Opa

9.7.12
Eu estou de casa nova: www.pablo-rodriguez.com

Venha me ler no ACHO QUE VOU BEBER MAIS!

FORA DO AR

16.7.11
Em construção

FUI PRESO - Parte II

16.5.11
Uma coisa que meus pais sempre me disseram é que "Pablo, cuidado com os amigos. Não ande com quem usa drogas. Se a policia aparecer e eles estiverem com algo, você vai preso junto". É claro que na época eu acho que meus pais não esperavam que eu também fosse usar maconha. Mas é que eu tinha 7 anos e não sabia o quão divertida a vida poderia ser. Se soubesse, talvez tivesse dito para eles evitarem andar perto de mim na rua. Vai que a policia bate e eles rodam junto comigo? Assumam, papai e mamãe, vocês iriam ficar magoados. Mas tava aí uma praga jogada por meus pais na minha infância que se tornava uma realidade. A policia apareceu e eu rodei junto. Tanto lugar no mundo para estar e eu dentro de um camburão policial. Ah.

- Moço, pelo amor de Deus! Me soltaaaaaa! Não tem necessidade dissooooooo!

Eu + drogado + sem + controle + nenhum + chorando + muito

- Cala a boca, vagabundo!
Policial 2, tentando me acalmar.
- Moçooooo, não me levaaaaa! Por favoooooor! eu sou inocenteeeeeee!!!!

Eu + preso + em + flagrante + alegando + inocência

Adriana me deu um pescotapa para ver se eu sossegava:
- Pablo, para de gritar. Temos que resolver isso com calma.
- Calma, Adriana? Calma? Nós estamos sendo presos, minha filha. MOÇOOOOOO, POR FAVOOOOOOR!! ME SOLTAAAAAAAA!!!
Me deu outro tapa:
- Pablo, cala a boca.

Ok. Tudo bem. Talvez fosse melhor eu me acalmar. Tipo Pedro, que estava calado. Aliás, porque Pedro estava tão calado? Eu ein. Vou dar um pescotapa nele também. Ah, eu vou. Não. Pablo, fica calmo. É. Eu deveria me acalmar e começar a pensar em uma forma menos histérica para pedir para ser solto. Eu já estava dentro do camburão, mas né? Sempre rola uma esperança. Por exemplo, Guilherme de Pádua está solto. Ele matou alguém. E está solto. Quer dizer, eu tenho chances de sair dessa.

- Vocês estão sendo enquadrados no Artigo 290. Isso não é o tipo de coisa que vai sair da ficha de vocês. O nome de vocês ficará sujo para sempre.
Contavam os policiais, rindo.
- Moço, como assim?
- Se quiserem viajar, trabalhar, qualquer coisa, sempre que forem buscar a ficha de vocês vai estar lá que vocês foram detidos e condenados.
- Vamos ser presos? Ficar atrás das grades? (Pedro, finalmente falando algo)
- Não mais. A lei mudou. Agora vocês vão ser fichados, julgados e provavelmente terão de cumprir pena atuando em algum trabalho voluntário.

IH, GENTE.
TRABALHAR VOLUNTARIAMENTE NÃO É COMIGO NÃO.

- Ih, gente. Trabalhar voluntariamente não é comigo não, viu.

AI, MEU DEUS.
EU FALEI O QUE PENSEI. FALEI ALTO. AI, MEU DEUS.
AI, MEU DEUS!!!!


Os policiais riram do que eu disse.

- Conseguiram entender? E ainda terão que pagar 5 mil reais em cesta básica.

SOOOCORROO!!!!

- Cinco mil reais? Mas rola parcelar? (eu, claro)
- Não. É na hora. Hoje vocês serão fichados, será marcada uma audiência na semana que vem e então vocês serão condenados a pagar.

ISSO NÃO É REAL.
ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO COMIGO.
EU NÃO ESTOU DETIDO NO CARRO DA POLICIA.
NÃO. NÃO ESTOU. CALMA, PABLO.

Olhei pela janela para ver o ultimo pedaço da praia que ainda nos restava, antes de entrarmos em uma das ruas que nos levaria rumo a delegacia. Fiquei olhando o calçadão, assistindo todas aquelas pessoas caminhando e fazendo exercícios de madrugada. Dois pensamentos invadiram minha cabeça:

1. Gente, por quê essas pessoas estão caminhando e se exercitando a essa hora da noite? Por quê elas não estão em casa dormindo? Se eu não estivesse sendo preso, com certeza estaria indo para casa dormir.
2. Aquele dali é o Herson Capri? Mas o que Herson Capri tá fazendo usando aquele shortinho de maratonista a essa hora da noite? Herson Capri tá correndo...

ISSO NÃO É REAL.
ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO COMIGO.
EU NÃO ESTOU VENDO HERSON CAPRI DE MINI SHORTS CORRENDO NA PRAIA.
NÃO. NÃO ESTOU. CALMA, PABLO.

Mais calmo comecei a pensar que talvez fosse bom aproveitar que os policiais haviam me achado engraçado para tentar fazer uma amizade. Quem sabe um sexo. Digo, depois que eu fosse solto, um sexo animal com policiais brutamontes não cairia nada mal. Só para comemorar.

- Bem, me contem, vocês são policiais há muito tempo? (eu, puxando assunto)
Eles: - O QUE?
Não conseguiam me ouvir muito bem, o camburão tinha uma acústica péssima.
- VOCÊS. SÃO. POLICIAIS. HÁ. MUITO. TEM.PO?
Eles: - Ah, sim. Somos!
Adriana olhou para mim como quem diz "Para com isso. É sério. Estou com vergonha de você!". Mas nego sentir vergonha de mim também não é novo na minha vida. Prossegui:
- E vocês são casados? Solteiros...?
Eles pararam o carro.

AI, MEU DEUS. AI. MEU. DEUS. ACHO QUE FALEI MERDAAAAAA!!!

O carro parou em uma rua totalmente escura. Meu estomago se embrulhou de medo. Ou de fome, sei lá. Acho que estava me batendo uma larica.

Socorro, estou com larica e na cadeia não vai ter nada para comer até amanhã. Socorro.

Eles saíram do carro. Comecei a achar que eles iriam nos bater até que morressemos. Ou, quem sabe, nos matar sem nem nos bater. Ou comer nosso cu a seco. Ou todas as opções anteriores e não necessariamente nessa ordem. Ouvia os passos deles do lado de fora do camburão, se aproximavam da porta. Era o som da morte chegando para nos buscar. Abriram nossa porta.

- Bem. Não sei nem como dizer isso para vocês... - Policial 2, sorriso de lado no rosto. Abaixamos a cabeça e ele prosseguiu: - Nós gostamos muito de vocês.

VÃO COMER NOSSO CUUUUUUUUUUU!! SOCORROOOOOOO!!!

- Não queremos vê-los com o nome sujo, sem conseguir arrumar emprego, tirar um visto de viagem para o exterior. Não queremos.
Riam.
- Fala logo, moço. (Adriana)
- A praia é filmada, vocês sabem disso.
Policial 1, também sorrindo.

VÃO NOS MATAAAAAR!!!!!!

- Sim. E aquelas fitas podem ser apagadas. Sempre se dá um jeito.
Concluiu.

VÃO BATER NA GENTEEEEEEE!!!!

- Sim. O que meu amigo está querendo dizer é que podemos apagar as fitas e fazer como se vocês nunca tivessem passado por lá.

VÃO COMER NOSSO CU E NOS BATER E NOS MATAAAAAAR!!!

Levantei meus olhos até os olhos deles. Uma vez vi num filme de terror que é muito importante manter contato visual com o assassino para que ele sinta pena de você. Eu estava atrás de fazer com que aqueles homens sentissem pena de mim.

- Apagar essas fitas custa um certo dinheiro e nós não temos esse dinheiro.
- Vocês querem dinheiro?
Adriana perguntou, sem rodeios.
- Queremos saber quanto vocês teriam para ajudar a gente...

FODEU, BRASIIIIIIIIIL!!!

- Moço, olha, se você revistou minha carteira, você viu: tenho vinte reais. (este sou eu, sempre esbanjando luxo e glamour)
- E você, menina?
- Eu tenho 40, seu policial.
- E você, garoto?
Pedro levantou a cabeça:
- Dez reais.

Eles se entreolharam:
- Olha, isso não ajuda vocês não.

REALIDADE: Estávamos sendo subornados e só tínhamos 70 reais. O destino: um amigo de longa data que só nos fode vez ou outra.

Os policiais ficaram meio que sem reação com nossa falta de dinheiro. Era aquele momento da noite para eles em que o plano de nos subornar estava indo pelo ralo.

- Como somos de agir com o coração - riram - Vamos levar vocês até o caixa eletrônico. Quanto de dinheiro vocês tem lá?

Como eu sou inocente, não é mesmo? Só de imaginar que eu cheguei a pensar que talvez eles pudessem nos dar uma surra. Ou nos matar. Ou comer nosso cu. Que nada. Eles estavam nos assaltando. Mãos para cima, país de cabeça para baixo: era um assalto.

Fomos até um caixa eletrônico na lagoa. Apenas eu tive permissão de descer do carro primeiro. Afinal, eu era o mais desesperado. Eles confiscaram minha carteira de identidade. Caso eu fugisse, seria dado como foragido da policia. Cadeia por mais de cinco anos. E o melhor vem agora. Onde eles pararam, só tinha como sacar do Itaú: fui sacar vinte reais e te falar que meu saldo estava insuficiente, ein. Eu não tinha nem vinte reais na conta. Climão. Comecei a pensar nas pessoas mais próximas para telefonar e pedir ajuda.

- Alô? Então. É que estou sendo preso e subornado. Queria saber da possibilidade de pintar na porta da sua casa agora com a policia para pegar uns cinquenta conto. Alô? Tem alguém na linha ainda? Amiga?

CLIMÃO

SABE... NÃO, PABLO. NÃO.

Voltei para o carro:
- Gente, o caixa aqui está quebrado. Acreditam? Acho melhor procurarmos outro... (eu menti mesmo. afinal...)

Na minha cabeça estava me correndo a angustia de saber onde é que eu poderia achar um caixa do Santander 24 HORAS. É de uma dificuldade ser um cliente Santander que olha. Sei não. Mais fácil eu ser preso e Xuxa, a rainha dos baixinhos, aparecer para me soltar do que achar um caixa 24 horas do banco Santander de madrugada. Depois de rodarem com a gente mais um tempo, achamos outro caixa 24 horas. Tinha Santander. Era dentro de um supermercado em Ipanema.

- Gente, acho melhor ligarmos para alguém e denunciar o que está acontecendo.
Eu dizia, querendo arrumar confusão.
- Pablo, vamos sacar o dinheiro, pegar nossas identidades e deixar por isso mesmo. Você quer denunciar eles para quem? Para a policia? Os amigos deles?

Sacamos uma quantia redonda. Entregamos aos policiais. Eles devolveram nossas identidades e nos mandaram entrar no carro. O show dos horrores parecia não chegar ao fim.

- Bem, como estamos felizes e ao mesmo tempo preocupados, queremos saber como vocês vão voltar para casa.
Ficamos confusos. Nos calamos.
- Digo, vocês querem que deixemos vocês na porta do metrô? Num ponto de ônibus?

GENTE...
???????????????

- Não, moço. Você pode deixar a gente aqui. Em qualquer lugar. (eu)
- Mas aqui é perigoso, meninos.

??????????????????????????

Tem umas coisas que acontecem na vida da gente que, né, de se duvidar até mesmo quando foi vivenciado por nós.

- Moço... Pode ser aqui. Pode deixar a gente aqui. Pelo amor de Deus.
Começamos a nos desesperar outra vez. Só queríamos ser livres.
- Sério, moço. Pode parar. Aqui. está. bom. Não precisa se preocupar. (eu)

Foi quando pararam o carro, nos deram "boa noite" e ao saírem andando deixaram escapar um "juízo, ein?". Assim que nos vimos livres deles, nos sentamos na calçada e começamos a falar mal das leis. Afinal de contas, onde já se viu viver em um mundo onde prende-se as pessoas só porque elas resolveram SE drogar? Drogarem-se a si mesmas e ninguém mais? Eu ein. É a mesma coisa que um dia nos depararmos vivendo em uma sociedade onde ninguém pode comer açúcar porque faz mal e causa diabetes, dependência, etc. Uma sociedade onde escolher o que nos faz mal não nos será uma opção. Escolhem por nós, proíbem e inibem.

Como um ser racional, pensante e suscetível a falhas, eu quero que me deem o direito de escolha. O direito de errar, de me destruir e de me instruir. De me erguer ou de me destroçar. A vida é nossa. Não aguento mais que vivam nos castrando em nome da saúde ou da religião. Dos bons costumes ou das boas relações. Cansei de gente que gosta de usar suas próprias cavidades anais para o sexo ou que esconde segredos/desejos bizarros no escuro de suas intimidades e julga a escolha do outro. Que julga o desejo e a liberdade. Cansei de hipócritas. De gente que lê mil livros por mês ou não lê nada por anos, mas é incapaz de abrir os olhos para a intolerância e a ignorância que é castrar liberdade, prazeres e vidas. De gente babaca que se posiciona contra a possibilidade de livre escolha do próximo. Marginalizando pessoas que não são marginais, que não estão a margem da sociedade. Por anos a historia foi escrita por revolucionários, pessoas livres de toda essa merda que nos cerca. Esses certinhos sem sal, esses brutos e violentos sem massa cefálica não marcam nada, não mudam nada. Vivem, conseguem algo, chegam perto e morrem, vivendo o seu direito a eterna insignificância, resultado de uma eterna falta de visão, falta de vida, falta de experiencia, de aceitação a realidade. Meu grito não é a favor de nada. Meu grito é por liberdade, é por gays, héteros, jovens, humanos! É contra os estúpidos que manipulam, que reagem contra os seus. Não se encaixam em nada. Que viva a liberdade! Ou se não isso, que, pelo menos, não nos privem da pouca vida que nos resta desde o momento em que nascemos.

Até que tirando isso, não sei a opinião de vocês, mas eu fico muito orgulhoso de morar no Brasil. De ser brasileiro. Viver em um país onde existe o suborno. A verdade é que se eu morasse em qualquer outro lugar do mundo, nesse exato momento eu estaria fichado, sendo julgado e pagando penitencia. Pois é, Brasil. Eu te amo. Muito e de verdade.

Brasil, meu brasil brasileiro.
Meu mulato insoneiro:
vou cantar-te nuuus meeeus veeer-suuuuus.

Los Despretensiosos: about cagar

15.5.11
Sei que existem pessoas que detestam escatologia ou piadas escatológicas. Mas, graças a Deus, nem eu e muito menos minha amiga Carolina fazemos parte deste extenso grupo. Sou do tipo que ri com peido e Carol é o tipo de mulher que vê maior graça em arroto. Assim sendo, segue em anexo o nosso despretensioso papo durante um almoço, na cozinha aqui de casa:

- Carolina, você consegue cagar na rua?

- Claro que consigo. Já caguei várias vezes aqui na sua casa.

- Já? Menina, que bafão. Não sabia disso.

- É. Caguei várias vezes.

- Nossa, amiga, estou pleno no choque. Você é muito discreta na hora de cagar. Parabéns.

- Pablo... Menos.

- Não. É sério. Você é muito discreta. Nunca nem desconfiei que você já havia cagado aqui. Você nunca deixou rastros.

- Como assim rastros, Pablo?

- Ah, você sabe. Tem gente que dá descarga, mas sempre deixa aqueles rastros no vaso. Mas você não. Você é muito discreta quanto a esse lance de cagar. Arrasou.

- Claro, Pablo. Você queria o que? Que eu saísse gritando "gente, já volto, vou cagar!". Claro que não.

- É. Até porque é super chato deixar as pessoas na espera do seu cocô. E fora que na volta sempre fica aquela expectativa estranha de saber se a pessoa vai voltar com algum cheiro diferente, com a mão fedendo. Se lavou a mão... Enfim. É chato. Não dá pra anunciar um cocô.

- Pois é. E por falar em cagar, é verdade que vai surgir a ferramenta CAGUEI no Facebook?

- Como assim, amiga?

- Que vai ter uma ferramenta que você pode clicar no CAGUEI ao invés do CURTI.

- Acho que isso é boato de internet, Carolina...

- Não, cara. Tomara que seja verdade. Porque seria incrível termos essa oportunidade de clicarmos nesse caguei, sabe? Tem pessoas que postam cada coisa inútil no Facebook. Eu fico perplexa.

- Não. Que seria maravilhoso é inegável. Imagina? Seu ex-namorado começa um namoro novo e coloca no Facebook. Daí aparece na sua pagina "Fulano está em um relacionamento sério com Ciclana". Gente, mas que dádiva maravilhosa seria você poder ir lá e clicar em CAGUEI. Só para deixar o mal estar comento solto.

- Indo mais longe na imaginação, imagina se um monte de gente começa a clicar em caguei para esse namoro também? Porra, sem igual.

- Ou então, sei lá, te chamam para uma festa de alguém que você não gosta. Clicar em CAGUEI no evento seria de uma preciosidade, Carolina. Mas de UMA PRECIOSIDADE que nem sei. Você abriu meus olhos, estou dando muito valor para isso de cagar agora.


- É. E tem essas pessoas sem noção, sabe? As pessoas que postam coisas babacas. Claro que é legal postar que você saiu ou que você está bem. Mas tem umas pessoas que ficam postando "tomei sorvete hoje". Cara, CAGUEI se você tomou sorvete. Eu clicaria em caguei. Ou gente que posta foto do que está comendo. CAGUEI. CA-GUEI. Vai arrumar uma vida para viver. E tem também aquelas pessoas que ficam postando "estou na balada, dançando muito. está muito divertido". "Estou muito bêbado". Não. Se você está online e postando coisas na internet não está divertido. Caguei para o seu tédio na balada. Caguei.

- Fora que isso poderia se tornar numa revolução social. A sociedade moderna se dividiria entre a invenção da internet, a invenção do facebook e a invenção do caguei no facebook. Caguei no facebook poderia se tornar o fim da paz e das boas relações entre as pessoas. Tenta só visualizar a guerra que não seria uma pessoa com raiva de um outro alguém só porque esse alguém clicou em caguei para alguma coisa que essa pessoa postou? E essa pessoa no ódio saindo por aí CAGANDO PARA TUDO QUE ESSE ALGUÉM DISSER DEPOIS. Imagina um encontro desses seres, Carol? Seria tipo "- vem cá, por quê você está cagando para tudo que eu faço no facebook?" "- porque, porra bicho, você cagou pro meu sorvete!!". Seria demais!

- Com certeza. Aliás, te contei que ontem eu caguei no bar?

- Ontem enquanto você foi ao banheiro e eu comprava bebida você cagou no bar?

- Aham.

- Carolina, meu Deus, você é muito livre, menina. Muito evoluída. Você toma Activia?

- Eu não.

- Olha... Tá de parabéns. Quisera eu sair cagando fácil assim vida a fora.


- Hehe



FUI PRESO - Parte I

14.5.11
Daí que em um dia normal, como outro qualquer, eu estava andando na praia e fui levado pela policia. Sei que para muitos a sentença anterior poderia ser algo chocante. Mas, gente, eu sou negro: e não existe nada de novo ou de revolucionário em um negro haver sido preso. Desde os tempos em que nós eramos apenas macacos (e os brancos eram Adão e Eva) que parece haver uma força maior que quer nos levar à jaulas [consulte; tião, macaco]. Mas eu fui bravo e consegui escapar de mais essa. Sigam-me os bons:

Encontrei Adriana (fotografa) e Pedro (fotografo) e entramos em um táxi. O nosso destino era o lançamento de um livro, no Leblon.

- Depois do lançamento, o que iremos fazer? (Adriana)
- Pô, não sei. Queria sair. (eu)
- Pablo... Você curte puxar um? (Pedro)


Como não sou de guardar segredos sobre a minha vida, é sabido por todos o que acontece comigo quando eu "puxo um". E se você ainda não sabe, leia clicando aqui. Tendo isto bem claro, prossigamos:

- Ih, eu adooooro puxar um. É muito a minha. Eu fico ótimo quando puxo um, amiugos!
- Mais um para o nosso time, Adriana! ha-haaa


Os dois comemoraram o fato de eu gostar de maconha e combinamos de ir "puxar um" depois que deixássemos o evento. Eu particularmente estava bem animado com o lançamento do tal livro. Estava bem sabendo que encontraria por lá 1. Caio Castro 2. Arthur Aguiar 3. Sophia Abraão. E lá vai mais um segredo à ser exposto: os dois últimos são integrantes da novela Rebelde, da Rede Record. Novela que eu adoro. Pronto, falei.

Cheguei no evento. Estava cheio. Cheio: De gente velha. Bem, para não ficarmos deslocados entre as pessoas da terceira idade, Pedro, Adriana e eu resolvemos nos colocar em um cantinho. E começamos a beber bastante vinho, que era o único álcool disponível no ambiente.

Três horas depois...

Eu estava saindo do evento, muito do revoltado.

Fui encontrar: 1. Caio Castro 2. Arthur Aguiar 3. Sophia Abraão.
Encontrei: 1. Fabiana Karla 2. Solange Couto 3. Cida Moraes, ex-BBB.

Ou seja. Mas a noite tendia a melhorar. Afinal, ainda iriamos sentar na areia da praia de Ipanema e puxar aquele tal um. Antes de chegar na praia ainda paramos em uma praça publica para enrolar o baseado. Poderíamos ser presos, pensava comigo. Era só a policia passar e nos ver enrolando maconha em um papelzinho de ceda e facilmente seriamos presos. Facilmente. Mas não fomos. A policia não passou. Era só seguir rumo a praia. Adriana estava com seu cabelo totalmente negro e chanel voando por causa do vento da orla, sua bochecha estava bem rosada. A pele dela é branquinha e qualquer vento parecia deixa-la corada. Pedro nem parecia sofrer com o frio. Estava com duas camisas. Sentamos na areia da praia. Lá estávamos nós, três jovens sentados na areia da praia do Leblon às 23:40hrs, sozinhos.

- Gente, será que não corre o risco da policia pegar a gente?
Desabafei minha preocupação.
- Nah. Que nada, Pablito. E se a policia chegar, a gente sai correndo. (Adriana)
- Sabe o que é...? - hesitava - Eu não gosto muito de correr, galera. Sou meio sedentário, entende?

Fora que correr da policia poderia ser um pouco perigoso e acabar meio mal. E Pablo Rodríguez, definitivamente, não veio ao mundo para acabar mal. Eu acho.

Pedro riu do que eu disse e acendeu o baseado. Enquanto Pedro começava a fumar, Adriana ia me contando sobre sua vida. Seus cursos, como conheceu Pedro e como largou um namorado de anos para ficar com ele. Ela, moradora da Zona Sul, se apaixonou perdidamente por ele, morador da Zona Norte. Se auto-intitularam de "A dama e o vagabundo". Pedro, um baixinho de traços orientais, fortinho, é o tipo de cara que nenhuma mãe iria querer para suas "damas". Mulherengo e desligadão. Ela, extremamente delicada, sofisticada e preocupada.

- Ai, genteeee!!! Tô muito doido, viu. O mundo é muito mágico, né? Ouve só o barulhinho do mar. Ouve só. (eu, muito doido de maconha, levantando os braços e achando que poderia flutuar)
O clima pesou:
- Pablo, não se mexe mais. Não olha para trás.
Pedro apagou o baseado. Me preocupei:
- O que houve, gente?
- A policia está passando na rua, nos viram. (Pedro, nervoso)

S.O.S.!!! ME TIREM DAQUIIIIIIII!!!

Menino, me bateu um nervoso. Uma vontade de me jogar no mar e sumir da vista dos policiais. Adriana se virou para olhar a policia. Pedro chamou a atenção dela e disse para ela não olhar para trás também. Me sentia em um filme de terror.

- Pronto. Foram embora.
Pedro se aliviava.

Eu é que não queria mais ficar ali depois desse susto. Vai que a policia volta? Queria ir embora e queria ir embora o quanto antes.

- Gente, vai que a policia volta? Não é melhor irmos? (eu, com medo)
- É. Talvez seja melhor sairmos daqui. (Pedro, usando o bom senso)

Fomos caminhando pela orla da praia. Vou mentir não: eu estava tão doido que sabia nem para onde estávamos indo. Sei que eles estavam andando e eu estava andando atrás. O vento batia na minha bochecha, aí eu lembrava de Claudinho e Bochecha e quando eu dava por mim eu estava me imaginando de cover de Bochecha no palco do Planeta Xuxa. Que na verdade não era um planeta, era apenas um pedacinho de nuvens rosas, enfeitadas com cogumelos cor de abacaxi. Pois é: eu estava doido assim. Minha mente ia longe.

Adriana nos parou em certo ponto:
- Sabe o que podíamos fazer?
Perguntou.
- O que? (eu)
- Poderíamos terminar de fumar aquela ponta que sobrou aqui.

OI?

- Aqui? No meio do calçadão da praia?
- É. Aqui no calçadão.
Ela disse. Segurei em seu braço e sussurrei:
- Adriana, eu não sei se é uma boa idéia fumarmos aqui no meio do calçadão da praia do Leblon.
Pedro riu da minha constatação e concordou comigo.
- Também acho que não, Adriana.
- Gente, me escutem: relaxa. Deixa fluir. Vai ficar tudo bem. Ih, relaxa.
Meu coração apertou:
- Ai. Sei não, Adriana. Sei não, viu.

Sentamos em um dos banquinhos do calçadão da orla e ela acendeu a ponta do baseado que ainda nos restava. E de repente o mundo se resumia a nós três. Ali, nos divertindo muito e rindo de tudo.

- Gente, estou a-do-ra-n-do sair com vocês! Sério mesmo. Que energia deliciosa!! (eu)
- A gente tinha que bater uma foto para registrar o momento! A energia está muito boa mesmo. (Adriana)
- Verdade!
Concordou Pedro. E nós passávamos as mãos nos nossos próprios corpos, sentindo toda aquela energia maravilhosa. Que vergonha.

Então, decidimos mesmo bater a foto. Foi só virarmos para pegar a câmera... Que o desespero invadiu nossos peitos e se fez fogo. Não. Não podia ser real. Meus olhos estavam me enganando. Gente... era a policia. Era a policia descendo do carro da policia e vindo para cima de nós falando coisas da policia. Eu não havia os chamado. Se não estavam ali por haverem sido chamados, estavam ali para apenas uma coisa: me prender. Socorro.

- Adriana, é a policia! Joga esse baseado fooooraaaa!!!!!
Eu gritei, desesperado.

Adriana jogou o baseado fora. Mas não adiantou.

- O cheiro está vindo na rua, seus vagabundos!
Era o Policial 1, vindo para cima da gente.
- Fumando no calçadão. Vocês não tem vergonha?? Não adianta jogar fora, vocês foram pegos em flagrante!!! (Policial 2)

RING THE ALAAAARM!!! CHAMEEEM MEUS PAAAAIS!!! SOCOORROOOO!!!

Os policiais abriram minha carteira, me revistaram todo e começaram a procurar o baseado que Adriana havia jogado fora na areia. Eu não sabia se torcia para eles acharem ou se torcia para que eles não encontrassem. Porque FATO: Se achassem estávamos encrencados. FATO: Se não achassem, eles poderiam ficar com raiva e bater na gente.

- Moço, pelo amor de Deus, não temos mais nada. Aquele baseado era tudo que tínhamos e só acendemos para acabar com ele e não levar nada para casa!
Adriana, se defendendo. Desesperada.
- É, moço. Pode me revistar a vontade, não temos nada.
- Cala a boca! Nós já tínhamos visto vocês na areia. Deixamos passar. Mas no calçadão? Muita cara de pau!!!!

Enquanto eles nos xingavam de coisas absurdas e se faziam brutamontes, eles nos revistavam outra vez. Só não podiam encostar em Adriana. Mas na bolsa, carteira, etc, eles podiam e o fizeram. Na minha vida existe uma máxima: quando uma coisa está ruim, é só contar até três que ela piora: quando foram revistar Pedro, gente, o que era aquilo? Ai. Meu. Deus. Muita maconha na bolsa dele. Muita maconha.

MUITA MACONHAAAAA!!!

LUZES. SIRENES.
00:30 hrs pm. Pablo Rodríguez foi preso. Encontrava-se dentro do camburão da policia.
Artigo 290. Posse ilegal de drogas.

continua...

Confusão à trois

14.3.11
Eu tenho tanto a agradecer a vocês por tudo o que vem me acontecendo. Obrigado. Contem comigo, já que eu pude contar com vocês nos dias em que eu menos queria existir. Pois bem. Não tem como deixar de contar desse carnaval, não. Juro. Só que antes eu preciso atualizar vocês de umas coisas de 2011.

De dezembro para cá; briguei com meus amigos - eu parei de falar com todo mundo (antes que vocês pensem que eles que pararam de falar comigo... não que eu ache que vocês fossem pensar uma coisa dessas) -, estive quase namorando com uma pessoa que valia tanto quanto o pregador de cabelo de Sara (minha empregada evangélica que não tem nem televisão em casa), terminei tudo e briguei com mais alguns outros amigos (e com os mesmos também). Veio, então, um período de calma.

Comecei a planejar uma viagem de carnaval com um grupo de amigos (os que eu ainda falava). Iríamos, inicialmente, para minha casa de praia. Descobrindo que meu pai não liberaria a chave para nós, resolvemos migrar para a casa de uma amiga nossa, que, infelizmente, contraiu o vírus da dengue. Lá estávamos nós, todos juntos sem ter para onde ir no carnaval. Mas quer saber? Tudo bem. Somos todos amigos e todos iríamos passar esse perrengue unidos, fazendo o V da vitória com os dedinhos das mãos.

- Pablo, já está sabendo?
- Não. Não estou sabendo, Mari.
Atendi ao telefone, meio impaciente com a minha prima. Quinta-feira pré carnaval e eu estava indo AO CINEMA. Não estava com saco para falar com ninguém.
- Amanhã parece que sairemos apenas nós dois.
- Claro que não. Todo mundo vai com a gente.
- Todo mundo foi viajar.
- COMO ASSIM?
- Ih, meu querido, todo mundo arrumou outro lugar para ir e nós ficamos.

Foi assim que descobri que amizade é: você precisar dos amigos e os amigos não precisarem de você.

Sexta-feira de carnaval, eu com minha prima gordinha e a melhor amiga dela, Cristal, uma jovem loira que adora sexo, e não tínhamos exatamente para onde ir. E não vou mentir: eu ainda estava UM POUCO chateado de ter me deslocado até o cinema para assistir GNOMEU E JULIETA no dia anterior e só haver me dado conta de que havia sido um erro ao final do filme. Quer dizer. E a amiga periguete da minha prima não parava de falar e falar e falar e falar. Eu não a encontrava há uns quatro meses, mais ou menos. Havíamos saído algumas vezes antes e é mais que obvia a minha adoração por ela, mas né. Sexta-feira de carnaval, nós estávamos no meu quarto assistindo A Cor Púrpura no canal TCM da Sky e ela vindo querer saber se a pele dela combina mais com verde limão ou com verde musgo. Francamente. Eu pedindo a morte ou, sei lá, um telefonema chamando para sair e ela falando de cores.

Minha prima sugeriu uma festa, mas não. Eu sugeri um bloco de carnaval, mas não. Cristal sugeriu uma festa de rua no subúrbio da cidade, mas na... bem, por que não? Desde que me entendo por gente, eu adoro fingir que sou fino, quando, na verdade, o que me deixa PARA MORRER de tanta felicidade é uma boa baixaria. Fomos. Coloquei uma roupa super chique. Adoro destoar da massa. Adoro.

Chegamos lá e dei de cara com o ninho da pobreza. Aquelas pessoas pulando com os braços para cima e um monte de gente vestindo lycra. Era, sem duvida, a sucursal do inferno. Estando na merda, resolvi abraçar o cocô: comecei a beber. Muito. Eu já peguei gente muito baranga depois de beber muito. Digo, já bebi o suficiente para achar pessoas muito feias pessoas muito gatas. Minha teoria era de que se beber funciona para embelezar humanos, também haveria de funcionar com ambientes desagradáveis. Sabe. Tipo transformar parede descascada em paredes chiquérrimas com efeito de juta. E, gente, é verdade: eu adoro um pobre. Serviçais e proletariados são muito cotados por mim. Gosto, sim, daqueles homens brutamontes ignorantes que comem com força, sabe. Gosto sim. Mas te contar que quanto mais eu bebia, mais eu tinha noção da realidade: eu estava na merda. Não rolava nem desejar a morte. Estava bêbado, mas tinha PLENA NOÇÃO de que seria maior feio acharem meu corpo naquele lugar. Até que surge meu primo, Álvaro, que mora por ali (não me perguntem).

- Esse é meu amigo Carlos e o amigo dele.
Apresentou meu primo.

Olhei para Carlos e Carlos era tão feio (e olha que eu já tinha bebido muito, ein?) que resolvi nem olhar para o tal amigo dele. Cristal e Mariana estavam ao meu lado, conversando alguma coisa sobre aquela noite estar sendo uma das mais divertidas da vida delas. Senti cutucarem meu ombro.

- Que foi?
Perguntei, meio sem paciência.
- Me presenta aquela sua amiga lorinha.
Era o amigo do Carlos.

Menino, quando olhei para aquele homem meu coração até ameaçou parar. Um moreno alto, com olhos cor de mel, braços fooortes que só vendo. Cheio das tatuagens. Tatuagem com números, tatuagem de tribal, tatuagem de teia de aranha no braço. Coisa feita à mão por Deus e colocado na terra com pinça, para não dar erro na fabricação. Que homem gostoso era aquele, minha gente. Suspiro.

- Aham.
Respondi, já pianinho, todo derretido. Como havia dito, eu adoro um pobre.

Puxei os dois e apresentei. Ele deu um beijinho lento na bochecha dela, daqueles beijos que querem dizer “oi, estou te dando um beijinho, quando na verdade estava mesmo é querendo te chupar toda”. Logo Cristal recebeu o beijo e passou a ignorá-lo, voltando a conversar com Mari, já que meu primo havia acabado de sair para pegar mais cerveja.

PABLO, VOCÊ NÃO PODE DEIXAR ESSE HOMEM ESCAPAR, pensava. VOCÊ PRECISA FAZER ALGUMA COISA. PERGUNTAR ALGUMA COISA.

- Você também mora por aqui? (eu)
- Não. (ele)

SÓ ISSO? “NÃO”? Não vai perguntar onde eu moro? Ih, que homem grosso. Deus me livre, não quero mais esse homem para mim, não. Certeza que ele não deve saber nem abrir a porta do carro. Certeza. Quer saber? Vou tocar um rebuliço aqui. Me estressei.

- Cristal, viu que homem grosso? Nego quer comer minha amiga, mas quer ser grosso comigo. Muito complicado.
Rimos que nem hienas. Na verdade eu só queria provocar, não queria rir. Mas rir fazia parte de provocar, então eu estava rindo. Ele olhou para mim com o olhar mais sério do mundo e me chamou com as mãos.

- Vem aqui.
Ele dizia.

AH, MAS EU NÃO VOU MESMO. NÃO VOU. JAMAIS QUE EU VOU ANDAR RUMO AO SOCO QUE ELE ME DARÁ. NUNCA. Havia feito vários planos para aquela noite e levar soco não era um deles.

- Nem vou. (eu)
- Vem sim, chega aqui. Vem.
Ele dizia, ainda fazendo sinal com a mão, só que empregando um sorriso estranho no rosto.

É SOCO. Não vou.

Coloquei a mão no bolso, pronto para pegar o celular. 1) Talvez eu ligasse para a policia assim que começasse a correr dele (porque eu estava pensando em correr...) 2) ou eu coloque no modo filmar para aparecer na TV após apanhar. Pensando bem, não seria uma má idéia levar esse soco. Eu poderia ganhar um especial de TV, por exemplo. Aparecer no fantástico, super pop, SBT noticias...

- Vem, amigo. Vem aqui.

"AMIGO" DE CU É RÔLA. Você quer é me bater. Não vou.

- Vai, Pablo!
Disse Mari, enquanto também estava saindo, só que em busca de... Mini pizzas.

Fui.

Ele se aproximou bem de mim. Senti minha barriga gelar. Ele reclinou-se, já que era bem mais alto que eu, e colocou a boca ao pé do meu ouvido.

- Eu moro aonde você querer.

QUANDO. ELE. FALOU. ISSO. MEU SENHOOOOR!!! Minha perna chegou a tremer. Minha vontade era de sair voando de tanto tesão. Nossa senhora, o que é isso.

- Hã?? (eu, meio perturbado de tesão)
- Se tu díscolá pa mim aquela lorinha, tu não vai se repender.
- Oi? Que? Como assim?
- Vô pegá tu de uma forma que tu num vai mais isquecer. Fazer gostoso.

AI, MEU DEEEEEEUS!!!!

Caí em cima de Cristal e arrastei-a até um cantinho.

- Amiga, o lance é o seguinte...
Ela me interrompeu:
- Pablo, eu não vou ficar com ele. Nem adianta.
- Amiga, você não está entendendo...
- Você é que não entende. Não posso ficar com ele...
- Ele quer você e eu. Quer sexo à três. Ménage à trois. Threesome. Eu e você.
- Como assim?
- Por favor, Cristal. Isso é o mais perto de sexo que eu cheguei nos últimos meses. Por favor.
- Não sei...
- Você só chupa e eu faço todo o resto. Por favooor!!!
Ela subiu os olhos para pensar.
- Ok. Tudo bem. Mas hoje não dá.

Ela me explicou que conhecia todos ao redor e todos conheciam o namorado dela. Eu não sabia muito bem sobre esse namorado, além de saber que ele existia, mas tudo bem. Respeitava ela não querer ser vista com outros. Além do mais, ela mostrou um certo pavor ao falar desse namorado. Talvez ele fosse um cara esquentado. Nunca se sabe.

- Pode deixar.

Voltei até ele.

- Ela topou, mas não pode ser hoje.
- Por quê?
- Ué, porque ela tem namorado e os amigos dele estão aí. Fora um ficante dela que está aqui e ela não quer parecer piranha, apesar de todo mundo já dizer que ela é, sabe como é.

OOPS. Acho que não deveria ter dito isso.

- Diz pá mina ir se caminhando até distras dos banhero químico. Vô dar uns beijo em tu e nela.

AI. MEU. DEUS. Não fala assim se não eu num aguentoooo!!!

Corri até Cristal. Mesmo esquema de puxar num cantinho.

- Amiga, parece que é para a gente se esconder atrás dos banheiros químicos para darmos uns beijinhos nele.
- Pablo... Você só pode estar brincando.

NÃO. NÃO ESTOU.

- Não. Não estou.
- Você já viu a quantidade de poça de mijo e LIXO que tem atrás dos banheiros químicos daqui?
- Mas, gente, o que tem? É só ficarmos na pontinha dos pés. Por favor, Cristal. Por favoooor!!!
Implorava.
- Pontinha dos pés?
- Por favoooor! Pooor favooooor!!!
- Ai, tá. Ok. Vamos.
Ela respondeu meio impaciente.

Se você está chegando agora, aqui vai um resumão da historia: eu conheci um ignorante fortão e estava OBRIGANDO uma amiga da minha prima a fazer sacanagem a três com a gente. Meu nome é Pablo Rodríguez, aka dignidade ambulante.

Dei as mãos para Cristal e passamos na frente do fortão.

- Vem, amor.
Falei para ele.

GENTE, EU O ACHEI DE AMOR E ELE ATENDEU. SABE QUANDO VOCÊ TEM CERTEZA QUE ROLOU UMA QUÍMICA LOUCA? POIS BEM.

Eu e Cristal íamos à frente. Cristal num clima meio de corredor da morte e eu todo feliz. Acho que se eu morresse ali, naquele minuto, ao encontrar meu corpo a policia abriria um inquérito só para descobrir o motivo daquele sorrisão final. Tudo estava acontecendo rápido demais. Eu estava chegando perto de fazer sexo no carnaval pela primeira vez. Passara anos inteiros imaginando o que seria ter transas de carnaval e lá estava eu, rumando para uma.

- PAREM TUDO. PAREM DE ANDAR!!!
Gritou Mari, vindo em nossa direção correndo que nem um rinoceronte.
- Eu já estou sabendo – continuava – Não faça isso, Cristal. Você não pode ir.
- Por que não?
Perguntei, já querendo partir para a briga.
- É, amiga, por quê?
Disse Cristal, se soltando da minha mão.
- Porque ele é mandado por Farelo. Ele é amigo de Farelo.
- CARALHO!
Cristal se desesperou.

ERA O QUE FALTAVA. QUEM É FARELO, AFINAL?

- Nada a ver. Quem é Farelo?
- Namorado dela, Pablo. (Mari)
- Ele não vai contar, gente. Vamos, Cristal!
- Ele é mandado, Pablo. Mandado. (Mari)
- O que é isso?
- Pablo, você não sabe de nada.
Cristal gritou, enquanto saia o mais rápido possível dali.

Sorri sem graça para o cara e fui atrás das duas. Cheguei pedindo explicações, afinal, eu merecia algumas explicações, obvio. E olha, não gostei nada do que eu ouvi. O seguinte: parece que nesses quatro meses que andei meio afastado de Cristal, ela arrumou um namorado. Um namorado traficante. E não é desses traficantes que vendem alguma coisa de leve para os amigos, não. Estamos falando de um traficante de verdade: desses que mora no morro, rouba, mata e assalta durante o dia e dá umas bitocas em Cristal de noite. Diz até que dia desses ele andou castigando umas meninas lá no morro onde mora, cortando o cabelo delas com serrote (o que arrancou uns pedaços do coro cabeludo) e raspando o resto com gilete.

- Ai, meu Deus.
Disse, com os olhos arregalados.
- Pois é. E eu não posso terminar com ele.
- Porque, Cristal?
Questionei com medo.
- Porque ele me queimaria viva. Literalmente.
- Nossa, que barra.
- É. E não posso deixar ele descobrir que o traio.
- Porque, Cristal?
- Senão ele arrancará meu coro cabeludo também. É isso que acontece com as meninas infiéis na lei do trafico.
- Nossa. – Suspirei – Mas o que é mandado?
Dessa vez foi Cristal quem suspirou:
- Mandado é quando o bandido manda um espião para descobrir o que está acontecendo. Por exemplo: se alguém é X9, se alguém é infiel. Essas coisas.
- Nossa. (eu)
- Sim. E caso a suspeita de Farelo seja confirmada, o mandado telefona e avisa o que se passou. (Mari)
- E daí?
- Daí que o bandido vem até o que esta acontecendo para aplicar algum castigo. (Cristal)
- Isso quer dizer que...?
- Que ele pode estar vindo atrás de mim nesse exato momento.

AI. MEU. DEUS. TEM UM BANDIDO VINDO ME MATAAAAAAAR!!!!

O tal fortão ser bandido explicava as tatuagens de numero que ele tinha nos braços. Eram da cadeia. Eu saí de casa achando que a noite seria muito ruim e ela estava ficando mesmo. De repente, em menos de cinco minutos, eu havia arrumado um jeito de entrar na mira do trafico que está refugiado em Niterói, minha cidade. Sabe aqueles bandidos que foram vistos fugindo da policia na invasão do Complexo do Alemão? Pois é. Ao que tudo me indicava, um deles estava indo aplicar um castigo em mim. E nem adiantava eu querer me iludir achando que talvez eu pudesse sair livre dessa. A situação era mais que clara: eu havia dito para o fortão que Cristal era uma piranha e nós estávamos indo trocar uns beijos e tentar fazer um sexo à três atrás de banheiros químicos. Ou seja, eu havia dado todas as informações que o tal mandado precisava para decretar a morte de Cristal e eu estava na mira do tiro, juntinho com ela.

Levantei a cabeça e vi que o fortão vindo em nossa direção, atravessando um mar de gente. Meu coração começou a bater forte, afinal, eu estava querendo é morrer, caso isso significasse transar com aquele cara. Mas não. Eu iria morrer sem dar a bunda ao menos uma vez naquela noite. Não pretendia ficar parado ali até que aparecesse um bandido com uma arma para que enfim ele pudesse hold It against me.

- Meninas, ele está vindo para cá!!!!
Gritei, ficando sem ar.
- Quem?
- O Mandado.
- Hã?
- Corram!!!


E saí correndo. Fui me enfiando entre as pessoas da festa, me esgueirando até desaparecer. Olhei para trás e vi que elas não haviam conseguido me seguir. Mas que vontade de chorar! Eu não sabia como iria explicar para a minha tia como deixei Mariana para trás naquele momento. Como foi que não fui bravo o suficiente para livrá-la da morte ou morrer junto a ela. Fui discretamente para trás de uma barraquinha de caipifruta. Sentei-me no chão, recostado à parede. Não me importei nem com a possibilidade de haverem feito xixi ali. Afinal, eu poderia morrer mesmo. Comecei a beber a caipifruta de morango que eu havia pedido antes de sentar e a medida que ia bebendo, meio que fui relaxando. Até que apaguei.

- Pablo, acorda. Temos que ir embora.
Era Mariana, me dando uns tapas na cara.
- Mari? Você está viva?
Abria os olhos e falava embolado.
- Estou, mas quase morri de preocupação com esse seu sumiço.
- hehe
- Já são cinco da manhã. Vamos embora.

Cristal me ajudou a levantar. No fundo eu estava feliz em saber que elas estavam vivas, mas um tanto chateado de ter passado o resto da noite escondido enquanto elas meio que curtiam.

- Curtiram muito sem mim?
- Curtir não sei o quê, Pablo. Nós quase ligamos para a policia para que buscassem você. Estávamos arrasadas.
Disse Cristal.
- hehe

Na volta para casa, fui despertando da minha embriaguez. Percebendo que a noite havia sido incrível. Havia adorado a aventura. Poderia não haver acabado bem, mas acabou. E também estava com um certo medo por Cristal. A situação que ela se colocou na vida é um tanto que delicada. Passara aquela manhã conversando com ela sobre, mas ela pareceu não estar se importando muito - nem com a sua vida, nem com a minha. A alertei que talvez ela não se importe de aparecer morta, mas que quando isso acontecer ela não estará aqui para ver o quanto a filha dela irá se importar. Cristal teve uma filha aos 16 anos, hoje a menina tem 5. E o pai da menina nem a vê...

ps: Após o termino do carnaval minha amiga que estava com dengue postou umas fotos no orkut onde se encontrava caindo na esbórnia de sexta à terça, com direito a um churrasquinho light na quarta-feira de cinzas. Questionada sobre o fato, ela disse que mentiu mesmo e é isso aí.
ps2: Não estou falando com ela.

Preciso parar de brigar com meus amigos...
Enquanto me restam amigos.

On the radio

12.3.11
Nego sempre me perguntou o motivo de eu gostar tanto de fofoca. Simples: a fofoca é o ópio dos oprimidos. Ou seja: eu. Oprimidão. Vai. Essa resposta até que teria sido genial se houvesse partido originalmente de mim. Mas foi dito pela escritora (e professora) americana Erica Jong, em 1942. Agora veja só o que o pessoal estava APRENDENDO em 1942. Mais para lá de criticas ao que as pessoas aprendiam na escola durante a segunda guerra mundial (!), o que ela disse meio que deixa explicito o fato de que muito antes de 42, a galera já ouvia os babados e saía por aí abrindo uma enorme boca para falar sobre a vida dos outros. E eu, muito chegado numa atitude elegante, que não ficaria de fora de um comportamento tão... clássico e vintage.

No colégio, certa vez, eu fiquei sabendo que uma menina tinha pago boquete para o menino mais desejado da escola. Atrás da cantina, entre uns muros que levavam até a área da piscina (meu colégio tinha piscina e até hoje eu nunca entendi bem o motivo dela estar lá, já que ninguém nunca mergulhou. Bem. Alguém devia mergulhar. O caso é: eu nunca mergulhei). Assim que Ângela me confidenciou o que havia feito... Minha gente, num me aguentei e saí batido pelo pátio para não atrasar a noticia aos ouvidos de Juliana. Juliana contou para Piero, que contou para Alexandre, que contou para Rudá, que veio confirmar comigo (e eu confirmei, claro) e aproveitei para ajudar a contar para Marion, que contou para Renata, que contou para Danilo que contou para a escola toda, já que ele também era meio viado. Ou elegante e vintage. Nunca saberemos.

Te falar que sentei com os braços atrás da cabeça no pátio, coloquei os pés em cima de um banquinho e fiquei só na moita, assistindo todo mundo chamar Ângela de piranha. Mas que sensação gostosa. Sabe. Eu é que tinha feito aquilo tudo. E por aquilo tudo quero dizer: Ângela chorando e gritando que foi só um boquete, sendo surpreendida pela inspetora e sendo arrastada pelos braços até a diretoria. Gente, mas que sucesso, viu. Nem nos meus sonhos mais absurdos eu poderia, naquela época, ter imaginado umas frases minhas repercutindo tanto. Até que o inesperado me agarrou pelas calças e me deixou de cuecas em publico: Ângela, aquela safada sem escrúpulos, negou tudo. Numa investigação aberta pela diretora do colégio, todos que diziam saber que a historia era verídica, apontavam para mim como a fonte confiável que os levou a crer na veracidade do fato que, segundo Ângela, não havia ocorrido. Fui levado a diretoria, ganhei uma suspensão, Ângela e o menino estavam ameaçando me bater e sempre que eu me aproximava das rodas de conversa, o pessoal fazia "sh, fala mais nada. Pablo chegou". Depois de um mês comendo coxinha de galinha sozinho no cantinho do pátio, eu jurei nunca mais fazer fofoca na minha vida. E ainda convenci o menino que aquilo fez bem para a imagem dele, já que todos estavam querendo chupa-lo também. Inclusive eu.

Mudei de escola e não demorou cinco meses para surgir o burburinho de um blog que estava contando os segredos de todo mundo: o meu blog. Em 2001 eu já fazia barulho com blog de fofoca e a negada nem sonhava com Gossip Girl. Em seguida, alguém criou um blog igual e espalhou por lá o fato do diretor estar comendo a professora de espanhol. Durante a tarde, enquanto lia o blog rival, achava maior graça da nova tendência que havia criado. Mais uma vez: ponto para mim. Dia seguinte, cheguei na escola e o clima era de funeral da Lady Di, todo mundo meio abatido sem saber se me dar adeus era algo bom ou não. Fui levado a diretoria e acusado de ser dono de ambos os blogs e, antes de levar uma nova suspensão (afinal, que injustiça! não era meu. eu jamais colocaria gifs animados nos meus posts. francamente), jurei nunca mais fazer fofoca na minha vida. Nunca mais. Só que, né gente, eu não consegui. É por isso que vou estar hoje no programa Papo de Quinta, contando para vocês umas coisas NAQUELE meu estilinho bem que jura nunca. mais. fazer. fofoca. na. vida.

Hoje, às 22:00hrs, clique no logotipo para escutar ao vivo.

Olha, acho bem que errei a fonte de algumas noticias, o nome de alguns jornalistas e sites e meio que estava achando que havia me enganado ao falar sobre Evaristo e, bem, me enganei nada não. Mas olha, vocês vão nem notar, porque eu conto umas mentiras com uma PROPRIEDADE no assunto que é de deixar qualquer um admirado.

- Mas Pablo, você tem certeza que Napoleão dominou o Egito?
- Menino, claro que tenho. Tudo aconteceu durante a cruzada no Canal da Mancha.
- Nossa.
- Pois é. Esses fatos históricos me fascinam. Sei tudo.

E pronto, ninguém questiona mais nada. Afinal, quem vai discutir com alguém que cita até A CRUZADA NO CANAL DA MANCHA? Que, vale lembrar, nunca existiu? Que na falta de conhecimento, nunca nos falte a cara de pau.

E corram para escutar a rádio, porque dessa vez foi a ultima vez que fiz fofoca.
É sério.

O dia em que o Fashion Rio venceu Bergman

16.1.11
Estava a toa na vida quando a Karina me chamou para comparecer ao desfile da Auslander, no ultimo dia de Fashion Rio. Como sou tão ligo ao mundo fashion quanto sou ligado aos últimos acontecimentos da programação da TV russa, fiquei me perguntando o que seria Auslander. Após jogar no google e descobrir se tratar de uma nova grife que vem tomando o coração dos fashionistas e jovens alternativos, resolvi que poderia ser interessante. Ou não. Talvez não. Talvez fosse bom ficar em casa e descansar para alguma balada. Afinal, estar no Fashion Rio, circulando em meio a aquelas pessoas que se vestem de forma exagerada e usam aqueles cabelos meio esquisitos, é sempre muito desconfortável. É como estar na orla de Copacabana à meia noite, se perguntando o que levou aquelas pessoas a chegar a tal ponto na vida.

Ainda mais ir para assistir um desfile de vinte minutos e voltar. Além de achar que é MEIO desnecessário se arrumar para ir à um lugar onde te dirão que você não está lá tão arrumado. Não tem uma musica ao vivo, um show de abertura, uma coxinha de galinha, um drink, um suco de laranja, uma água. Nada. Gente, não tem água. Conseguem entender aonde estou querendo chegar? Não tem á-g-u-a. E eles não te dão nem um fandangos para você passar o tempo. Visualizem só que show de entretenimento isso poderia ser: Todos sentados em suas cadeiras comendo fandangos, as modelos famintas passando pela passarela, os fotógrafos alucinados clicando nego da primeira fileira com farelo no canto da boca. Beth Lagos, Lilian Pacce, Érika Palomino - todas, todas com farelo de fandangos no canto da boca. Isso, sim, seria imperdível. Mas não. É assim:

Você chega e senta. Daí começa.

Modelos, modelos, modelos...

- Gente, olha só aqueles ossos saltando das costas da menina!
- Aquilo é osso? Nossa. Jurava que fazia parte da roupa.
- Pois é.

Roupas, roupas, roupas... Mais roupas e roupas...

- Já vi esse paletó antes em algum lugar.
- Viu nada, Pablo. Essa coleção é inédita, bobo.
- Mas eu juro que já vi. Só que antes ele não tinha pena de ganso, eu acho.

E fim. Você já pode ir embora.

Só isso. Nada além. N-a-d-a além. Não vou. Vou ficar em casa e ver alguns filmes, pensava. Estava me devendo rever Persona do Bergman há algumas semanas e aquela tarde de sábado estava perfeita para isso. Umas pipocas, uma coca-cola zero bem gelada...

- Amigo, que mané Persona.
- É um filme clássico, Karina. Do Bergman!
- Que mané Bergman! Vamos, sim. Vai ter um modelo internacional muito gato!


Chegando ao evento, começamos a filar umas bebidas do espaço Vogue e umas bebidas do espaço Sebrae e umas bebidas aqui, bebidas ali e quando vimos estávamos dentro dos bastidores do desfile da Auslander. Com o tal modelo internacional muito gato. Não sei qual seria a primeira coisa a se passar na cabeça de vocês, mas estando nos bastidores e vendo um monte de modelos passando meio bêbados, a primeira coisa que me ocorreu foi que talvez estivesse na hora de dar uma saqueada na geladeira daquele camarim e pegar umas bebidas de graça. Corri até o freezer.

Foi então que Karina, que estava mais grudadinha no modelo internacional impossível, afastou-se dele e veio se aproximando- um tanto zonza, bastante desnorteada.

- Amiga, o que houve? Está tudo bem?
Perguntei, enquanto Karina seguia meio perdida.
- Putz, velho. Alguém mais sentiu?
- O que, Karina? Você está bem?

RING THE ALARM: A ASMA DELA ESTÁ ATACANDO. CHAMEM OS PARA-MÉDICOS!!!

- Gente... (ela)
- Karina, o que houve??!!
- O C.C. do cara. O que era aquilo, meu Deus? Ele tinha CC.
Desabafou Karina, ainda com aquela cara de quem passara por momentos de horror enquanto esteve abraçada ao top dos sonhos.

Desfile terminado, todo mundo socializando e era hora de partir. Rolou o bafafá de que pegaríamos carona no carro de uma amiga de uma outra amiga da Karina. Tentei alertar que TALVEZ não fosse uma boa idéia ir tanta gente dentro de um carro só. Ninguém me escutou. Tudo bem. Vamos lá.

E lá fomos nós, cinco pessoas atrás, três na frente e zero possibilidades de dar certo. Repetindo: zero possibilidades de dar certo. Entramos no carro e começamos a comentar dos momentos mais marcantes da noite. Modelo internacional muito gato e sem desodorante, espaço Vogue meio caído...

SIRENES. LUZES.
Viaturas da policia atrás do carro. Meu estômago gelou. Era só o que nos faltava, estar acontecendo alguma coisa naquela rua exatamente no momento em que estávamos passando por ela. De repente, as viaturas começaram a nos encurralar e nos jogar para o canto da pista. Pânico.

AI, MEU DEUS. PRECISO ESCONDER MINHA CERVEJA.

Escondi minha latinha atrás do banco do carro.

- Encosta o carro, encosta o carro!
Gritava um dos policiais.
- Gente, não encosta!
Alguém pediu.

Como assim "não encosta"? É para encostar o carro. Por tudo que é mais sagrado: encostem o carro. Não vamos dar mais motivos para eles atirarem. Eu imploro. Pai nosso que estas no céu...

Encostamos o carro. Os policiais seguraram suas armas.

GENTE, SOCORRO: VAMOS MORRER!

Sabe aquele lance de ZERO possibilidades de dar certo? Pois é.

Peguei o celular para discar para o meu pai e minha mãe. Não pretendia morrer (ou ser preso) sem dizer que os amava. Também comecei a pensar que talvez fosse bom ligar para algumas outras pessoas, só para falar umas coisas. Invariavelmente temos em nossas vidas aquela gente que sempre sentimos vontade de mandar tomar no cu e nunca nos foi possível, por vários motivos e circunstâncias. Mas agora não. Eu estava por ser morto (ou ser preso) e poderia mandar quem eu bem entendesse tomar no cu. Aqueles que um dia já chamei de amigos e não foram tão amigos assim, aquelas pessoas que ainda acham que são minhas amigas e não são tão amigas assim, pessoas que estão me devendo e não pagam... E ah, principalmente a Patrícia do Itaú. Nossa. A P-a-t-r-í-c-i-a do Itaú. Meu irmão, essa mulher não existe - ela não pode ser real. Ela é uma invenção do inferno para tentar acabar com a minha paz. Taí uma pessoa que me irrita pelo menos umas 4 vezes na semana. 4 vezes na semana essa Patrícia do Itaú está me ligando só para me irritar. Daria tudo para ter o telefone pessoal dela na minha agenda.

- Alô, Patrícia? É Pablo Rodríguez.
- Pois não, senhor.
- Tô te ligando só pra te desejar um 2011 cheio do pau na bunda, sua escrota.

Os policiais gritaram novamente para que as janelas fossem abaixadas. Apertei os olhos. Meu corpo estava sendo tomado por uma tensão jamais sentida. E gases. Depois de tanta cerveja, comecei a ficar com gases. Ai, meu deus.

- Abram as janelas do carro! Abram as janelas!
Seguiam dando a ordem.

As meninas começaram a dar pequenos gritinhos de pavor. Abrimos as janelas. Pronto. Além da tensão e dos gases (no caso, em mim), o pânico também tomava nossos corpos. Apertei a mão de Karina com angustia. Todos nos entre olhávamos meio que nos despedindo. Era o fim. Era a morte. Adeus, amigas. Adeus, mundo cruel.

- Todo mundo descendo do carro.
Gritou o policial.
- Não. Ai, moço, por favor, não... (eu)
- Todo mundo descendo. (ele)
- Todo mundo mesmo? (eu)
Tudo que eu precisava era de me manter sentadinho ali. Tentar levantar = peido.
- Desçam!
Ele continuou. Daquela vez, subindo o tom.

Desci. Pernas meio bambas, mas queixo bem firme. Deixei aquele cheiro todo dentro do carro e mantive a porta aberta - vai que dava tempo do cheiro sumir e ninguém notar depois que as coisas se resolvessem? Abri uma latinha de coca-cola para distrair a atenção das pessoas quanto ao cheiro que pairava no ar. Não iria assumir que aquele cheiro todo saiu de dentro de mim. Preferia a morte a me ver assumindo um cheiro daqueles. Mas acho que estavam todos tão tensos que nem sentiram nada. O que prova que Deus age de diversas maneiras. Estavamos ali sendo humilhados por policiais? Estávamos sim. Mas sentiram o cheiro do meu peido? Sentiram não. Isso é o que? Deus se manifestando a favor de todos os presentes naquele ambiente.

Mais aliviado, olhei para o policial. Interessante. Analisando bem, esse policial até que dá um caldo, pensava. Era uma mistura louca de Capitão Nascimento com o filhote do cão que chupou manga - mas que deu certo. Eu juro. Tinha uma sensualidade ali. Parecia ser daqueles homens que vivem entre a linha tênue do ser charmoso e troglodita, se é que me entendem (e caso entendam, me perdoem a falta de foco).

- Tem muita gente dentro do carro, né?
- Estamos vindo da Fashion Week e resolvemos dar carona para uns amigos.
Explicava a motorista.

E depois de alguns minutos se explicando e levando umas broncas por excesso de passageiros, veio a noticia de que a carteira de habilitação dela estava um tanto quanto vencida. Que talvez isso gerasse uma multa ou uma apreensão do automóvel.

- Amiga, você não acha que é melhor pegar um táxi?
- Mas isso não pode acabar parecendo uma fuga perante os olhos dos policiais?
- Ih, é. Verdade. Melhor nem nos mexermos muito.
Conversamos no cantinho.

Mas isso da habilitação e do excesso de passageiros não foi nada que não tenha sido resolvido. Afinal, estamos no país do coração aberto - estamos no Rio de Janeiro, cidade de gente simpática, calorosa, receptiva. Todo mundo por aqui é muito legal.

- O que vocês podem fazer para que nós possamos ajudar vocês?
Perguntou o policial - que era muito legal. E receptivo.

Tanto que eles receberam uma grana e pronto: estávamos todos voltando para casa. Seguros e tranqüilos. Depois de tudo, até rolou um tchauzinho para os caras através do retrovisor. Só não deu tempo de trocar contato. Não que eu não tenha pensado no caso, mas eles estavam muito ocupados contando o dinheiro que conseguiram e tentando achar uma calculadora no celular, para saber como dividir uma quantia exata por três. Taí uma verdade descoberta por mim em 2011:

o Brasil é mesmo um mulato insoneiro.
Tal como cantava Ary Barroso.

It's navidad, tralalalá

24.12.10

Eu queria fazer um post de Natal bem engraçado. Mas, vamos lá, eu não sou das pessoas menos sentimentais deste mundo. Sempre que eu ouço uma musiquinha de Natal, me dá uma vontade de chorar, menino, que só vendo. Eu não pedi nada para Papai Noel esse ano. Na-da. Lembro que quando pequeno tudo que costumava pedir, eu ganhava. Sem exceção. Depois a vida me foi um pouco cruel, dando algo que nunca havia pedido e, se me dessem a chance de voltar no tempo, jamais pediria. Quer saber? Não reclamarei. Graças a tudo o que passei e a todos que passaram por mim, hoje eu sou este daqui.

Eu sei que para muitos esse Natal não será tão feliz. Sei que para algumas pessoas, quando o relógio chegar à meia-noite, o dia seguirá sendo triste. Não haverá brinquedos, Papai Noel, abraços de alegria. Foi um ano pesado, não só para mim, mas para você, para ele, para ela... Para tanta gente. É cruel pensar que enquanto muitos sorriem e dividem pernis Sadia, Chester Perdigão ou abrem juntos lindas embalagens de presentes – Outros choram, sentem dor, conseguem tatear as brasas de alguma ausência. Um amigo que não estará; uma pessoa amada que se foi; uma situação triste que insiste em nos afligir; as oportunidades que alvitrem não chegar; E ah, como esquecer-se da felicidade? Logo ela, que parece tardar tanto em vir. Ou que, de repente, desapareceu.

Não. Ela não desapareceu. Nem a força, nem a energia, a vitalidade ou a garra que existe em você. Às vezes, as coisas que mais doem chegam com o propósito de fazer-nos sentir que ainda há vida brotando por dentro - Sangue correndo nas veias, relógio girando com pressa, vontade de vencer. Não chegamos até onde chegamos sem uma bagagem. Agora que tudo parece nos doer, é o momento de usarmos o que vínhamos carregando. O que aprendemos, o que vimos, os truques ensinados, as dores já vividas. Livrar-nos de tanto peso, usando o tanto que vínhamos trazendo. Use qualquer dor para se libertar. Grite, chore, sinta raiva, esteja triste, inseguro. Mas apenas esteja, não o seja.

É tempo de expelir qualquer dor, qualquer tristeza. E se vocês contam comigo para que possam sorrir ou já contaram e não contam mais; se apenas me lêem por curiosidade ou me acompanham ao longe – por nossas vidas serem diferentes, por estarmos separados por alguma distancia: eu te desejo um Feliz Natal. Feliz de verdade. Afinal, eu tenho muito que agradecer a vocês. Por serem ouvidos todas as vezes que me sinto só, por acreditarem na pessoa que eu sou – terem sido mãos quando precisei de carinho. Eu devo muito a todos vocês que perdem minutos, horas, dias lendo o que escrevo. Muito obrigado, de verdade.

Então, aproveitando que não havia pedido nada a Papai Noel – e que ele geralmente não costuma falhar comigo, aqui vai o meu pedido de ultima hora: desejo que neste Natal todos aqueles que só enxergam motivos para chorar, parem por alguns minutos e se dediquem a sorrir. Sorrir por nada. Sorrir por pouco. Sorrir para alguém. Sorrir sozinho. Desejo que sorriam, não por aqueles que te cercam, mas por você. E assim verá: mesmo quando alguma historia chega ao fim, ainda há muito por vir.

- Pablo Rodríguez

A grande balada de quinta, numa sexta a noite

8.12.10
Me chamaram para uma festa de musica pop que acontece num lugar chamado Cabaret Kalesa. Meio desconfiado eu fiquei de que o local fosse ser caído, mas como eu sou de Niterói, posso falar nada não. Joguei os cabelos para cima e fui. O segurança me revistou na entrada, achei ele barango e segui meu caminho. Não posso beber muito, tenho que finalizar um trabalho, pensava comigo, atravessando a porta de entrada.

Encontrei uns amigos e depois de saludar a todos, comecei a lancear o ambiente com os olhos 1. querendo saber onde era o bar 2. notando que o local era meio caído mesmo. Na festa, só tínhamos eu, meus amigos e mais umas 120 cabeças = caído. O que também não vou reclamar, já que tenho fugido de locais super lotados. Quer dizer. Adoro uma festa muito chique, lotada de pessoas vips. Mas tô fugindo de local cheio de baixa renda fazendo carão. Tal como também estou cansado de baixa renda me julgar nessa vida, enquanto taí se vendendo por copo de cerveja e oportunidades rasas.

- Vai beber o quê? (a moça que trabalhava no caixa)
- Então... sabe que eu não sei? Vou querer 3 cervejas, uma gin-tônica e um shot de flamejante.

APRENDA A PREPARAR DRINKS COM PABLO NOPEACE RODRÍGUEZ

Gin-Tônica:

Ingredientes:
- 1 água tônica
- 1 dose de gin

Modo de Preparo:
Coloque o gin num copo com bastante gelo, complete com água tônica e rodela de limão. Beba meio copo e se sentirá meio bêbado, de primeira.

-

Flamejante:

Ingredientes:
- 50 ml tequila
- 25 ml countreau
- 10 ml curacau red

Modo de Preparo:
Em um copo, coloque a tequila e em seguida countreau, completando com licor de sua preferência. Acenda com isqueiro, beba com canudo para ficar tonto mais rápido.

Duas Gin-tônicas e três flamejantes depois e quem eu estou, onde eu sou. Nada mais sabia, ninguém poderia me deter. Fui andar pela boate, atrás de um homem que pudesse fazer da minha noite uma coisa mais feliz. Estava procurando um homem, dei de cara com uma cigana. Uma amiga do Leonardo Torres, que sabe ler mão, surgiu na minha frente. Ela andou lendo minha mão certa vez e acertou tudo, eu juro. Das previsões que ela acertou, constam na lista 1. Amigo muito próximo se mostrando alguém sem personalidade e caráter 2. uma grande oportunidade profissional 3. uma nova forma de ver e levar a vida. Assim sendo, saí correndo para cima dela com a mão já estendida. Estava benbêbado, mas não seria justamente isso a me impedir de buscar saber mais sobre o meu futuro. Fora que ela sempre é muito fofa, muito legal. Jamais negaria ler minha mão. Afinal de contas, não se pode sair por aí negando um dom desses para as pessoas. Imagina.

Dez minutos depois de levar um passa-fora dela, eu estava meio perdido na balada. Meio que sem entender o que eu iria fazer quando caísse desacordado. Porque mais uma gota de álcool e esse seria meu destino. Mas é aquilo que dizem; quando a gente está muito mal, basta abrir os olhos para a vida e ao seu lado haverá um amiguinho pior que você. Não sei se poderia encaixar esse ensinamento para ocorridos em boates, mas casou perfeito. Um dos meus amigos caiu de bêbado. Fomos leva-lo para fora da boate.

Preparem-se, vem aí o ponto alto da noite: meu amigo começou a vomitar muito. Eu até tentei ajudar, mas quando vi que o vomito poderia pegar no meu sapato, saí correndo com a desculpa de procurar alguma coisa para ele comer. Voltei e o segurança da casa estava com ele, perguntando se tudo estava ok. Claro que está tudo ok. Quando planejamos a noite, pensamos exatamente que se não bebêssemos demais e vomitássemos na calçada, nossa noite não estaria completa. Focar no melhor da vida é isso.

Vendo que meu amigo parecia melhorar, o segurança me perguntou se eu era gay. Gente, alguém aí conhece alguma pessoa que seja afeminada por puro sadismo? Pois é. Mas é claro que ele já sabia a resposta. Eu estava tão bêbado que nem lembro se respondi mesmo ou só pensei ter respondido. Sei que segundos depois o assunto era esse.

- O meu rabo? (eu)
- Aham. Bem gostoso num motel aqui perto. Depois do meu expediente. (ele)
- Ok. (eu)
- Mas sigilo, viu. Eu sou casado. ;)

A situação era a seguinte: eu estava marcando de dar o rabicó para o segurança barango que me revistou no inicio da festa, num motel que fica nas redondezas do tal Cabaret Kalesa, no centro sujo e abandonado do Rio de Janeiro. Mas a máxima da minha vida é: quando você acha que eu perdi o nível, fica mais um pouco que a coisa piora. Foi então que lancei as duas frases que entrarão para a historia da minha vida, se tornando TOP 1 da minha listinha das CINCO PIORES FRASES UM DIA JÁ DITAS EM VOZ ALTA, QUE EU PODERIA MUITO BEM TER GUARDADO SÓ PARA MIM.

- Sou discreto, relaxa. (eu)
- Que bom. Vou te deixar assado. (ele)
- Quero ver seu pinto agora.

Pablo, por favor, não é o momento. Não fale mais nada agora, escolha calar-se para sempre...

- No meio da rua? Estou na minha área de trabalho. Tem câmeras aqui.

REALIDADE: O segurança barango e casado parecia ter mais nível que eu.

- QUERO VER SEU PINTO AGORA. (Comecei a gritar...)
- Não posso. (ele começou a ficar tímido... Aliás, cheguei a comentar que ele não tinha os dentes da frente?)
- EU QUERO SENTIR SEU PINTOOOOOOO

Dada a circunstância, meu amigo começou a falar que TALVEZ fosse melhor irmos embora. O segurança, com um sorriso sem graça no rosto (gente, aquela falta de dentes estava incrívelmente sexy depois de tanta bebida. Definitivamente temos que rever bem isso daí do álcool ser legalizado) pediu para que eu anotasse seu telefone. Segue o numero que eu anotei:

0219763425262
Tá fácil. É só ligar.

Entramos num táxi e viemos rumando para a minha casa. Claro que eu sou do pior tipo de amizade e paguei sozinho o táxi de 120 reais, só porque meu amigo não tinha condições de voltar a pé. No nosso trajeto até aqui, mandei mensagem para nego dizendo que ainda amo e não o esqueço, liguei para outro só pra dar um oizinho às cinco da manhã e vim batendo um papo sobre sexo a três com o motorista do táxi. Tô mesmo precisando policiar as minhas atitudes, viu. Pela primeira vez na vida, sinto medo do futuro.

Mas hoje é sexta-feira e eu estou na área outra vez.

Querida Mary-J, I love U

24.11.10
Menino, e eu que faz um tempo resolvi fumar maconha? Todo mundo sabe que sempre fui de levantar bandeira contra, mas graças a um amor maluco que desenvolvi por um roqueiro doidão de peitos peludos, resolvi tentar essa droga aí. Minha primeira onda foi um caos: Dei uma puxada naquele cigarrinho de artista. E nada. Então, depois de matutar sobre, decidi que isso de fumar pouco não ia me dar onda, não. Tudo mato. Me bateu a idéia fixa de que a coisa só ficaria boa se eu fumasse bastante. Mas muito. Fumei dois baseados sozinho. O resultado = 1) Eu no ponto de ônibus, achando que era um tomate. Talvez verde, talvez frito. Talvez Frida Kahlo. 2) Eu olhando para o poste, murmurando por aí que estava viajando para o reino das luzes e conversando com o príncipe lâmpada. 3) Eu achando que a minha alma estava querendo correr do meu corpo e me abraçando todinho na calçada. Quer dizer. Que bom, não é mesmo? Você fuma uma coisa querendo se divertir e quando dá por si, tá achando que é um tomate e que sua alma tá pra fugir a qualquer momento.

Cheguei em casa e deitei na cama. Pronto, show dos horrores: cismei que não conseguia respirar.

- Calma, Pablo, isso tudo é onda ruim. Vai passar. É obvio que você respira, meu gato, senão você não estaria nem pensando nisso - Dizia para mim.

E depois de meia hora achando que ia morrer (o que, obviamente, não havia sido um dos motivos pelos quais resolvi fumar maconha) e não podendo levantar da cama com medo da minha alma sair voando (o que, obviamente, não estava nos meus planos para aquela sexta-feira a noite), eu caí num sono profundo. Acordei minutos depois, muito confuso, indo direto para o computador espalhar, para quem estivesse online, sobre minha primeira experiência de quase morte. Dia seguinte prometi para mim mesmo que nunca mais iria passar por aquelas sensações esquisitas na vida outra vez. Até que...

... me ofereceram maconha de novo.

Ai, gente, sabe como é, né: Bem aceitei. E na boa, PARA QUÊ? P-a-r-a q-u-ê. Cinco minutos depois da droga começar a fazer efeito, me bateu uma puta neurose. Vamos combinar que eu sóbrio já sou neurótico que chegue. Drogado, comecei a imaginar que aquela droga tinha sido comprada em um certo morro da cidade e que estávamos fumando na área de um outro morro rival. E pois é, era um risco.

Comecei a ficar gelado, pensando que talvez pudéssemos estar sendo perseguidos pelo dono da boca de fumo. O trafico iria nos localizar e mandar nos matar. Afinal de contas, é inconcebível usar as drogas de uma facção criminosa na área protegida por uma outra facção rival. Olha... queria saber de mais nada, me meti atrás de um arbusto da calçada e não havia ninguém que conseguisse me tirar de lá. Comecei a arquitetar um plano de fuga, mas antes tínhamos que nos esconder. Mandei todos os meus amigos virem pra trás da moita também. Sem muitas opções que não escutar meus desesperados gritos de horror, todos obedeciam. O retrato da juventude perdida: cinco jovens adultos atrás de uma moitinha.

E enquanto chorava, eu andava engatinhando entre as arvores do local. A situação chegou no máximo do que é o insustentável quando comecei a gritar com um cachorro de rua. MOTIVO: duvidas se o cão era ou não um espião do comando vermelho. Todo barulho de cano de moto que eu escutava, não tinha outra: só podia ser tiro. Mandava todo mundo ficar abaixado. Foram as três horas de maior terror da minha vida. Superando até mesmo o dia em que vi darem banho em vovó quando ela estava doente ou o dia em que prima Mari mijou no chão depois da balada e foi dormir sem tomar banho. Cortei a onda de geral. Nego ficou em tal estado de bolado, que até disse que nunca mais fuma maconha comigo, não. E por nada não, mas até hoje eu me pergunto como é que as pessoas conseguem fumar uma maconha PARA RELAXAR. Porque seja lá o que elas façam, eu fiz errado.

Pablo Rodríguez - Relaxando entre as moitas, ouvindo tiro em cano de moto.

Alergia opcional

Então que fui fazer a barba para ir ao curso. Nada de novo na sentença anterior, já que fazer a barba é algo que me cabe desde os treze anos de idade. Quer dizer: é algo que ME ESTRESSA desde os treze anos de idade. Teve uma época em que eu até desejei me tornar uma mulher, só para não fazer a barba. Mas logo esqueci essa loucura. Descobri através da minha mãe que poderia ser pior: as mulheres têm umas seis áreas a serem depiladas, raspadas, enceradas ou sei lá que termo usar. Incluindo pernas.

Meu irmão, se fazer 30 centímetros de rosto já é algo que me incomoda em níveis absurdos, imagina fazer um metro de perna? Duas vezes. Porque depois de fazer uma perna, você tem que fazer a outra. Isso, claro, sem contar a circunferência. Talvez este fato explique o motivo de haver surgido toda uma levada de mulheres sapatões. Mulheres que estão se rendendo aos pelos. Não sei muito sobre o que essas mulheres sapatões que não se depilam pensam, mas com certeza deve ser que se a conseqüência de não se depilar for ter que pegar outra mulher, tudo bem: elas topam qualquer coisa, menos raspar dois metros de perna por semana. E fora as outras partes do corpo. Aliás, as outras partes do corpo, sim, são mais tristes que as pernas - já que elas nem sabem fazer tudo sozinhas. Rola de ir numa outra pessoa, abrir as suas cavidades para esse outro alguém (não sabemos muito bem quem - não sabemos se podemos confiar muito bem nesse alguém que não sabemos muito bem quem). Enfim. É mais problemático.

Na adolescência, fazer a barba vinha até mim como uma situação chata, mas nunca havia me trazido muitos problemas. Coisa do passado. 2011 está se tornando um ano repleto de mudanças. Agora, além de ter que me preocupar com homem, pessoas, trabalhos, estudos e etc. etc.

Fazer.
A.
Barba.
Também.
Me.
Traz.
Problemas.

Como se eu já encarasse POUCO nessa merda de vida. FATO: desenvolvi uma alergia na área do pescoço, graças a um barbeador que usei. Muito despretensioso que sou, fui correndo no site da marca do barbeador e gente, não é possível. Mas foi possível. Tinha uma propaganda BEM GRANDE que dizia bem assim:

LINHA MARCA X SENSITIVE
Descubra a nova linha sensitive da Marca X para combater a irritação.
Agora o único vermelho no seu rosto vai ser de beijos!

Cara... Na boa. Que isso? Que mundo é esse que nós estamos vivendo, meu Deus? Daí que tem a linha que CAUSA irritação e tem a linha que NÃO CAUSA a irritação. Mas a pergunta é: POR QUÊ?

NÃO SERIA MELHOR TER SÓ A LINHA QUE NÃO CAUSA ESSA MALDITA IRRITAÇÃO VERMELHA? Não seria mais conveniente que todas as linhas fossem linhas sensitive?

Porque é isso que essa alergia no pescoço é: inconveniente. Eu tenho que ir à rua, sair em publico, encontrar pessoas que possivelmente possam vir a estar interessadas em mim (o que é raro, mas acontece). Quando eu faço a barba, o intuito é esse. Ficar apresentável. Até que me surge essa coisa vermelha no pescoço e mata toda e qualquer chance de qualquer um ficar interessado em mim. Ninguém quer dar beijo em gente que parece estar passando por um período forte de caxumba.

Nós queremos mesmo viver em um mundo onde os poderosos da indústria nos deixam doentes e depois querem nos vender a cura de uma doença que eles mesmos causaram? Eu acho que eu deveria ganhar uma linha sensitive de graça. Repito: d e g r a ç a. Só para combater a alergia que a linha NÃO sensitive me causou. É isso que eu acho.

Foi nessas que descobri que o site da empresa é ótimo, gente. Entrei lá com o propósito de mandar um e-mail ameaçando um processo e fui rapidamente distraído por um joguinho muito bacana, onde você pode montar seu look se testando com vários tipos de barba. Nossa. Muito legal. Não é que eu não lute pelos meus direitos, sabe. Mas eles tem um JOGUINHO no site deles. Que tipo de pessoa RUIM colocaria um joguinho fofo desse em seu website? Está decidido: Não vou processar.

Eles são do bem. Ponto.

Papagaio

Um pouco complicado isso de ter empregada burra, viu. Dona Sara - mulher evangélica de um metro e quarenta, gordinha e simplesmente A CARA do Mestre dos Magos do fantástico desenho animado Caverna do Dragão - é minha empregada. No inicio o que mais me incomodava era isso dela surgir do nada em meio a situações intimas. Pablo estava trocando de cueca? Dona Sara aparecia. Pablo estava brigando no telefone? Dona Sara aparecia. Pablo sentava na dele para assistir uma pornografia online? Dona Sara aparecia.

Em seguida, comecei a me incomodar de verdade com essa historia dela não saber ver as horas. Eu pedia para ela preparar o almoço meio dia. Dava dez da manhã e me surgia Dona Sara com o meu almoço pronto.

- Dona Sara, eu ainda nem tomei o café da manhã.
- Daqui a pouco vai dar três da tarde e você ainda nem comeu.

Gente... Eram dez da manhã. Que situação.

Comecei a procurar no Google maneiras doces de se dizer para uma pessoa que ela é burra e não sabe ver as horas. Não achei. Não me vem nada mais elegante na cabeça para fazer em situações assim - então, eu almoçava as dez da manhã.

Querido Menino Jesus,
Neste Natal tudo o que quero é chumbinho.

Por favor, me mata e me leva.


Fizemos uma reunião familiar e ficou estabelecido que minha mãe deveria ensinar ela a ver as horas. Mas ninguém contava com o fato de Dona Sara se sentir tão ofendida e começar a chorar. E não foi que tenha se magoado por estarmos querendo ensina-la a ver as horas. Ela ficou chateada mesmo é de termos duvidado quando ela disse não ser burra e saber, sim, ver as horas.

- Sara, então diz que horas são agora. (minha mãe)
E lá foi Sara correndo chorar na área de serviço.

Foi neste dia que decidimos: saber as horas nem era tão importante assim.
Importante mesmo era ter alguém para varrer a casa.

Outros pequenos detalhes também nunca haviam me incomodado. Por mim, tudo bem ela não entender que o bilhete "favor não jogar fora" era algo importante quando estava sobre um papel cheio de telefones que precisaria. Tudo ok ela não saber ver as horas e ser desatenta com o que estava escrito. Até que eu fiquei devendo uma grana para um certo garoto e resolvi que não iria pagar. Fiz um único pedido a Sara: Por favor, se ESTE cara daqui me ligar, diz que estou de férias no Maceió. Até porque, quem seria tão ruim a ponto de cobrar alguma coisa de alguém que está no Maceió?

Dez minutos depois...

Me aparece Dona Sara com o telefone na mão, avisando que estavam precisando falar comigo urgente. Claro que era urgente: estavam me cobrando uma divida.

E foi assim que eu descobri que Dona Sara não sabia ler o nome que eu tinha anotado para ela.

Bem oportuno.

Eis que hoje toda a minha raiva foi por agua abaixo, se transformando num grande nódulo de amor em meu peito. Estávamos vendo o programa da Ana Maria Braga, o Mais Você (não me perguntem), quando Dona Sara nos aparece rodeada de duvidas:

- Como é que eles fazem esse papagaio falar assim?
A familia se entre-olhou com pavor: pavor da minha resposta.
- Sara... (eu, segurando o riso)
- Pablo, deixa que eu explico. (minha mãe, tentando evitar que Sara pedisse demissão após me ouvir)

Minha mãe travou. Ninguém sabia o que responder, Sara continuou:

- É que eu e minha irmã compramos um papagaio e ele não fala assim. Queria saber o que fazer...
- Se você der sabão em pó para ele, com certeza ele vai começar a falar. (eu)

Tá. Mentira. Eu não tive coragem de falar isso. Mas não vou esconder: queria ter dito. Mas não consegui me segurar e tive que contar a verdade:

Soltei cheio do medo - Sara, esse papagaio é de mentira.

Pronto. Era uma questão de segundos até ela começar a chorar. Droga, talvez não devesse ter falado nada, afinal. Antes ela matando o papagaio com sabão em pó e chorando em sua própria residência do que ela berrando na nossa área de serviço outra vez.

Que lágrimas que nada. Até parece que adiantou de alguma coisa. Sara não acreditou em mim e ainda deixou claro que depois pesquisaria melhor essa historia do papagaio ser de mentira. Saiu da cozinha me olhando torto, com ares de piedade. Olha, se uma cigana eu fosse e pudesse ter visto o futuro, não teria sido essa a minha resposta, não. Ah. Mas que ódio. Senti vontade de na próxima vez dizer sobre o sabão em pó e ainda avisar que se misturar com alvejante, o papagaio até dança La Conga, da Gretchen. E caguei se o papagaio vai morrer. Quero só ver ela me processar.

Duvido ela achar a palavra advogado nas listas amarelas. Duvido.