundo tempo, o radio foi desligado e lá estava eu, de novo, comendo amendoim de frente para televisão, emburrado, sem nenhuma perspectiva de felicidade na vida, sem entender nada do que estava acontecendo na tela (afinal de contas, porque ninguém estava torcendo pro time de verde? Green Peace - Eu Apoio).

Jogo terminado e os papos começaram a ficar paralelos. Deu nem quarenta minutos e já estávamos todos conversando sobre isso de ser gay (sendo que isso = Pablo Rodríguez). Diego disse que não tem nada contra e que até abraça os vários amigos gays que tem. Na minha cabeça, não parava de girar o pensamento: vem, me abraça e não me solta nunca mais. Me contive. Ele começou a dizer que achava que Felipe era um pouco gay e começou a rolar uns estresses entre eles. Mandei relaxarem. Felipe disse que na Igreja dele não apóiam isso de ser amigo de gays e que, um dia, Deus talvez pudesse me iluminar e me mostrar o caminho certo, que talvez seja tudo questão de momento.

- Quem sabe um dia você não abandone esse seu cabelinho, Pablo? (Felipe, talvez notando que eu havia esquecido de alisar a raiz)
- he-he, No meu cabelo, só um milagre mesmo. (eu, talvez desejando uma morte cruel com um amendoim preso no esôfago)
Comi um amendoim, para tentar relaxar. Respira.

Foi então que todos os machos se animaram a pular de cueca na piscina. Tomar nota: nunca deixar de ter uma piscina. Saí correndo do local para não transparecer a minha animação. Estava na cozinha, relaxando e comendo mais amendoim (eu fico ansioso, preciso comer. me dêem um desconto, ok), quando Felipe surge todo molhado de cuequinha preta, perguntando por toalha.

- Oi, tem toalhas?

Olhei de cima a baixo todo aquele corpo abençoado por Deus e bonito por natureza e eu juro - gente, eu juro! - que queria responder que as toalhas estavam na lavanderia à esquerda, mas a minha boca foi mais rápida que meu cérebro e eu acabei soltando toda a verdade que havia em minha mente:

- Nossa...

Ok, Pablo Rodríguez, agora que você soltou um super inteligente NOSSA em tom de orgasmo, comece a correr contra o tempo e se explicar.

Sei lá, quem sabe eu não pudesse tentar um "NOSSA, NEM LEMBRO ONDE ESTÃO AS TOALHAS!!"? Ou "NOSSA, VOCÊ ESTÁ MOLHANDO O CHÃO DA COZINHA TODINHO, SAI DAÍ!!". Comecei a achar melhor falar uma dessas seqüencias antes que ele me desse um soco e saísse contando pra todo mundo na piscina que eu sou um tarado cheio das segundas intenções.

- Er... (eu, tenso)

Ele se aproximou. Chegou a hora do soco. 1, 2, 3 e já!!! Sai correndo, Pablo.

- O que foi...? Gostou, é?
- Mu-i-ta coisa.

Pablo, você disse outra vez o que estava pensando, para já com isso. Por favor.

- Então, coloca a mãozinha aqui... (Não paaara, nããão! Tá dando resultados!)

Pô, pois é, eu acabei colocando a mão. Ele era visita, era a primeira vez que estava aqui em casa e eu acho isso de não ser cordial uma puta falta de educação. Enfim. Vocês sabem como é.

- Ele está crescendo na sua mão, você não vai fazer nada?

Olha, poucas vezes na minha vida erros se transformaram em acertos, mas isso de esquecer de fazer a raiz do cabelo, me surpreendeu.

- Hehe (e minha mão lá...), mas aqui na minha cozinha?
- Vem pro banheiro...
- Não, no banheiro, não! Faz o seguinte: vai discreto pro meu quarto e me espera lá que já estou indo. Vou distrair os meninos e arrumar uma desculpa pra ninguém notar nosso sumiço. Deixa comigo.

Se preparem para a seqüência de cenas mais felizes da minha vi-da: ele, todo gostoso e molhadinho, esfregou o pau na minha coxa e disse "não demora não, ein", com uma piscadinha no final da frase. Pu-ta-que-pa-ri-u. É, isso aconteceu comigo. Finalmente havia alguém de pau duro esperando por mim em algum lugar. E esse lugar era o meu quarto.

CÂMERA ENQUADRADA NO ROSTO DE PABLO RODRÍGUEZ, muitos aplausos ao fundo. Pablo se encontra emocionado, diante de uma enorme platéia de homens que já deram um toco nele nessa vida e amigos que duvidaram que isso pudesse vir a acontecer um dia:

- Quero agradecer ao meu pai e a minha mãe, por estarem fora de casa nesta data tão especial. Obrigado. Com vocês aqui, nada disso seria possível.

Lágrimas e emoção.

Fui lá fora avisar que estava indo no mercado comprar umas bebidas e mais amendoim.

- Aê, gentê (o tamanho do meu sorriso era maior do que os braços abertos do Cristo Redentor), tô indo ali fora comprar umas bebidas e uns aperitivos, mas já volto. Não saiam da agua. Por favor. Fiquem aqui. Por favor. he-he.

Quando dei as costas, mais preparado para a ação impossível, Diego me gritou justamente tudo que ele poderia gritar para me deixar em pânico total naquele momento:

- AONDE ESTÁ FELIPE?
- Então... Felipe... Ele... Então...

Todo mundo sabe que eu não funciono sob pressão. Onde é que estão os amendoins quando eu mais preciso deles?

- Então, o que? Cadê ele?
- Menino, olha, o Felipe... ele... er... (Pablo, se você não falar alguma coisa AGORA a situação vai se tornar insustentável) Mas então... O Felipe. hehe. Ele... acabou se sentindo um pouco mal por causa do amendoim. É isso. O amendoim.

Abri um sorrisão amarelo.

- Tá, e cadê ele?
- Tá no meu quarto, meio que deitado, fazendo hrrrrrr com o estômago. Deixa isso quieto. (de onde eu tirei essa historia de amendoim e hrrrrr com o estômago??? Eu me rendo.)
- Não, se ele está passando mal, eu vou lá ver o que ele tem. Somos amigos.
- NÃÃÃÃO!

Eu gritei? Meu Deus!! Eu gritei!!!

- Claro que vou.

Gente, eu tentei impedir com os meus bracinhos e fiz vários sinais de negativo com as mãos, mas nada o impediu de seguir todo molhado em direção as escadas (minha mãe me mataria se visse o chão naquele estado!). Fui atrás, para tentar amenizar a situação - que tinha tudo para ficar muito ruim. Por que na minha vida é tão difícil conseguir um sexo casual, meu Deus? Me explica, POR QUE?

AGUARDEM A PARTE II

gloria gloria aleluia

25.4.10
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Caro Srto Pablo Rodríguez,

Seu pedido para transformar-se em alguma outra pessoa, foi aprovado. Nós, da empresa Hell's Heaven, ficamos muito felizes em poder atender com eficácia todos os nossos clientes e desejamos boa sorte em sua nova etapa. Você terá 48 horas úteis para dar um chegue na cozinha, selecionar um facão cortante e rasgar os pulsos até que seu processo transitório seja concluído com êxito. Te esperamos ansiosos e torcendo com o sagrado coração nas mãos para que tudo corra bem.

Com amor e pedindo sigilo total,
O cara aqui de cima
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Mal posso esperar para começar os meus preparativos. Acho que vou até fazer o cabelo e jogar uns glitters pra finalizar com requinte. Tô numa reflexão só. Tenho bem uma grana guardada para conseguir comprar uma camisa com rendinha nos ombros, mas agora eu vou é jogar o dinheiro pela janela e gritar uma coisa que sempre sonhei em gritar, desde que eu tinha nove anos de idade e tava me descobrindo homossexual com um primo distante - atrás do sofá, enquanto Vovó dormia assistindo Silvio Santos:

QUEM QUER D I N H E I R O O O?

Aí notas de cem reais voarão pelo ar, enquanto eu ajeitarei o microfone preso ao peito, que estará batendo no meu queixo e minha platéia, formada apenas por idosas que parecerão ser uma velha mal arrumada só, não parará de gritar alguma marchinha de carnaval anos 70. Ai, esse tempo de ouro da televisão brasileira que não volta. Enfim. Voltando ao que interessa...

Se foi algum de vocês que me mandou esse e-mail só para me deixar achando que viver e sonhar sempre vale a pena... Acelera, viaaadooo! tente avisar antes que seja tarde demais. Até porque né, propagandas enganosas tão sempre no alvo da justiça brasileira, o câncer no alvo da moda e eu na mira do azar. O numero do meu pré-pago é (21) 8167...

E se alguém vier perguntar alguma coisa, podem avisar que o Pablo Rodríguez não se matou simples e puramente (apesar de ter uns quatro bilhões de motivos e algumas frações de razão para que o fizesse, sendo o top 1 de todos esses motivos, o cabelo dele ter caído por excesso de químicas e ele estar meio calvo na parte de cima da cabeça ou coisa do tipo - simples e puramente), apenas foi aproveitar a chance única de conseguir voltar à terra em um exclusivo corpo feito na mesma forma que deu origem à Orlando Bloom. Vai ser babado.

Fui.

ai não

24.4.10
Tô chegando bêbado da balada e tem uma nova: recebi umas visitas. A nova? Pensei: antes da visita chegar, vou bem tomar um banho e fingir que nada aconteceu na minha vida nessas ultimas duas semanas. Foi então que fui pra balada e ao voltar vi uma cueca em cima da cama. Cueca de duas semanas atrás, suja e com aquele cheiro de ano passado. Depois dessa, quem viu e segue ao meu lado a) me ama b) não viu.

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Pablo diz:
to bolado, ein

Mari diz:
por que???

Pablo diz:
TO BOLADO PORQUE FIQUEI COM A MESMA CUECA DOIS DIAS

Pablo diz:
TAVA AMARELA, CHEIA DO FREIO

Pablo diz:
aí esqueci ela ontem em cima da cama. Su e Bre aqui em casa.

Pablo diz:
to bolado, ein.

Mari diz:
e porque nao trocou ela nesses dois dias?

Mari diz:
eles comentaram?

Pablo diz:
Porque eu estava depressivo e sem banho, querendo a morte. Na minha mente, um só pensamento: vou morrer, mas o inferno tô deixando por aqui.

Pablo diz:
Mas tipo, se viram e não comentaram, a coisa estava pior do que eu podia imaginar.

Mari diz:
rs

Pablo diz:
Vou começar a montar minha defesa. vô bem dizer que ganhei aquela cueca num concurso cultural.

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OBS: Ontem na balada um cara meteu a mão na minha bunda e tentou me cunetar. Ele correu pro banheiro pra lavar a mão. Eu tava com a bunda toda suada. Bem feito. Nunca mais vai me esquecer. hihihi

a festa da cerveja

22.4.10
Então, não é que eu nesse meu surto depressivo dei de fazer uma reunião de amigos aqui em casa? Pensei: vou fazer uma coisa BEM light, uma fantástica festa da pipoca.

- Alô, amiga, aqui é o Pablo.
- Oi, amiugo.
- Vem aqui pra casa hoje, vai rolar a festa da pipoca.
- Ih! Adoro. Como que é isso?
- Refrigerante, pipoca e dois filmes de comedia.
- Pablo... hoje é sabado...
- Então. Vai ser muita reinação. Vem!!!
- Uhum. ó, te ligo mais tarde.
clique. desliga.

- Alô, amigo, aqui é o Pablo.
- Oi, vinhado.
- Vai vir na minha festa da pipoca, né? Tão todos comentando dela.
- Que isso? Mas hoje tem aquela festa, a Patotinha.
- Patotinha tá com nada. A boa é a festa da pipoca.
- Que que vai rolar?
- Ih, muito refrigerante, pipoca e filme. Nossa, muito legal.
- Vou na Patotinha, amigo.
- Poxa...
Desliguei com raiva.

Aí, o que eu pensei? Vou mudar o nome da festa. Comecei a convidar todo mundo dizendo que era a festa da cerveja. Gente, não é que as pessoas chegaram e...

- Cadê a cerveja?
- Num disse pra ninguém que ia rolar cerveja. Disse que era a festa da cerveja. O filme vai começar. Sh.

Tá, mentira. Meus amigos vieram, mesmo sabendo que não rolaria cerveja. Mas ó, próxima festa que eu divulgar, abre o olho.

menino, que bafão

21.4.10
Gente, vocês não tem IDÉIA do que me aconteceu nesses últimos tempos. Se preparem para ficar em choque. Parece que eu andei repensando a minha vida e cheguei a seguinte conclusão: minha vida é uma merda - e todo mundo pisa nela. Aí né, o que aconteceu? Eu meique entrei em depressão e fiquei surtado. Surtado do tipo que se desconectou do mundo e quando teve uma recaída e foi ler uns e-mails, descobriu que o computador estava com vírus, saiu cortando o fio do computador e gritando: - eles não vão me corromper!!!

Eles =

???

Eu =
Tarso

Depois, ainda escondi os fios na maquina de lavar pra ninguém reparar o que eu tinha feito, não.
Resolveram me levar correndo para doutora Soraia, minha psicóloga, que vendo a gravidade do caso, disse que meu caso é clinico e que talvez eu devesse procurar a ajuda de um psiquiatra e tomar uns remédios. Pensei: não vou tomar remédio nenhum. Isso é praticamente uma confissão de loucura, vou seguir vivendo a minha vida, fingindo que está tudo bem e que sou normal . Ih, PRA QUE eu fui abrir a boca e falar isso? Pra que? Meu pai veio com essa nova idéia aí de me mandar prum spa pra relaxar, tal da Clinica São Vicente de Paulo. Disse que queria não, que to ÓTIMO relaxando na minha cama - afinal, depressão é isso aí, relaxar. Conversando com uma amiga, ela me convenceu de que passar uns dias numa clinica spa ia ser muito luxuoso, as fotos iriam render vários comentários bafônicos e que eu seria mais fino impossível ao voltar. Joguei no google o nome da clinica pra poder saber se era esse luxo todo mesmo. Para que ninguém me venha dizer que sou do tipo que mente, segue um print:


Claro que dei a volta por cima e saí dessa depressão tão rápido quanto os integrantes do Reality Show No Limite foram esquecidos. Que não contem com a minha presença na clinica São Vicente de Paulo. Não vou mesmo para lá relaxar. NÃO vou. Nada fino. Jura.

- Mãe, que historia é essa de clinica psiquiatria no interior de São Paulo?
- É um Spa, Pablo.
- Mãe, NENHUM spa se chama HOSPITAL PSIQUIÁTRICO. Vem me enganar não. Nem sou do tipo maluco. Peijos e Pabraços.

E rumei pra noitada mais próxima.


- Xô depressão

climão

20.4.10
Nem é segredo que eu estou sempre chorando por atenção, que eu adoro um carinho de estranhos, igual a poodle dos outros. Aí o que acontece? As pessoas me citam por aí e eu começo a achar que cativei um lugar no mundo e sinto como se todas as mãos do brasil me fizessem um grande cafuné amoroso.

Daí as pessoas sem laços afetivos me chamam de amigo e começo a sentir o calor da fama escorrendo por meu corpo, misturo com um pouco de laquê no cabelo e caio na noite carioca para arrasar. Mas, tipo assim, li a resposta do cara e, do nada, me bateu a cruel duvida se homossexual se escreve com dois S ou não, mas como eu sou o rei do climão e não o rei do português, vou bem me calar. Vai que a pessoa quis dizer homo sexual? Morrerei com essa duvida ardendo em meu peito.

Climão.

Ass.,
HomoSexual

Bazarzin diboua

7.4.10
Minha friend, Lys Lawrence, resolveu virar hippie e quer se livrar de todas as roupas importadas e ricas que ela tem. Foi então que ela abriu um bazar para ver se vocês topam comprar tudo. Quer pagar quanto?


BAZAR AI, CANSEI! by Lys Lawrence

Lys jura que com o dinheiro arrecadado ela vai manter a tintura ruiva que possui e todos tanto querem ter igual, ajudar os desabrigados do Rio de Janeiro (porque, sim, meus amigos, Lys também é amor), vitimas da chuva e tá prometendo que se for pra Europa outra vez, não vai esquecer de me trazer um garotão bonito e rico. Ou um chocolate, sei lá.

Bem, é isso, bôra fazer compras, galera!

aguas de abril

6.4.10
Acordei hoje pela manhã, sem luz. Corri pra reclamar com a mamãe e fiquei sabendo que o Rio de Janeiro tinha virado o novo Chile. Bacana. Um monte de nego morrendo por aí, um monte de casa caindo e papai em casa, sem poder ir trabalhar. Achei a cara da riqueza isso de alagamento e destruição, até porque né, isso dá uma mídia, menino, que nem te conto. Sem comentar que minha piscina tava pela metade e agora tá cheiona. Economizar é a versão chique de esbanjar. Lições pra vida.

A luz voltou. Aí, o que eu pensei, né? "Vou tomar um banho quente delicia, separar uns chocolates da pascoa e passar o dia inteiro deitado eternamente em berço esplendido". Uhum. Vai nessa. Assim que eu abri o chuveiro dei de cara com uma realidade chocante; tantas mortes acontecendo, tantas ruas alagadas, tantas casas no chão, minha piscina cheia e... eu NÃO TENHO ÁGUA EM CASA. Na boa. Não dá. A minha torneira está seca, meu chuveiro não pinga e minha descarga não desce. Só pode ser inferno astral. Isso de cósmico mexe muito com a minha vida.

JORNAL, 06/04/2010
VITIMAS DE TRAGEDIAS PROVOCADAS PELA CHUVA PROTESTAM

"Minha neta está no hospital, gravemente ferida, esmagada pelo armário das Casas Bahia de 730 reais que eu tinha parcelado em quarenta e três vezes. Estou sofrendo muito, era a primeira parcela do armário"
Daumo da Silva, 43, fazedor de bico

"Perdi minha casa, mas graças a Deus consegui salvar meu notebook a tempo, corri com ele nos braços. Infelizmente esqueci minha filha Jussimara lá dentro."
Geçica Castro, 19, doméstica

"Eu só queria um banho quente e relaxar vendo o programa da Sílvia Popovick."
Pablo Rodríguez, 22, estudante de psicologia

Estou refletindo a hipótese de ir encher um baldinho de água da piscina e dar uma esquentada na panela pra tomar aquele banho muito phyno, com uma canequinha. Porque te falar que SEMPRE antes de tomar banho eu dou uma cagadinha [é um vicio, é de praxe], o que quer dizer que quando eu abri o chuveiro não tinha água e agora eu PRECISO de um banho. Realidade:

tô.to.do.ca.ga.do.
Mas sempre na esperança dessa agua voltar ainda hoje.

para ler ouvindo: Sandy e Junior - Cai a chuva (hehe)

vacilei

5.4.10
Minha amiga veio com essa de me pedir ajuda pra solucionar um probleminha afetivo dela. Traduzindo: ela veio ME pedir ajuda para solucionar um problema AFETIVO. Mas então. A historia é a seguinte:

Ela se apaixonou por um cara que ela pegou UMA vez e o cara meteu o papo de que eram amigos e que amizade é tudo na vida. Essa minha amiga é muito das minhas e não queria amizade coisa nenhuma não, ela tava querendo é muita rola. Rola grossa, roliça e veiuda. O cara, então, começou a correr dela. Corria dela na balada, corria dela na rua, corria dela nos shows, corria dela pelo celular. Sempre que eles marcavam algo, o cara surgia com uma ficante no encontro, apresentava ela como amiga e adivinha só? Corria dela, outra vez. Ela nem cara de amiga tem, gente. Você olha pra essa minha amiga e logo vê que cara de amiga de homem é o que ela menos tem. Um dia estávamos num show e ela não conseguiu umas cortesias para que ele visse o show e ela havia prometido essas tais cortesias para ele e pra uma prima dele. "Vou eu mesma comprar os ingressos deles!", ela dizia. E eu bem alertando que isso era furada.

- O amor é uma coisa louca, Pablo. Vê se entende isso.

Foi então que ele surgiu para assistir o show.

- Essa é sua prima? Oi, prazer, linda. (minha amiga, simpática)
- Não, minha prima não pôde vir, trouxe a minha ficante, tamos quase namorando. (ele)
- O amor é mesmo uma coisa louca. (eu, pensando)

Ele dava umas trelas virtuais e foi por isso que ela seguiu se apaixonando. Ela, que odeia o sofrimento, teve a genial ideia de convida-lo para o seu aniversario. Só que com aquele maior medão dele repetir a cena e surgir com alguém na festa, ela me pediu ajuda. Não tava na onda de sofrer enquanto partia o bolo, parece.

- Pablo, por favor, vai até ele e dá um toque pra ele não fazer isso comigo não. Diz que tá com medo de me ver mal, que você sabe que vou ficar deprimida. Manda um depoimento por orkut pra ele comentando isso, como quem nada quer.
- Melhor falar por msn.
- Ok. Mas olha, por tudo que é mais sagrado, seja natural e não deixa ele perceber que eu que pedi isso. Vai ser horrível passar por essa humilhação.
- Pode deixar. ;)

Eu tinha uma missão importante nas mãos e não podia falhar. Fiquei ó, dia inteirinho esperando ele surgir no msn pra já mandar o papo firme e tentar aliviar o coração da minha friend. Ele ficou online. Batata. Era a hora.

Pablo Rodríguez diz:
Amigo, tudo bem?

Fulano diz:
Amigo? Oi, oi, tudo e você?

Pablo Rodríguez diz:
Bem também. ó, tenho uma coisa pra te falar.

Fulano diz:
Fala, Pablo.

Pablo Rodríguez diz:
Te contar que odeio me meter no problema dos outros (to indo megabem, passando confiança. eu sou muito confiante), mas mesmo assim preciso falar. Não que eu queira, mas eu preciso.

Fulano diz:
Fala.

Pablo Rodríguez diz:
A minha amiga mandou dizer que vai sofrer se você aparecer com outra pessoa no aniversário dela.

Fulano diz:
Ela mandou dizer?

Ih, acho que fiz merda. Fiquei tenso.

Pablo Rodríguez diz:
Não mandou assim mandado. Ela pediu pra eu mandar um depoimento, eu achei que ia ser pior e mais baixo nível. Quer dizer, não que ela seja baixo nível. Quer dizer, ela disse que não tava bem e pediu minha ajuda. Sabe. É isso.

Fulano diz:
Ajuda? Ela sabe que somos amigos. Já conversamos. Ela tá falando de mim por aí?

Pablo Rodríguez diz:
Não, menino. Não. Não é isso. É que ela disse que você é maluco e queria que eu soasse natural te dando um toque. (olha, nada confirmado, mas eu acho que to fazendo tudo errado)

Fulano diz:
Como assim um toque?

Pablo Rodríguez diz:
Então. Odeio me meter no problema dos outros, sabe. Quero falar mais disso não. Vamos mudar de assunto.

Fulano diz:
Ela que é maluca.

Pablo Rodríguez diz:
Verdade. Quer dizer. Não quero opinar. Para de machucar a minha amiga. Tchau. Até a festa!

Pablo Rodríguez está offline

Corri pro telefone.

- Amiga, falei com ele.
- E aí, o que ele disse?
- Disse que você é maluca.
- Eu sou maluca?
- É, falei "olha, minha amiga mandou dizer que..." e falei tudo que você mandou. Foi aí que ele disse que você é maluca.
- Pablo, você NÃO PODE ter feito isso!!!
- Eu fiz errado, será?
- Pablo, você LEMBRA do que eu te pedi?
- Lembro, claro. Pra falar que ele tava te magoando.
- Essa parte não. A outra!
- Que outra?
- De não deixar ele saber que eu que mandei você falar com ele.
- Ih, gente. Va-ci-le-i.
- Puta que pariu.
- E eu achando que tava causando, amiga. Vê se pode?
Clique. Ela desligou na minha cara.

Uma lição para vocês levarem pra vida: não prestem favores a ninguém. você faz um favor para uma amiga e no final das contas ela desliga na sua cara. É assim que vejo a situação.

Depois disso, parece que a coisa ficou meio chata entre eles. O cara levou mesmo uma menina para a festa de aniversario dela e dizendo que tava meio que pra noivar. Também parece que ela chorou no banheiro por meia hora. Quer dizer, não sei de nada. Ou eu tava bêbado e inventei tudo. Me deixem em paz.

Para qualquer ajuda com problemas afetivos, meu telefone é (21) 8167...

De nada.