ronc ronc

28.7.09
Então, gente, eu estive com suspeita de gripe A. Passei três dias de cama, muito moribundo. Foi quando a medica disse que era gripe normal, e eu finalmente pude viver a minha vida sem que algum familiar ligasse dando os pêsames, sem eu ter morrido ainda.

No fim de semana a mãe de dois amigos de infância (força, Breno! força, Thiago!) morreu por causa da gripe suína. Ela vinha apresentando sintomas de gripe normal, foi ao medico e ele disse que não passava de uma sinusite. O que acontece, então? Dia seguinte ela apresentou uma pequena, bem pequena, piora e veio a falecer.

Ring the alarm. Fiquei com isso na cabeça e passei a achar que posso morrer a qualquer momento também. Tenho sido um amor com todos a minha volta e estou até aceitando pobres e pessoas de cabelo crespo que me adicionam no orkut. Após me deparar com essa experiencia de quase morte, fiquei notoriamente abalado com algumas questões, tipos: No que se resume a minha existência, parando para pensar? Não vai rolar uma trepadinha rápida num trilho de trem? Ninguém vai me chupar numa cabine de banheiro? Não vou dar nenhum golpe na minha vida? Não vou nem roubar o namorado de alguém? A vida foi só isso?

Que coisa sem graça. Se eu sobreviver, me aguardem. Alguma coisa tem que mudar nessa minha vida, gente. Nem que seja a marca do meu alisante capilar. Quer dizer... não pensem que isso não é grandes coisas. Isso é muito arriscado, se vocês querem saber. Eu poderia ficar careca. É, menino...

coração

27.7.09
Parei pra pensar, já que ultimamente eu tenho estado muito pensativo - só para compensar o tempo que pouco pensei, penso. Ih, olha eu aqui querendo expor um pensamento só porque penso que pouco pensei e sempre penso no porque não havia pensado? Enfim.

Pensei: - Que maravilha seria se eu pudesse cultivar o meu coração numa hortinha, aqui atrás no jardim da minha casa. Que maravilha, imaginem só. Meu coração ficaria lá, junto com mudinhas de hortelã, girassóis e até plantamos uma melancia esses dias. Que maravilha.

Pensei isso porque sei: o jardineiro jamais iria deixar de cuidar do meu coração. Aqui dentro de mim, mesmo que pulsante, eu sempre esqueço.

- Pablo Rodríguez

Filosofia sentimental 1

Eu sempre sonhei em fazer cinema. Lembro que quando eu era bem pequenininho eu pegava a câmera de fotografia dos meus pais e brincava de tirar mil fotos em movimento, e quando as revelava não entendia porque elas não se mexiam como os quadros que via na tv.

Mais tarde, aos onze, brincava de fazer filmes com meus amigos. Eu escrevia o roteiro e convocava todos que podia para participar. Na minha cabeça o mundo era mais bonito assim, quando eu o criava. As pessoas nos meus contos e roteiros eram menos incapazes de falar o indevido, ferir os indivíduos. Os vilões eram apenas grandes risonhos que pretendiam mirabolar, não especieis sorrateiras.

Então, eu cansei de cinema. Cansei como já havia cansado de matemática na escola, de fazer Parada de mão na Ginastica Olímpica e também como já cansei outras vezes de outras coisas e pessoas. Acontece.

Imaginem só, vocês não sabem como é cansativo isso de criar um mundo inteiro, povoar esse mundo e depois ter de transformar o mundo que eu criei em pequenas figurinhas coloridas, para que vocês todos possam ver o mesmo mundo que eu vejo. Se esqueço de alguma figurinha e mantenho o álbum incompleto, vocês não vão achar o mundo que fiz tão bonito e importante quanto ele realmente é para mim. Por isso que estou pulando pra filosofia, o que vou fazer com essa faculdade após me formar, não tenho a minima idéia. Fascinante, não é mesmo?

Agora eu vou criar o meu proprio mundo, entenda quem quiser, veja quem puder.

A INTENÇÃO DA DOR

26.7.09
Buscar o saber apenas por conhecer qualquer saber é, talvez, loucura. Ou, sem querer ofender aos praticantes, alienação. Devemos usar o saber para nos compreender a fim de sermos felizes. Porque há o cântico popular que nos diz para deixar a vida nos levar, outras pessoas que nos dizem que buscar porquês ou tentar entender tudo, é desnecessário. Isso, realmente, pode funcionar muito bem para muitos, mas não é uma realidade absoluta, muito menos, otimista.

Todo mundo no mundo procura por algo. Pode vir a parecer o supra-sumo do clichê, mas a busca de todos nós é pela felicidade, pelo gozo da vida. Alguns buscam através do amor, através do trabalho, das diversões desenfreadas; Outros buscam através de substancias alucinógenas, de manter-se planejando. Há até quem busque a felicidade através do fracasso; há quem se sinta feliz em seu próprio fracassar, na inacabável exaustão de viver tentando.

Talvez para mexer nos conceitos da busca pela felicidade, devamos entrar nos emaranhados da intenção da dor. Podemos entender que o ser humano reage a reações e todos nós somos mergulhados em nossas próprias dores. Geralmente, não conseguimos nos libertar da “dor da dor” e indultar o momento ou individuo causador de tal angústia. Ao sentirmo-nos doloridos, tendemos a esquecer que nem sempre aquele que nos fere agiu com intenção de, ou o fez em caráter de egocentrismo. Cada um de nós possui e vive em meio a nossos próprios conflitos e dores, um fato inquestionável e essencialmente relevante para entender que todos nós movemo-nos em busca de cessar pesares e diluir nossas momentâneas insatisfações e, não propositalmente, podemos acabar por acertar a ferida de um que nos cerca.

Não importa como, temos que buscar a compaixão pela dor dos que caminham ao nosso lado. Se todos nós sofremos, todos juntos estamos. Somente juntos entenderemos que dor não é um momento, é uma condição. A dor que me afeta talvez lhe pareça grande demais ou pequena demais, por uma questão de vivencia ou experiência, mas mesmo assim, uma dor. É a dor que nos acorda para quem de fato somos; porque apenas chegando ao âmago do que é o sofrer em uma dor, podemos nos permitir almejar a busca pelo ápice de nossos deleites. A dor é o remédio que nos resgata da superficialidade da vida, e nos impulsiona à busca pelo prazer de viver.

Felicidade é a cura de todo o nosso mal instalado. Não podemos buscar nos conhecer apenas por nos conhecer, o conhecimento necessita advir de algum propósito útil. A verdade de quem somos não deve nos vir como uma resposta pronta, e sim chegar através de uma busca. Seja pelo desejo de desejar, ou o desejo de sentir prazer em algo, mas sempre consistindo em buscar o momento do êxtase, o encontrar da felicidade.

- Pablo Rodríguez

OS CONFORMADOS

25.7.09
Estou frente à tela do meu computador preso a uma janelinha de MSN, famoso programa de mensagens instantâneas, me perguntando se devo falar com uma pessoa ou não. Ao pensar nessa questão, percebo: não fazer algo por escolha é um direito, não fazer por estar preso aos meus medos e à minha própria impotência é muito perigoso.

Durante a vida nós sempre iremos nos deparar com o fracasso. O fracasso é o nosso maior termômetro indicador de que algo está sendo feito ou construído. Ele seria, no caso, a amostra da tentativa, o plano já percorrido que indica o erro no esquema da conta elaborada para se encontrar o X da questão, nos arqueando até o desejo do acerto.

Por mais que a maioria de nós não saiba lidar com o fracasso – ou pior, com os fracassados -, temos de admitir que o sentimento de fracasso, sob a premissa do medo de estagnarmo-nos em nossa possível catastrófica falta de alacridade, nos move e alimenta como combustível. Temos medo de estar fracassados, justamente porque tudo o que obtemos, somos e visionamos ainda não nos satisfaz completamente ou já nos satisfez o suficientemente para que não nos apeteçamos e busquemos mais. Nascendo daí o sentimento corrosivo de que estamos por fracassar a todo o momento. Não há controvérsia na idéia de que temos o direito e o dever de escolher fazer algo ou negarmo-nos a fazê-lo. Pensar, articular, calcular e, até mesmo, ser passional, porém, sempre tendo a certeza de que somos senhores de nossos sins e de nossos nãos.

Percorrendo um pouco a estrada da vida, iremos nos deparar com uma classe de pessoas que não poderiam encaixar-se no grupo dos que fracassaram – almejaram, lançaram-se à proposta e não obtiveram êxito –, nem ao grupo dos que obtiveram êxito no que se propuseram a tentar. Seria esse o grupo dos conformados, os não senhores de suas decisões.

São geralmente pessoas que resolvem abandonar o próprio barco, tendo como base a preguiça de colocar-se na ação pratica de todas as possibilidades da vida. Pessoas que se encontram deprimidas em sua própria existência, não nutrem mais o arder de desejar por algo e estão presas sob a linha do descaso – por elas mesmas e tudo que as rodeia. O conformado é o que já se conforma antes de se inconformar, mantendo-se incapacitado de agir, sem reagir. Se formos pensar na mesma linha de idéia teórica que Hannah Arendt, chegaremos à conclusão de que estar conformado, o descaso quanto a uma ação, é uma forma de impotência, “uma potencia que não se potencializa”.

Logo, poderemos dizer que os conformados são aqueles que se colocam impotentes perante todo e qualquer tipo de ação, que não se dão espaço para cansaços – por medo, jamais por exaustão, pois se não houve cansaço, não houve tentativa. Uma historia é construída não só por possibilidades e tais constatações, mas também por todo o caminho que se percorre desde a analise de uma proveitosa chance real até o momento de finalizar toda a construção do que foi analisado. Os conformados são pessoas que vivem a vida para sempre com a cruel consciência de que tudo podem e nunca puderam.

- Pablo Rodríguez

nivel desce...

21.7.09
Gente, fui numa festa super boring. Quando digo boring, quero dizer: viados finos bebendo champanhe, cerveja à dez reais e musica eletrônica que mais parecia lounge. De buena? Não sei porque, mas eu sempre fico muito feliz nesse tipo de ambiente, porque no fim das contas eles são até bonitinhos, quase todos, mas quase ninguém, ou ninguém lá poderia conversar comigo alguma coisa sobre algum texto de John Fante, por exemplo. É sempre nesses momentos que eu vejo que eu busco alguém e algo para me aprofundar, porque viver na superfície das coisas é muito chato, penso.

O engraçado é que tem gente que busca isso para suas vidas. O interessante do alpinista social é que eles escalam sem ferramenta nenhuma, eles sempre dependem de alguém para estar subindo até onde almejam. Na maioria das vezes são pessoas assim, bonitinhas, que nada sabem sobre John Fante e acham Shakespeare super cafona por que ele é o escritor de Romeu e Julieta e não tem grandes talentos para muita coisa. Resultado? O primeiro que se mover de maneira mais brusca nessa escalada, os derruba.

Fui sabendo que a festa era chata, mas fui porque haviam pessoas que eu gostava lá. Mas enfim. O que eu fiz? Comecei a beber. Bastante. No auge do meu desespero fiz amizade com a moça da faxina, a Erica. Ih, super gente boa ela era. Falei pra ela:

- Moça, tá foda, ein?
- É verdade. Todo mundo muito parado.
- Pois é. Moça, eu sou do tipo que só quando o nível desce, a animação sobe. E agora?
- Perde o nível você, ué.

Ih, pra que ela foi falar isso, minha gente? Saí da festa - onde paguei 130 reais de conta só por 3 horas de presença, beijos! - com a Jay e a Mari e fomos beber num quiosque da praia de Copacabana. Preciso falar alguma coisa? O nível desceu e eu fui até o chão quebrando de ladinho juntinho com ele. Desce, desce, sobe, sobe, tchun, tchun, tcha.

Eu me amo, e vocês? beijos

POSSO FALAR?

12.7.09
Aquele tipo de pessoa que soa direta, tem segurança ao falar tudo que está falando e volta e meia questiona: “vem cá, posso ser sincero?”, é o tipo de pessoa mais confiável para se conviver, certo? Não necessariamente.

A sinceridade, vista como um lapso de brutalidade, choque de realidade ou momento de coragem de alguém que precisa ser cruel para exercer a generosidade de forma paradoxal, é um equivoco da sociedade atual. Hoje a sinceridade é vista como algo que tem de ser pré-noticiada, porque na cabeça de algumas pessoas, ela trará algum tipo desagrado.

Não.

Não há lógica em apenas super valorizar o que desagrada e desmerecer o sincero, quando este nos vem de maneira açucarada e honesta. Sim, honesta. Nem sempre a sinceridade precisa ferir, ela só pretende ser sincera. Nada além.

Somos jovens adultos, adultos e idosos ensinando para crianças que sinceridade tem forte ligação com critica. Raramente vemos alguém pedir para ser sincero sem que traga consigo algum tipo de critica ou toque de crueldade; tanto a alguma questão social quanto a alguma questão pessoal.

Um erro.

Sinceridade é entregar a sua verdade nas mãos do próximo. Colocar-se diante dele sem medo, por questões ou intimas ou de necessidade. Confessar o seu intimo, segredo ou opinião. Porem, isso pode acarretar sérios problemas para aquele que se propõe a fazê-lo. Digo, quando os segredos são trazidos à pauta a fim de colocar relações em conflito, expor o outrem ou milhares de outros infinitos motivos. E nenhum sincero bom motivo. Há quem se utilize da palavra sinceridade para trazer, de forma mascarada, maledicências em doses homeopáticas, em busca de tornar-se dominador, ao colocar-se a parecer mais ético ou transparente do que todos aqueles que, de fato e sem pretensão, o são sem necessitar de tais ferramentas.

Nenhuma sinceridade é uma verdade absoluta. A sinceridade do próximo sempre poderá ser vista como confissão de alguma parte do escuro do intimo daquele que confessa; Jamais como uma verdade, muito menos poderá ser contestada como uma mentira. Trata-se, simplesmente, da sinceridade incidente desse outrem, a tradução de algum ponto dos pensamentos do próximo.

Baseiem-se em atitudes, no que as pessoas fazem. Nas situações que geram ao seu redor ao mostrar a tal "sinceridade". Pessoas falam demais, opinam demais e nem sempre para dirigir os ouvintes para uma direção satisfatória ou de final feliz. No fim das contas, até os bandidos confessam os seus crimes, o que não abranda, em momento algum, o crime cometido.

@Pablo Rodríguez

It's not right, but It's okay

10.7.09
Estava relendo "O pequeno príncipe" e pensando em tudo que o livro fala. Não vou nem discorrer sobre a famosa frase de que somos eternamente responsáveis pelo que cativamos, porque não é mais um segredo. Somos mesmo, caso contrario, nem devemos nos atrever a cativar. Porque toda lagrima de alguém derramada por você, é resultado de algo que cativaste.

Queria falar sobre a relação do Príncipe com a rosa. Mas eu vou fazer um texto sobre e depois colo aqui. E ah, eu não tenho feito nada de interessante. É, saí, bebi, dancei, vários dias e com várias pessoas, mas...

deixa pra lá. Por falar nisso, estou em duas faculdades a partir de Agosto: Filosofia e cinema. Agora ninguém mais vai segurar esse blog. Sempre que eu fizer uma merda vou transformar em uma experiencia extra-sensorial com explicações escatológicas de Alderbergh Crunch, grande filosofo do seculo XIX.

Gente, é mentira. Eu inventei o nome desse filosofo. estava só testando o conhecimento de vocês. E adivinha?

Vocês são todos burros. beijos

ps: É brincadeira, não fiquem nervosos comigo.

your new best friend!

6.7.09
If I'm a bad person,
You don't like me.
Well, I guess I'll make my own way.
It's a circle.
A mean cycle.
I can't excite you anymore.

Where's your gavel?
Your jury?
What's my offense this time?
You're not a judge but,
If you're gonna judge me
Well, sentence me to another life.

Don't wanna hear your sad songs;
I don't wanna feel your pain.
When you swear it's all my fault,
'Cause you know we're not the same.
We're not the same.
Oh, we're not,
The same.

Yeah, the friends who stuck together.
We wrote our names in blood.
But I guess you can't accept that,
The change is good.
It's good.

Well, you treat me just like,
Another stranger.
Well, it's nice,
To meet you, sir.
I guess I'll go.
I'll best be on my way out.

Ignorance is your new best friend!

my mercedez

5.7.09
Saí foragido da festa do meu pai, peguei um ônibus, coloquei uma musica fierce pra escutar e no meio do caminho uma mulher se jogou na frente do ônibus. Foi um caos. Ela não morreu, o motorista freou antes de bater nela. Inconformada com a não-morte, a mulher começou a tentar quebrar o vidro do ônibus. O motorista abriu a porta e falou: "Cuidado, você quer morrer, porra?". Pra quê ele disse isso, gente? Pra quê?

A mulher ensandecida começou a gritar: "Eu queeroooo" e saiu correndo pra se jogar na frente de um carro, o motorista gritou "Pelo amor de Deus, nããão!" e foi tentar impedir. Quando levantei pra ver, estava o motorista segurando a mulher pelos braços e a mulher - negra, aproximadamente 1,50 de altura, cabelos de henê e roupas de lycra - tentava se soltar pra conseguir se matar. Cena lamentável.

Como se já não fosse o suficiente, uma velhinha viu uma chance de brilhar e começou a gritar por Jesus Cristo. Numa oração feita aos berros, a mulher clamava por paz, amor e misericórdia. Oi? Num guento. Comecei a rir. O motorista, muito sábio, enfiou a mulher dentro do ônibus, sendo ajudado por mais dois caras, e disse que ia deixa-la no primeiro posto policial. Um homem ficou segurando a mulher que se debatia pedindo pra morrer, enquanto a Velhinha-Estrela ficava em cima dela gritando: "Sai daqui, inimigo! Jesus, libertai a alma dessa sofredora". Cena lamentável.

Foi, então, que eu num golpe de mestre resolvi pegar meu celular e filmar. Quando ameacei começar... lá veio mais barraco. Uma mulher disse que "sempre tem um urubu pra se aproveitar dos sofrimentos alheios". Não me agüento, gente. Eu adoro um barraco. Olhei pra trás, fiz cara de ofendido e perguntei: "Urubu, por quê? Alguma piada racista com meu tom de pele? É isso?", aí a mulher disse: "Não, com sua atitude", retruquei sonso: "Tá bom, tá bom. Racismo é crime, acho melhor pararmos por aqui". A mulher fez bico e eu não fiz por menos, comecei a filmar. Olha, pena que é qualidade de celular, porque esses vídeos iriam bombar e fazer de mim uma nova celebridade nascida no youtube, não é por nada, não, eu arrasei.

Acabou que o ônibus parou na policia e a mulher, de tanto gritar, desmaiou no meio do caminho e, infelizmente, nada sei sobre o que se passou depois. Tenho medo quando me oram por isso. Reza a lenda que quando você é orado, os más espíritos se vão e você se torna uma nova pessoa. Isso procede? Porque tipos... se for verdade, eu posso acordar todo bonzinho. Se eu acordar bonzinho, eu sei, vocês não vão continuar me amando. E eu preciso muito do amor de todos vocês. muamuamua #muitosbeijinhos

You know you love me, xoxo

... é, tenso...

To muito bolado. MUITO. Então, estava eu na festa de aniversario do meu pai e uma amiga espirita da família, que ninguém confia muito, tudo porque ela tem fama de fofoqueira, daquelas que senta na mesa, conta tudo de todo mundo e encerra falando: "Mas ó, fica só entre nós, tá bom?", do nada passou por mim e disse:

- Cuidado com as ruas! - olhei pra ela, nada entendi. - Cuidado com seus amigos novos..., frisou.

"Af, meu pai agora deu pra reclamar de mim pra ala fofoca dos amigos sociais. Que uó" -,
pensei.

Foi então que ela resolveu parar e ser mais especifica;

- Tem gente que tem carinha bonita, soa ser algo real, mas cuidado com essas carinhas bonitas.

Eu parei, nesse momento, e lembrei que meu pai não fala por aí que sou gay, e muito menos meu pai fala por aí qualquer coisa sobre mim. Ele não é muito de se expor, tipos eu, somos todos muito discretos por aqui... Tá, mentira, eu não sou discreto, mas ele é, de verdade. Logo, com essa amiga que ele só vê em datas comemorativas, que ele não iria se abrir. Nessas ela resolveu encerrar:

- Pede a proteção de Deus, esquece a proteção dos homens. Olhe ao redor e veja o que você está escolhendo.

Saiu andando, como se tivesse me dado apenas "Oi, bom dia, querido". Isso faz algum sentido, será?

Será?

Don't break hearts!

4.7.09
So a vast to all of your hopes
and chase your dreams with all the things that you know
live each day like it could be your last
cause this world can be a cruel place
the more you give it seems the more you loose faith
so hold on tight and things will be just fine

To the people that can hear me,
here's a message that's unwinding:

Don't break hearts and try to hold hands,
because we're living in a time of living's last chance.
Let your spirit soar!

Tava ouvindo essa musica e, menino, não é que lembrei de Michael Jackson? Mentira.

De boa?

3.7.09
Nada como ouvir as coisas certas, nos momentos certos. Lá estava eu na casa da Karina, com a Jay, e o pai da Karina me aparece na sala e depois de trocar algumas palavras escassas comigo, ele se vira para mim e fala:

- Sabe o que eu vejo?
- O que, tio?
- Você é uma pessoa muito especial. De verdade, não é porque você é amigo da minha filha, não. Eu consigo ver isso, você é muito especial, diferente.
- Nossa, obrigado...
- Você tem um brilho próprio.
- Nossa, muito obrigado, de verdade.
- Sério, mesmo.

Eu ouço isso todos os dias, de várias pessoas, vários amigos, conhecidos ou colegas. Gente que diz que passar um dia comigo lava a alma, outros que dizem que a minha energia é cativante. Alguns dão valor a isso e sabem lidar com as minhas loucuras, meu sentimentalismo exacerbado, minha mania de perseguição corroedora e minha eterna companheira neurose-congênita, e outros, simplesmente, não conseguem.

E aqui estou eu, no meu quarto, ouvindo Pearl Jam - Do The Evolution, enquanto escrevo esse post e balanço os pezinhos soltos na cadeira do computador, chutando a minha poodle, que está deitada perto dos meus pés, tentando dormir, só pra implicar. Porque, yes, eu sou implicante. Afinal, não importa o quão especial eu seja, eu sempre posso ser viado outras coisas, também.

You know you love me, xoxo

de baixo para cima

2.7.09
Sabe aquelas pessoas que preferem uma bossa nova à uma musica eletrônica? Chatas. Aquelas pessoas que trocam qualquer balada por um bom filme europeu e algum livro de qualquer assunto interessante que não amarram adolescentes como eu? Chatas. Ou pior, sabe aquelas pessoas que procuram um amor real, alguém possível, nem muito problemática, nem muito bonita, nem muito descolada e conseguem viver um romance que nenhum adolescente como eu sente inveja ou acha graça? Chatas. Pessoas chatas.

Aí essas pessoas chatas se tornam adultas. Adultos chatos. Adultos que trabalham, tem um bom emprego, um casamento estável, amizades de longa data, conhecem muito de muita coisa - que eu nem acho tanta graça assim, viajam, criam laços, são puxa sacos do chefe, odeiam comida de fast-food, amam a comida da esposa e não querem nada além de uma folga, para ler jornal, no feriado. Nossa, que enjôo. Por mais que me revolte, queira sacudir a vida de cada uma dessas pessoas chatas (nossa, insuportáveis!), só há uma verdade eminente que eu não poderia jamais deixar de ressaltar ou reconhecer:

O mundo é dos chatos. Os "legais" estão aí só para nos mostrar que existe algum tipo de graça na vida assistida de baixo para cima.

- Pablo Rodríguez